Metroviários conseguem ampliar escala com mais dias consecutivos de folga em proposta do Metrô de SP

Empresa aceita elevar de 622 para 1.310 o número de funcionários em regime que alterna turnos de trabalho e quatro dias consecutivos de descanso

Operador do monotrilho da Linha 17
Operador do monotrilho da Linha 17 (GESP)

Uma reivindicação dos Metroviários de São Paulo pode mudar a jornada de centenas de funcionários que trabalham diretamente na operação do sistema. O Metrô apresentou ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) uma proposta para elevar de 622 para 1.310 o número de empregados na chamada escala-base, conhecida internamente como 4x2x4.

O regime permite quatro dias consecutivos de folga ao final de cada ciclo, mas exige que o funcionário trabalhe em horários diferentes. Na escala, o empregado cumpre quatro jornadas em período diurno, outras duas no período noturno e então folga por quatro dias antes de iniciar um novo ciclo.

A ampliação não partiu originalmente do Metrô. Ela é uma reivindicação do Sindicato dos Metroviários e entrou nas negociações da campanha salarial deste ano. Em maio, durante a mediação que evitou uma greve da categoria, a empresa concordou em continuar discutindo a ampliação da escala no TRT-2.

Agora, o Metrô propõe acrescentar 688 funcionários ao regime, mais que dobrando o contingente atual. Segundo o Sindicato, a adesão seria voluntária: os empregados seriam consultados e aqueles que não desejarem mudar de jornada permaneceriam fora da escala.

Trem do Metrô de São Paulo (Jean Carlos)

Funcionários da operação estão incluídos

A proposta abrange os cargos da área de Operação do Metrô, incluindo funcionários que atuam nas estações, no tráfego e na segurança operacional, além de funções de supervisão. Empregados vinculados tanto ao plano de carreira antigo quanto ao atual poderão aderir.

Para os trabalhadores, um dos atrativos da escala-base é concentrar quatro dias consecutivos de descanso em cada ciclo. Em contrapartida, há o revezamento dos horários de trabalho, inclusive com jornadas noturnas.

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A proposta também prevê que funcionários dessa escala passem a cobrir os turnos da noite. Com isso, o Metrô pretende extinguir escalas noturnas fixas abrangidas pela reorganização.

Assembleia do Sindicato dos Metroviários (Reprodução)

Metrô e Sindicato divergem sobre escala complementar

A ampliação da escala-base representa um avanço em relação à reivindicação dos metroviários, mas não encerra a negociação. Sindicato e Metrô ainda discordam sobre a jornada que será utilizada para complementar a escala principal e garantir funcionários suficientes durante os períodos de folga das demais equipes.

Atualmente, parte dos empregados utiliza a chamada 4x2x6x4: trabalha quatro dias, folga dois, trabalha outros seis e então tem quatro dias de descanso. Trata-se de uma escala de turno fixo, sem o revezamento de horários existente na escala-base.

O Metrô quer substituir esse regime principalmente pela escala 4×2, na qual são quatro dias de trabalho para dois de folga. Também apresentou alternativas como 6×3 e outras combinações de jornadas e descansos.

O Sindicato defende a 6×4 como escala complementar. Nesse modelo, o empregado trabalha seis dias e folga quatro, mantendo um período maior de descanso consecutivo.

Bloqueio da estação Consolação, da Linha 2-Verde (Jean Carlos)

A entidade reconheceu como avanço a proposta de ampliar de 622 para 1.310 o número de empregados na escala-base, mas considera que o contingente ainda pode ser maior, especialmente na área de segurança.

Nova negociação será realizada no TRT

As mudanças ainda não estão valendo. Segundo o Sindicato, a implantação depende de homologação pelo TRT para dar segurança jurídica ao regime de jornada.

A categoria fará uma assembleia nesta quinta-feira (8) para avaliar a proposta e discutir uma contraproposta. Uma nova rodada de mediação entre Metrô e Sindicato está prevista para 14 de outubro no TRT-2.

A negociação também envolve o Plano de Carreira e Remuneração. Nesse ponto, o Sindicato afirma que houve pouco avanço: o Metrô manteve a maior parte das regras atuais, mas passou a admitir a adesão voluntária ao novo plano pelos Oficiais de Veículos e Oficiais de Movimentação.