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Ministério Público quer multar CAF e Rotem pelo atraso na entrega de trens da CPTM

Encomenda de 65 unidades deveria ter sido concluída em agosto, mas pouco mais de uma dezena de composições foi entregue

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O Ministério Público Estadual quer que a empresas CAF e Rotem paguem uma multa milionária por atrasarem a entrega de uma encomenda de 65 trens licitada pela CPTM em 2013. O contrato, de cerca de R$ 1,8 bilhão, previa que 35 unidades fossem entregues até o dia 31 de julho deste ano e os outros 30 trens, até o dia 9 de agosto. Mas, na realidade, apenas 11 unidades da Série 8500 fabricadas pela CAF e uma unidade da Série 9500 produzida pela Rotem estão nos pátios da empresa.

A CPTM abriu a licitação para compra de 65 trens novos em março de 2013. A ideia é retirar de circulação todas as composições ultrapassadas e que circulam desde a década de 50. A concorrência foi dividade em dois lotes vencidos pela espanhola CAF e pela sul-coreana Rotem em parceria com a IESA, de Piracicaba. Enquanto a primeira assumiu a construção de 35 composições por R$ 1,011 bilhão, o consórcio ficou com outros 30 trens por R$ 788,2 milhões. Na época, a concorrência causou suspeitas porque as duas empresas ficaram na 2ª colocação nos lotes em que não venceram – a chinesa Changchun fechou a lista em 3º em ambos os lotes, que não teve mais participantes.

Os problemas começaram para o consórcio IESA-Rotem quando a empresa brasileira faliu. Ela seria responsável pela montagem final dos trens na unidade de Araraquara. Isso obrigou o fabricante sul-coreano a acelerar a instalação de uma fábrica no país, mas iniciou a produção dos trens na Coreia do Sul. Com o atraso, o primeiro trem de Série 9500 só foi entregue em julho deste ano. Já a CAF fez a primeira entrega da Série 8500 em julho de 2015, mas o primeiro trem só entrou em operação comercial um ano depois, após longos testes.

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Compreensão exagerada

Segundo o site G1, a CAF culpou a mudança do banco financiador do projeto, que exigiu aumento do conteúdo nacional enquanto a Rotem alegou o problema com o sócio brasileiro. Seja qual for o motivo, a situação é muito clara: não cumpriu o prazo pague uma multa certamente prevista em contrato. Não deveria ser necessária a entrada do Ministério Público em cena para que isso ocorresse.

No entanto, há uma espécie de compreensão com o não cumprimento de prazos e metas pelas empresas contratados por órgãos públicos. Se o assunto não vem a público a impressão que fica é que tudo seria resolvido com um “tapinha nas costas” como se fosse algo normal. Que o digam os milhares de passageiros que todos os dias andam em trens obsoletos, desconfortáveis e lentos.

O governo do estado diz que 40 dos 65 trens entrarão em operação até o final do ano que vem e o restante em 2018. Que uma multa pesada ressarça os prejuízos causados por mais de dois anos de atraso.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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