Expresso Turístico da CPTM completa 17 anos
Serviço de lazer atende atualmente a três destinos e transportou cerca de 32 mil passageiros em 2025
O Expresso Turístico da CPTM completou 17 anos de operação no dia 18 de abril, um raro serviço voltado a viagens de lazer em uma rede que, no restante da semana, é dedicada ao transporte de massa na Região Metropolitana de São Paulo. Criado em 2009, o serviço parte da estação Luz e utiliza trechos da malha ferroviária para percursos históricos, com circulação aos fins de semana e feriados.
A operação atual atende três destinos: Jundiaí, Mogi das Cruzes e Paranapiacaba. Este último concentra a maior parte das viagens, em razão da demanda mais elevada e da proximidade com a capital. Os trajetos variam entre cerca de 48 km e 60 km, utilizando linhas que remontam à São Paulo Railway e à antiga Central do Brasil.
O material rodante empregado é distinto do restante da frota da CPTM. As viagens são feitas com locomotiva diesel ALCO RS-3, fabricada em 1952, que traciona carros de aço inoxidável produzidos pela Mafersa na década de 1960, pertencentes à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). O conjunto mantém características originais e não possui as mesmas configurações de conforto e desempenho dos trens urbanos atuais, o que também limita a velocidade e a capacidade operacional.
Cada composição oferece 352 lugares, além de espaço adaptado para pessoas com mobilidade reduzida. A venda de bilhetes é feita exclusivamente online, geralmente no início de cada mês, e a oferta restrita de viagens faz com que os ingressos se esgotem rapidamente, sobretudo para Paranapiacaba.
Expresso Turístico na estação da Luz (CPTM)
Em 2025, o serviço realizou 113 viagens e transportou aproximadamente 32 mil passageiros, com arrecadação superior a R$ 1,08 milhão em tarifas. Receitas adicionais, como fretamentos e serviços a bordo, somaram cerca de R$ 190 mil no período.
Ao longo dos anos, o Expresso Turístico passou por ajustes operacionais e interrupções pontuais, mas manteve o formato original, sem expansão significativa de rotas ou frequência. A operação também depende de janelas na circulação das linhas, o que limita a possibilidade de aumento de viagens sem interferir no transporte metropolitano.
O serviço permanece como uma iniciativa paralela dentro da estrutura da CPTM, que já estudou novos trajetos mas sem de fato chegar ao ponto de lançá-los.
A CPTM promove um desconto progressivo em passagens compradas acima de uma unidade, onde 1 passageiro desembolsa R$ 50,00, 1 passageiro e 1 acompanhante R$ 82,00, 1 passageiro e 2 acompanhantes R$ 115,00 e 1 passageiro com mais 3 acompanhantes R$ 148,00.

Lembro-me que fui numa das primeiras viagens para Jundiaí – eu tinha comprado uma para Mogi também, mas acabei vacilando e perdendo.
O legal disso é a ideia da preservação, algo que deveria ser sempre trabalhado culturalmente, pois significa fazer as pessoas ao menos entenderem como era o passado, suas tecnologias e condições. Infelizmente temos pouco disso no Brasil. E entendo as críticas sobre “ferrorama” e tal – precisamos de ferrovias de longa distância mais do que ferrovias turísticas ou históricas. Mas fazer a população ser motivada a preservar também é uma forma de fazer as pessoas verem que mesmo uma composição antiga pode servir para serviços atuais – se tiver manutenção, peças e condições, claro.
Lembrando que já fora ventiladas ideias para que o serviço fosse para São Roque (e Sorocaba), e São José dos Campos (e Aparecida). Infelizmente ambas só ficaram como ideias.