Audiência pública vai discutir processo de concessão do Metrô do Recife

Evento em março apresentará estudos de viabilidade de um modelo que prevê aporte federal de R$ 4 bilhões e transição para operação privada

Trem do Metrô de Recife
Trem do Metrô de Recife (CBTU)

O processo de concessão do Metrô do Recife será debatido em audiência pública marcada para o dia 5 de março, às 10h, no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda. No encontro, o governo de Pernambuco pretende apresentar os estudos de viabilidade da futura concessão do sistema, hoje operado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), estatal vinculada ao governo federal.

A audiência integra a etapa de consulta pública do projeto, que ficará aberta até o dia 23 de março. Durante esse período, interessados poderão enviar sugestões sobre o modelo proposto, que ainda pode sofrer ajustes antes da publicação do edital de licitação.

O Metrô do Recife enfrenta, há anos, limitações operacionais associadas à degradação da infraestrutura, à redução da frota disponível e à falta de investimentos estruturantes. Atualmente, o sistema opera com número reduzido de trens, o que resulta em intervalos elevados e falhas recorrentes no serviço.

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Como medida emergencial, o governo de Pernambuco anunciou recentemente a incorporação de 11 trens usados provenientes dos sistemas de Belo Horizonte e Porto Alegre, que passam por renovação de frota. Seis composições devem chegar até fevereiro e as demais até o fim do primeiro semestre de 2026. A iniciativa ocorre em paralelo ao processo de concessão e tem como objetivo estabilizar a operação no curto prazo.

Trem que deve ser repassado para o Metrô de Recife (CBTU)

Além disso, estão previstos cerca de R$ 90 milhões em investimentos imediatos para intervenções em pontos críticos da malha, com foco na prevenção de descarrilamentos e na reforma de estações. O Estado também se comprometeu a aportar aproximadamente R$ 80 milhões anuais em subsídio tarifário adicional durante o período de transição.

A modelagem da concessão foi estruturada pelo BNDES e prevê um aporte de cerca de R$ 4 bilhões por parte da União nos primeiros anos do contrato. Os recursos devem financiar obras civis, modernização de sistemas, recuperação da via permanente e aquisição ou renovação de material rodante, reduzindo o volume de investimentos iniciais exigidos da futura concessionária.

Segundo o cronograma preliminar divulgado pelo governo estadual, o leilão da concessão está previsto para ocorrer até o final de 2026, com assinatura do contrato no primeiro trimestre de 2027. Após isso, haverá um período de transição de seis meses, seguido por mais seis meses de operação compartilhada entre a CBTU e a nova concessionária, antes da transferência integral da gestão do sistema.