Associação dos Jardins vai apresentar estudo técnico defendendo mais estações na Linha 20-Rosa
Entidade retoma debate antigo sobre o afastamento do ramal do eixo da Avenida Faria Lima
A Associação de Moradores dos Jardins (AME Jardins) vai apresentar nesta terça-feira, 10, um estudo técnico que propõe revisões no traçado atualmente adotado para a Linha 20-Rosa do Metrô de São Paulo, propondo incluir mais estações ao longo do eixo da Avenida Faria Lima. A iniciativa retoma um debate que acompanha o projeto do ramal há anos e que ganhou força após o Metrô optar por um alinhamento mais distante da principal centralidade de viagens da região.
A Linha 20-Rosa, concebida como um eixo perimetral de alta capacidade ligando a zona oeste da capital ao ABC Paulista, teve ao longo do tempo alterações relevantes em seu traçado. Uma das mais sensíveis ocorreu no trecho central da cidade, quando o Metrô deixou de trabalhar com a hipótese de cruzar toda a Avenida Faria Lima — à semelhança do que ocorre na Avenida Paulista com a Linha 2-Verde — e passou a prever atendimento indireto à via, com estações posicionadas nas ruas Tabapuã e Jesuíno Cardoso.
Com isso, a integração com a Linha 4-Amarela deixou de ser pensada na estação Faria Lima e foi deslocada para Fradique Coutinho, criando um vazio de cobertura metroviária em um dos trechos mais intensos em geração de viagens da cidade. Esse redesenho já vinha sendo discutido em audiências públicas e análises técnicas anteriores, mas agora passa a ser formalmente questionado por um estudo independente contratado pela associação.
Dados da Linha 20-Rosa (GESP)
O levantamento foi elaborado pela consultoria Urucuia Mobilidade Urbana e coordenado por profissionais com histórico na gestão de sistemas metroferroviários. O documento sustenta que um traçado mais próximo da Faria Lima permitiria maior captação de demanda, melhor aproveitamento da infraestrutura urbana existente e a implantação de um número maior de estações em um corredor já consolidado do ponto de vista econômico e funcional.
Segundo representantes da AME Jardins, o estudo já foi apresentado informalmente a integrantes do governo estadual que residem na região, com recepção considerada positiva, embora sem manifestações públicas de apoio, segundo O Estado de São Paulo.
A associação afirma que a motivação para aprofundar o debate surgiu após resposta oficial do Metrô, em 2024, indicando que a exclusão do eixo da Faria Lima teria sido influenciada por critérios de custo.
O material também questiona a concentração das integrações na estação Fradique Coutinho, avaliando que o local não foi originalmente concebido para assumir o papel de grande nó de conexões múltiplas. Na visão apresentada, a ausência de uma estação intermediária no coração da Faria Lima mantém extensos trechos do eixo distantes do transporte sobre trilhos, mesmo com a presença de poços de ventilação e emergência implantados a poucas centenas de metros da avenida.
As alternativas de traçado da Linha 20-Rosa estudadas pelo Metrô (CMSP)
O Metrô, em manifestações anteriores, tem sustentado que o traçado atual foi definido ainda na fase de anteprojeto de engenharia, levando em conta restrições geológicas, limitações geométricas e a intensa verticalização do entorno da estação Faria Lima da Linha 4-Amarela. A companhia afirma que analisou contribuições apresentadas por moradores e entidades, mas que as alternativas propostas não comprovaram viabilidade técnica, descartando mudanças significativas no projeto em desenvolvimento.
A Linha 20-Rosa segue em fase de elaboração do projeto básico, etapa que consolida a localização definitiva de túneis, estações e demais ativos.
