Governo do estado cobra para que ViaMobilidade devolva trens da CPTM a partir de maio

Apesar disso, convênio entre a concessionária e a CPTM poderá resultar numa espécie de “aluguel” dos trens em plano de trabalho que ainda será discutido

Trens da CPTM precisam ser devolvidos ainda em maio (Jean Carlos)
Trens da CPTM precisam ser devolvidos ainda em maio (Jean Carlos)

O governo do estado de São Paulo diz que está cobrando a ViaMobilidade para que os trens cedidos pela CPTM em caráter de empréstimo sejam devolvidos dentro do prazo. A concessionária está com o cronograma de entrega de novos trens atrasado.

A compra de 36 trens da Alstom sofreu severos atrasos no cronograma. De dez unidades, apenas uma delas foi entregue e deverá operar até o final de maio.

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Entretanto, o contrato de concessão estabelece o retorno de duas composições para a CPTM neste período, o que poderia desfalcar a frota operacional das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, assumidas por ela em janeiro de 2022.

Série 8900 fabricada pela Alstom (Jean Carlos)
Série 8900 fabricada pela Alstom (Jean Carlos)

Em resposta ao site, a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) afirma que está cobrando a concessionária para que a primeira devolução ocorra ainda em maio.

Caso a devolução não ocorra, a ViaMobilidade poderá ser alvo de multas – segundo o contrato de concessão elas vão de R$ 500 mil até R$ 1 milhão ao mês.

“A Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), por meio da Comissão de Monitoramento de Concessões e Permissões (CMCP), vem cobrando da Concessionária a devolução dos trens à CPTM, conforme cronograma previsto no Contrato de Concessão. A primeira devolução deverá ocorrer neste mês (maio/2023). Caso se verifique atraso nesta devolução a partir de junho/2023, a CMCP instaurará o processo administrativo pertinente e, após o devido processo legal, poderá aplicar as penalidades previstas no Contrato de Concessão, sem embargo do respectivo reequilíbrio econômico-financeiro por atraso do cronograma. O mesmo expediente será adotado para todos os atrasos que sejam eventualmente apurados pela CMCP, em estrito cumprimento do Contrato de Concessão.”

CPTM poderá alugar trens

Apesar da pressão contratual e das cobranças da SPI, a ViaMobilidade ainda poderá minimizar os prejuízos decorrentes do atraso da entrega dos trens à CPTM. Isso se deve ao convênio firmado entre a operadora privada e a estatal.

Este convênio prevê, além de ajuda mútua, a cessão de material rodante à concessionária mediante pagamento de uma “mensalidade”. Poucas semanas atrás, a ViaMobilidade recebeu da CPTM uma série de vagões para transporte de trilhos longos.

Veiculo para carregamento de trilhos longos será emprestado para a ViaMobilidade (Jean Carlos)
Veiculo para carregamento de trilhos longos emprestado para a ViaMobilidade (Jean Carlos)

Procuramos a CPTM e também pedimos um esclarecimento à estatal sobre a situação atual.

“A CPTM tem ciência sobre a possibilidade de solicitação de prorrogação do prazo para a entrega dos trens da companhia emprestados à ViaMobilidade, por possíveis atrasos na entrega das composições adquiridas da fabricante. A disponibilização recíproca de recursos entre CPTM e concessionária, mediante ressarcimento, é uma prática comum prevista em convênio existente entre as operadoras. A companhia reforça que qualquer extensão no prazo será objeto de um Plano de Trabalho dentro o convênio.”

Em suma, o que pode ocorrer é o repasse de unidades por meio do convênio firmado entre as operadoras, de composições ferroviárias de passageiros por meio do pagamento de um valor a ser estabelecido por elas.

Trens da série 8500 na Linha 9-Esmeralda (Jean Carlos)
Trens da série 8500 na Linha 9-Esmeralda: modelo será o primeiro a ser devolvido (Jean Carlos)

De certa forma, a concessionária poderia cumprir o regramento previsto no contrato de concessão e realizar o “empréstimo” de trens diretamente com a CPTM, evitando punições junto a CMCP.

Dependendo do número de trens que forem cedidos e do valor de cada “mensalidade”, o pagamento poderia ser menor que as futuras multas por conta do descumprimento contratual, o que daria mais fôlego financeiro a concessionária e permitiria com que a operadora trabalhasse com uma operação mais próxima do habitual.