Epicentro do alagamento na Linha 6-Laranja em 2022, poço Aquinos aparece fechado
Saída de emergência ao lado da Marginal Tietê é o canteiro de obras mais adiantado do ramal, com mais de 90% de execução
Palco de um assustador acidente em fevereiro de 2022, o poço SE Aquinos da Linha 6-Laranja caminha para ser o primeiro canteiro do ramal a ser concluído.
Até outubro, as obras haviam atingido 93,24% de execução, o mais alto índice de toda obra. Imagens aéreas da Linha Uni reforçam a impressão que o local está perto de ter as atividades finalizadas.
Embora datada de julho, a imagem acima mostra o poço fechado, com apenas uma abertura, além de um pequeno bloco ao lado, possivelmente onde existem as escadas para evacuação.
É uma cena que em nada lembra o estado de pânico e surpresa há quase quatro anos quando um interceptor de esgoto da Sabesp rompeu e alagou o SE Aquinos, túneis e o VSE Tietê, vizinho.
O poço SE Aquinos há quase quatro anos, alagado com esgoto e neste ano (Reprodução/Linha Uni)
Numa terça-feira, 1º de fevereiro de 2022, o Tatuzão Sul havia acabado de romper a parede do poço, marcando a primeira etapa de escavação mecânica da Linha 6-Laranja. O marco, no entanto, deveria ter passado despercebido até o dia seguinte, quando o então governador João Doria testemunharia a ‘chegada’ da tuneladora ao local, uma encenação comum, feita por motivos eleitorais.
Mas em vez disso, minutos depois da parada da máquina, partes das paredes começaram a ruir e despejar esgoto no poço. Vídeos gravados por funcionários na época revelaram o pânico que tomou conta do canteiro, com alguns deles gritando para que as pessoas evacuassem o local.
Tatuzões submersos
O que era um vazamento pequeno logo tomou grandes proporções já que o interceptor tinha grande diâmetro e estava sob pressão. Nas horas seguintes, o material inundou toda a área escavada pela Linha Uni até então, deixando os dois tatuzões submersos. Além disso, parte das pistas da Marginal Tietê cedeu, mas felizmente não houve vítimas.

Soube-se mais tarde que a passagem do Tatuzão Sul provocou rachaduras na tubulação de concreto da Sabesp. Nos meses seguintes, acusações mútuas se seguiram, entre quem apontava erro da construtora ou da empresa de saneamento.
Uma grande operação de retirada do esgoto teve início com o lançamento de pedras no fundo do SE Aquinos. A Acciona passou alguns meses drenando toda área e retirando as partes do tatuzão para recuperá-lo.
Apesar da impressão pessimista inicial, a tuneldaora retomou seu trabalhos em agosto daquele ano e concluiu sua viagem até o VSE Felício dos Santos em março. Agora, como mostramos, ela segue preparada para seguir escavando até a Mooca.
