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Saiba o status das obras de expansão do Metrô e da CPTM

Atualizado mensalmente, post mostra em que estágio está a expansão da rede metroferroviária

Poço do acesso principal da estação Santa Cruz: fim da concretagem

Antes que a crise financeira e política se abatesse sobre o Brasil e os efeitos da operação Lava Jato no setor de construção civil estivessem sendo sentidos, os planos de expansão da rede metroferroviária da Grande São Paulo eram ousados em que pese o atraso constante nas previsões de entrega. O governador Geraldo Alckmin disse em várias oportunidades que existiam nove linhas em construção simultânea.

Hoje a situação é bem diferente, mas não para melhor. Sem recursos e com vários problemas em quase todas as frentes de trabalho, há menos linhas em obras e entregas bastante atrasadas. Algumas delas, inclusive, talvez nem fiquem prontas nesta década, postergando um alívio para os passageiros e mantendo alto o custo de mobilidade para a região.

Para acompanhar a evolução desses nove projetos, o blog manterá esse post atualizado mensalmente com o status de cada linha bem como um indicador sobre o andamento das obras.

Atualizado em 22 de dezembro de 2016. Confira como estão as obras:

Linha 2-Verde
Projeto: expansão no sentido leste, com 14,5 km de extensão entre Vila Prudente e a cidade de Guarulhos, com 13 estações.
Status: sem previsão.

A extensão da Linha 2 é um dos mais importantes projetos de expansão do Metrô por permitir um certo reequilíbrio nos deslocamentos. Além de ligar parte de Guarulhos com a malha férrea, a Linha 2 terá a função de dividir o fluxo de passageiros do eixo Leste onde hoje a Linha 3 e a Linha 11 sofrem para levar milhões de passageiros.

Em dezembro, encerrava-se a suspensão das obras, conforme o governo do estado havia informado em 2015. No entanto, a extensão da Linha 2 segue sem previsão. A situação, inclusive, é até mais grave agora em que faltam recursos para tocar outras obras e parte das construtoras que venceram a licitação estão sem crédito na praça. Existe a possibilidade de a suspensão ser estendida até dezembro de 2017.

Linha 4-Amarela
Projeto: entrega da fase 2 da Linha, compreendendo mais quatro estações e ampliação do pátio.
Status: em andamento

Depois de passar anos sendo tocada de forma lenta e mais um ano em processo de relicitação, a segunda fase da Linha 4-Amarela voltou a ser construída em agosto.

Em dezembro já era possível ver vários canteiros mais agitados: Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire com os acessos sendo levantados e algum movimento (pequeno) nas plataformas. Já há gruas em São Paulo-Morumbi e as obras em Vila Sonia começaram a ganhar algum ritmo com trabalhos no terminal de ônibus e início da escavação da extensão do túnel que levará até a estação do mesmo nome. A previsão de inauguração a partir, no entanto, é bem pouco provável.

Linha 5-Lilás
Projeto: expansão entre Adolfo Pinheiro e Chácara Klabin, com pouco mais de 10 km de extensão.
Status: em andamento

É a maior obra ferroviária em São Paulo atualmente e a que mais deve causar efeitos benéficos na cidade. Atrasada, a expansão deve entregar as primeiras três estações em meados de 2017, isso se o sistema CBTC, de controle de trens, entrar em operação. Ele havia sido prometido para setembro, mas segue sem previsão. Sem ele, os novos trens da Frota P, fundamentais para ser possível ampliar o percurso, não podem operar. O restante da linha segue em construção, incluindo as vias que devem ficar prontas em fevereiro para início da instalação dos trilhos e sistemas. A entrega final deve ocorrer em 2018.

No final de 2016, a estação Brooklin era a única em final de acabamento. As estações Borba Gato e Alto da Boa Vista devem ser concluídas apenas em junho de 2017. Outros trechos estão mais atrasados e só devem ser concluídos entre o final do ano que vem e 2018. O CBTC segue um mistério, mas há boatos que haverá um evento no dia 25 de janeiro. O mais importante, no entanto, é a licitação que concederá a linha 5 e também a 17 à iniciativa privada. Isso deve ocorrer no primeiro semestre e permitir que o vencedor inaugure o primeiro trecho até o final do ano.

Linha 6-Laranja
Projeto: nova linha subterrânea ligando a região da Brasilândia a estação São Joaquim, com 15,3 km de extensão e 15 estações
Status: parada

É, sem dúvida, o maior ‘abacaxi’ do governo do estado. Vendida como solução para acelerar a expansão do metrô, a PPP da Linha 6-Laranja acabou tornando-se um grande problema. Não só não acelerou as obras, que ficaram em banho maria enquanto eram resolvidos os casos de desapropriação como o consórcio vencedor, o Move São Paulo, não obteve financiamento do BNDES por ter entre seus sócios empresas investigadas na Lava Jato, incluindo a Odebrecht. Sem dinheiro, a Move São Paulo interrompeu a obra em 5 de setembro.

Lá se vão mais de três meses de paralisação e a situação vai ficando mais complicada. A saída está na concessão do empréstimo pelo BNDES, com juros mais amigáveis, mas com o nome ‘sujo’, a Odebrecht não permite que a Move São Paulo consiga a linha de crédito. o governo estuda soluções, entre elas repassar a concessão a outro ente privado. Por ora, as chances de retorno são mínimas.

Linha 9-Esmeralda
Projeto: extensão entre Grajaú e Varginha.
Status: em andamento parcial

A mais simples das obras do governo do estado, a expansão da Linha Esmeralda até Varginha, incluindo a futura estação Mendes, é mais um caso de gestão atrapalhada. Sem grandes desapropriações, com a via já existente, a obra segue em ritmo lento, para prejuízo de milhares de pessoas. O problema nesse caso foi contar com uma verba do governo federal que não chegou, entre outro motivos, porque o tipo de licitação feito pela CPTM não ser permitido pelo governo federal.

Em outubro, o governo do estado anunciou que está encerrando os dois lotes atuais para relicitar o restante da obra nos moldes requisitados pela União com intuito de liberar a verba congelada. Desde então nenhuma novidade surgiu na linha.

Linha 13-Jade
Projeto: nova linha da CPTM que ligará o aeroporto de Guarulhos à Linha 12-Safira.
Status: em andamento

A primeira nova linha construída e operada pela CPTM está num ritmo adequado de obras. As três estações previstas já estão próximas do fim das obras civis e a estação Engenheiro Goulart está sendo preparada para reabrir parcialmente no primeiro semestre do ano que vem para voltar a atender a Linha 12. Ainda falta divulgar o vencedor da licitação dos oito trens que atenderão o ramal e que contarão com alguns diferenciais como bagageiro para os usuários provindos do terminal aéreo, mas o gargalo da obra é um viaduto estaiado sobre a rodovia Ayrton Senna que está apenas no início da construção. É provável que a linha fique pronta em 2018, aguardando a conclusão do viaduto para iniciar operação.

A Linha 13 segue como uma das obras mais aceleradas do governo. A estação Engenheiro Goulart já recebe acabamentos e as fundações do viaduto estaiado estão quase prontas.

Linha 15-Prata
Projeto: extensão entre Oratório e São Mateus, com oito estações e 13 km de vias.
Status: em andamento

As obras do monotrilho da Zona Leste estão em ritmo acelerado após um período em que foi preciso desviar um córrego que passava embaixo das futuras fundações de três estações. O problema da linha parecia ser o de que as estações teriam de ser inauguradas em ordem porque é praticamente impossível operar com uma delas em obras no caminho. No entanto, informação obtida pelo blog revelou que o Metrô inverteu a sequência de construção das estações mais atrasadas para permitir a passagem dos trens antes delas estarem completas.

A estação São Lucas, a mais atrasada delas, deve ganhar colunas no início de 2017.

Estação Ver. José Diniz em dezembro de 2016: vigas-trilho instaladas

Linha 17-Ouro
Projeto: nova linha de monotrilho cuja primeira fase ligará o aeroporto às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda.
Status: em andamento parcial

O monotrilho da Zona Sul é, sem dúvida, um exemplo claro de projeto mal planejado e executado. Seu percurso passa por áreas complicadas, incluindo córregos, áreas ocupadas por habitações provisórias, cemitério e avenidas que ainda não saíram do papel, além de um trecho beirando o rio Pinheiros e de difícil execução. Não fosse apenas isso, foi licitado sem que os projetos estivessem prontos, mas quis aproveitar as verbas destinada às obras de mobilidade da Copa do Mundo de 2014, sem sucesso.

Seguiu em frente, porém, em vez de priorizar a construção do pátio, uma obra complexa sobre um piscinão, o governo optou por iniciar a construção das vias primeiro. No meio do caminho, detectou que a futura estação Morumbi, conjugada a homônina da Linha 9, seria insuficiente para dar conta da demanda e a retirou do escopo da obra, enquanto projeta uma nova e maior estação.

Tudo corria bem, apesar disso, mas em junho de 2014 um acidente com uma das vigas-trilho matou um funcionário da obra e fez com que o Ministério do Trabalho proibisse os lançamentos. De lá para cá, o consórcio formado pelas construtoras Andrade Gutierrez e CR Almeida abandonou as obras do pátio e das estações, foi afastado e apenas nos últimos meses os dois lotes foram retomados.

As indefinições, contudo, permanecem: a conclusão das vias ainda precisa ser feita assim como a licitação da nova estação Morumbi. Mas não é só. A fabricante do monotrilho, a malaia Scomi até hoje não apresentou nenhuma prova de que os trens estão em construção. Ela contava com uma parceira brasileira, a carioca MPE, que saiu da sociedade. Para suprir essa lacuna, uma fábrica estaria sendo construída pela Scomi no interior de São Paulo – a empresa também revelou que assumiu a execução dos sistemas da linha.

Para fechar a sequência desastrosa, o governo congelou as duas fases restantes da linha, uma que ligará o monotrilho à Linha 1-Azul no Jabaquara, e outra que passará pela região do Morumbi, incluindo Paraisópolis indo até a avenida Francisco Morato, onde se conectará à Linha 4-Amarela. Os dois trechos passam por comunidades carentes, mas envolvem a contrapartida da prefeitura da cidade. Na gestão Haddad, no entanto, as obras previstas foram suspensas, algo que agora, com a posse do prefeito eleito João Doria, do mesmo partido do governador Alckmin, pode ocorrer.

Em dezembro, as estações Ver. José Diniz e Vila Cordeiro receberam as vigas-trilho e devem começar a ser finalizadas em 2017. Todas as sete estações agora estão com a parte civil quase pronta. Já o pátio segue em ritmo muito lento. Informação obtida pelo blog diz que no resto da linha o consórcio Monotrilho Integração não consegue chegar a um acordo com o governo por falta de dinheiro: não tem como terminar o que começou nem pagar a multa rescisória.

Linha 18-Bronze
Projeto: nova linha em monotrilho que ligará o ABC Paulista às linhas 10-Turquesa e 2-Verde na estação Tamanduateí.
Status: não iniciada

Segunda PPP de metrô do estado, a Linha 18-Bronze está há mais de dois anos aguardando um empréstimo para o governo do estado executar as desapropriações do trecho. O valor deveria ter vindo originalmente de um repasse do PAC, mas o governo federal, endividado, só ficou na promessa. Sem essa verba, o governo do estado tentou obter autorização para um empréstimo no exterior, mas  foi proibido pelo Ministério da Fazenda por conta da situação fiscal. Agora, a gestão Alckmin aguarda a votação de uma mudança no cálculo da dívida dos estados para estar apto a contrair um novo empréstimo.

A dívida dos estados teve a renegociação votada pelo Congresso em dezembro, mas o governo do estado pretende obter um empréstimo para poder dar início as desapropriações.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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