Destaques Linha 13 Linha 15 Linha 17 Linha 18 Linha 2 Linha 4 Linha 5 Linha 6 Linha 9

Saiba o status das obras de expansão do Metrô e da CPTM

Atualizado mensalmente, post mostra em que estágio está a expansão da rede metroferroviária

Ao fundo a bilheteria e a linha de bloqueios de Brooklin

Antes que a crise financeira e política se abatesse sobre o Brasil e os efeitos da operação Lava Jato no setor de construção civil estivessem sendo sentidos, os planos de expansão da rede metroferroviária da Grande São Paulo eram ousados em que pese o atraso constante nas previsões de entrega. O governador Geraldo Alckmin disse em várias oportunidades que existiam nove linhas em construção simultânea.

Hoje a situação é bem diferente, mas não para melhor. Sem recursos e com vários problemas em quase todas as frentes de trabalho, há menos linhas em obras e entregas bastante atrasadas. Algumas delas, inclusive, talvez nem fiquem prontas nesta década, postergando um alívio para os passageiros e mantendo alto o custo de mobilidade para a região.

Para acompanhar a evolução desses nove projetos, o blog mantem esse post atualizado mensalmente com o status de cada linha bem como um indicador sobre o andamento das obras.

Atualizado em 20 de fevereiro de 2017. Confira como estão as obras:

Linha 2-Verde
Projeto: expansão no sentido leste, com 14,5 km de extensão entre Vila Prudente e a cidade de Guarulhos, com 13 estações.
Status: sem previsão.

A extensão da Linha 2 é um dos mais importantes projetos de expansão do Metrô por permitir um certo reequilíbrio nos deslocamentos. Além de ligar parte de Guarulhos com a malha férrea, a Linha 2 terá a função de dividir o fluxo de passageiros do eixo Leste onde hoje a Linha 3 e a Linha 11 sofrem para levar milhões de passageiros.

Em janeiro, o governo do estado voltou a prorrogar a definição sobre o futuro da licitação, agora para dezembro de 2017. Não há recursos para executá-la e fica cada vez mais provável que o certame possa ser cancelado.

Linha 4-Amarela
Projeto: entrega da fase 2 da Linha, compreendendo mais quatro estações e ampliação do pátio.
Status: em andamento

Depois de passar anos sendo tocada de forma lenta e mais um ano em processo de relicitação, a segunda fase da Linha 4-Amarela voltou a ser construída em agosto.

Enfim, as obras ganharam ritmo desde o começo de 2017. As estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire exibem novas estruturas em seus acessos e a primeira voltou a ter trabalhos no nível da plataforma, exigindo que a ViaQuatro suspensse as viagens de trens em alguns domingos. Mas é a estação São Paulo-Morumbi que mais apresenta evolução, com alto número de funcionários e veículos. Em paralelo, a futura estação Vila Sônia e a ampliacação do pátio também avançam. É bem factível crer que Higienópolis e Oscar Freire sejam entregues ainda neste ano.

Linha 5-Lilás
Projeto: expansão entre Adolfo Pinheiro e Chácara Klabin, com pouco mais de 10 km de extensão.
Status: em andamento

É a maior obra ferroviária em São Paulo atualmente e a que mais deve causar efeitos benéficos na cidade. Atrasada, a expansão deve entregar as primeiras três estações em meados de 2017, isso se o sistema CBTC, de controle de trens, entrar em operação. Ele havia sido prometido para setembro e agora o governo fala no final de fevereiro. Sem ele, os novos trens da Frota P, fundamentais para ser possível ampliar o percurso, não podem operar. O restante da linha segue em construção, incluindo as vias que devem ficar prontas em fevereiro para início da instalação dos trilhos e sistemas. A entrega final deve ocorrer em 2018.

No começo do ano, a Bombardier executou dois testes simulados completos com a Frota P e com sucesso, mas outros dois domingos acabaram tendo os testes suspensos. Já as obras seguem em ritmos variados. A estação Brooklin já exibe sinais de acabamento enquanto Borba Gato e Alto da Boa Vista seguem no final das obras civis, mas já entrando na fase de acabamento também. Na outra ponta, estações como Santa Cruz e Hospital São Paulo estão bem atrasadas, sem falar em Campo Belo que ainda não tem as vias liberadas para passagem dos trens.

No dia 10 de janeiro, encerrou-se o prazo para sugestões para o edital que concederá a linha 5 e também a 17 à iniciativa privada. Com isso, espera-se que a licitação seja aberta nas próximas semanas. Apesar dos problemas, o governador Geraldo Alckmin continua prometendo entregar nove das dez estações até o final deste ano, algo bem difícil.

Linha 6-Laranja
Projeto: nova linha subterrânea ligando a região da Brasilândia a estação São Joaquim, com 15,3 km de extensão e 15 estações
Status: parada

É, sem dúvida, o maior ‘abacaxi’ do governo do estado. Vendida como solução para acelerar a expansão do metrô, a PPP da Linha 6-Laranja acabou tornando-se um grande problema. Não só não acelerou as obras, que ficaram em banho maria enquanto eram resolvidos os casos de desapropriação como o consórcio vencedor, o Move São Paulo, não obteve financiamento do BNDES por ter entre seus sócios empresas investigadas na Lava Jato, incluindo a Odebrecht. Sem dinheiro, a Move São Paulo interrompeu a obra em 5 de setembro.

Lá se vão mais de quatro meses de paralisação e a situação vai ficando mais complicada. A saída está na concessão do empréstimo pelo BNDES, com juros mais amigáveis, mas com o nome ‘sujo’, a Odebrecht não permite que a Move São Paulo consiga a linha de crédito. o governo estuda soluções, entre elas repassar a concessão a outro ente privado.

Nenhuma novidade importante surgiu no início de 2017. A Move São Paulo continua tentando obter o financiamento do governo, mas os problemas sem solução da Odebrecht atrapalhando. O governo chegou a dizer que esperará mais alguns meses antes de tomar uma decisão mais radical.

Linha 9-Esmeralda
Projeto: extensão entre Grajaú e Varginha.
Status: parada

A mais simples das obras do governo do estado, a expansão da Linha Esmeralda até Varginha, incluindo a futura estação Mendes, é mais um caso de gestão atrapalhada. Sem grandes desapropriações, com a via já existente, a obra segue em ritmo lento, para prejuízo de milhares de pessoas. O problema nesse caso foi contar com uma verba do governo federal que não chegou, entre outro motivos, porque o tipo de licitação feito pela CPTM não ser permitido pelo governo federal.

Em outubro, o governo do estado anunciou que está encerrando os dois lotes atuais para relicitar o restante da obra nos moldes requisitados pela União com intuito de liberar a verba congelada. A nova licitação, no entanto, ainda não foi publicada e a chance de a linha ficar pronta até o final de 2018 é pequena.

Linha 13-Jade
Projeto: nova linha da CPTM que ligará o aeroporto de Guarulhos à Linha 12-Safira.
Status: em andamento

A primeira nova linha construída e operada pela CPTM está num ritmo adequado de obras. As três estações previstas já estão próximas do fim das obras civis e a estação Engenheiro Goulart está sendo preparada para reabrir parcialmente no primeiro semestre do ano que vem para voltar a atender a Linha 12. Ainda falta divulgar o vencedor da licitação dos oito trens que atenderão o ramal e que contarão com alguns diferenciais como bagageiro para os usuários provindos do terminal aéreo, mas o gargalo da obra é um viaduto estaiado sobre a rodovia Ayrton Senna que está apenas no início da construção. É provável que a linha fique pronta em 2018, aguardando a conclusão do viaduto para iniciar operação.

O ano começou em ritmo acelerado na obra. A estação Engenheiro Goulart deve ficar pronta em mais alguns meses enquanto as outras duas estações já estão no final da obra civil. As vias elevadas começaram a ser preparadas para receber os trilhos e o viaduto estaiado já teve a base concretada. Por outro lado, a licitação dos oito trens que serão usados na linha foi suspensa por uma liminar de um concorrente derrotado – uma empresa chinesa fará as composições.

Linha 15-Prata
Projeto: extensão entre Oratório e São Mateus, com oito estações e 13 km de vias.
Status: em andamento

As obras do monotrilho da Zona Leste estão em ritmo acelerado após um período em que foi preciso desviar um córrego que passava embaixo das futuras fundações de três estações. O problema da linha parecia ser o de que as estações teriam de ser inauguradas em ordem porque é praticamente impossível operar com uma delas em obras no caminho. No entanto, informação obtida pelo blog revelou que o Metrô inverteu a sequência de construção das estações mais atrasadas para permitir a passagem dos trens antes delas estarem completas.

No começo do ano, estações como Jardim Planalto e Sapopemba já exibiam a cobertura, enquanto outras ganham passarelas e plataformas. Mesmo São Lucas, a mais atrasada, deve receber as primeiras vigas até março. É possível que trens comecem a circular em testes pelo trecho novo até o final do ano – a inauguração está marcada para o primeiro semestre de 2018.

Estação Ver. José Diniz em dezembro de 2016: vigas-trilho instaladas

Linha 17-Ouro
Projeto: nova linha de monotrilho cuja primeira fase ligará o aeroporto às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda.
Status: em andamento parcial

O monotrilho da Zona Sul é, sem dúvida, um exemplo claro de projeto mal planejado e executado. Seu percurso passa por áreas complicadas, incluindo córregos, áreas ocupadas por habitações provisórias, cemitério e avenidas que ainda não saíram do papel, além de um trecho beirando o rio Pinheiros e de difícil execução. Não fosse apenas isso, foi licitado sem que os projetos estivessem prontos, mas quis aproveitar as verbas destinada às obras de mobilidade da Copa do Mundo de 2014, sem sucesso.

Seguiu em frente, porém, em vez de priorizar a construção do pátio, uma obra complexa sobre um piscinão, o governo optou por iniciar a construção das vias primeiro. No meio do caminho, detectou que a futura estação Morumbi, conjugada a homônina da Linha 9, seria insuficiente para dar conta da demanda e a retirou do escopo da obra, enquanto projeta uma nova e maior estação.

Tudo corria bem, apesar disso, mas em junho de 2014 um acidente com uma das vigas-trilho matou um funcionário da obra e fez com que o Ministério do Trabalho proibisse os lançamentos. De lá para cá, o consórcio formado pelas construtoras Andrade Gutierrez e CR Almeida abandonou as obras do pátio e das estações, foi afastado e apenas nos últimos meses os dois lotes foram retomados.

As indefinições, contudo, permanecem: a conclusão das vias ainda precisa ser feita assim como a licitação da nova estação Morumbi. Mas não é só. A fabricante do monotrilho, a malaia Scomi até hoje não apresentou nenhuma prova de que os trens estão em construção. Ela contava com uma parceira brasileira, a carioca MPE, que saiu da sociedade. Para suprir essa lacuna, uma fábrica estaria sendo construída pela Scomi no interior de São Paulo – a empresa também revelou que assumiu a execução dos sistemas da linha.

Para fechar a sequência desastrosa, o governo congelou as duas fases restantes da linha, uma que ligará o monotrilho à Linha 1-Azul no Jabaquara, e outra que passará pela região do Morumbi, incluindo Paraisópolis indo até a avenida Francisco Morato, onde se conectará à Linha 4-Amarela. Os dois trechos passam por comunidades carentes, mas envolvem a contrapartida da prefeitura da cidade. Na gestão Haddad, no entanto, as obras previstas foram suspensas, algo que agora, com a posse do prefeito eleito João Doria, do mesmo partido do governador Alckmin, pode ocorrer.

As estações em obras estão avançando rapidamente: quase todas exibiam plataformas ou estavam por receber vigas no começo de 2017. Por falar nisso, algumas vigas-trilho foram lançadas novamente, um trabalho que seria do antigo consórcio, mas que não se sabe se reassumiu essa tarefa. A parte ruim é que o pátio está com obras muito lentas até agora, sem falar no trecho da marginal e da futura estação Morumbi, que precisa ser licitada.

Linha 18-Bronze
Projeto: nova linha em monotrilho que ligará o ABC Paulista às linhas 10-Turquesa e 2-Verde na estação Tamanduateí.
Status: não iniciada

Segunda PPP de metrô do estado, a Linha 18-Bronze está há mais de dois anos aguardando um empréstimo para o governo do estado executar as desapropriações do trecho. O valor deveria ter vindo originalmente de um repasse do PAC, mas o governo federal, endividado, só ficou na promessa. Sem essa verba, o governo do estado tentou obter autorização para um empréstimo no exterior, mas  foi proibido pelo Ministério da Fazenda por conta da situação fiscal. Agora, a gestão Alckmin aguarda a votação de uma mudança no cálculo da dívida dos estados para estar apto a contrair um novo empréstimo.

Nada de novo no front do ABC. O governo do estado não consegue obter financiamento para pagar as desapropriações e Alckmin cogita culpar a União por considerar o estado insolvente. O governo federal deve rever a nota de crédito dos estados que seria irreal – segundo uma agência de rating no exterior, São Paulo é BB+ enquanto para o governo é C, o que impede novos empréstimos.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

4 Comments

  • Até parece uma pagina oficial, mas bem diferente quando se busca uma informação realista porem sem idealismo, também sou um apaixonado pela mobilização urbana e agora tenho um veiculo de informação confiável e ativa. Parabéns pelo blog, não estamos mais no escuro.

  • Olá Ricardo, como vai? Este post é espetacular, parabéns pela qualidade e precisão nas informações, tenho esperança que essas linhas um dia sejam todas concluídas, pois querendo ou não, de 2011 para cá se iniciou uma grande expansão, se continuar neste ritmo e superado a crise econômica, com certeza poderemos ficar mais otimistas.
    Abraço!

Leave a Comment