Dilema da Linha 6-Laranja: pagar R$ 3,6 bi e ter operação em 2026 ou esperar até 2028?

Artesp aprovou custo extra para que obra tocada pela Linha Uni não atrasasse após imprevistos geológicos

Obras da estação Higienópolis-Mackenzie da Linha 6-Laranja
Obras da estação Higienópolis-Mackenzie da Linha 6-Laranja (Linha Uni)

A grande imprensa destacou nesta semana que o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) decidiu bancar um custo extra de R$ 3,6 bilhões para que a obra da Linha 6-Laranja pudesse ser entregue parcialmente em outubro de 2026.

Alguns veículos relacionaram o fato a um “aspecto eleitoral”, insinuando que o valor teria apenas como benefício figurar entre os feitos de Tarcísio.

Mas uma análise do caso sugere que o efeito eleitoral, embora existente, é o menor dos reflexos propiciados pela decisão de evitar um atraso de dois anos na entrega do ramal.

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Segundo dados obtidos pelo site, ao aprovar a alternativa “acelerada” de obras, o governo no fim deve economizar dinheiro. Sim, parece contraditório, mas fato é que uma obra estendida causa mais prejuízos ao erário e, sobretudo, à economia, do que um gasto a mais para concluí-la antes.

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Somente em perdas com receitas tarifárias e não tarifárias, a entrega da Linha 6 em 2028 produziria um buraco quase tão grande quanto o custo extra, ou cerca de R$ 3,3 bilhões.

O impacto dos atrasos também se traduziria em mais custos com as obras e reajustes, de ao menos R$ 600 milhões. Haveria ainda reflexos importantes sobre a demanda que gerariam gastos de R$ 1,3 bilhão.

Por outro lado, a obra acelerada gerou um gasto de mais de R$ 400 milhões aos cofres públicos.

O cálculo não leva em consideração outro fator importante da entrega da obra mais cedo, os efeitos econômicos, sociais e ambientais positivos que dois anos de antecedência terão para a população.

Área das futuras plataformas de embarque e desembarque dos passageiros na estação Água Branca da Linha 6. Divulgação Governo de São Paulo

Estudos geológicos são o grande mistério

Como se vê, ainda falta à grande imprensa uma preocupação em analisar possíveis pautas sem se render à manchetes espalhafatosas e fáceis.

Obras de mobilidade urbana são projetos complexos e com camadas muito além dos seus custos diretos e, por mais que sejam usadas como panfletagem eleitoral (vide Rodoanel Norte e Linha 17), sempre seus efeitos mais duradouros são sentidos pela população.

Portanto, confundir isso com um suposto “prêmio” a uma empresa privada é ignorar todo um contexto muito mais amplo.

Dois primeiros trens da Linha Uni estão montados e prontos para uso. Divulgação Linha Uni

O que, sim, nós jornalistas devemos questionar é porque a Linha 6-Laranja teve tantos imprevistos de origem geológica, como esse que motivou o atraso da obra e atribuído ao trecho onde está a estação Higienópolis-Mackenzie.

Teria o governo errado em seus estudos? Haveria outra forma de amenizar esses problemas sem bancar um valor tão alto? Essas respostas certamente deixariam o cenário mais claro para entender se a decisão da atual gestão foi de fato a melhor possível.