Governo Tarcísio flexibiliza padrão visual de estações de metrô e trens

Concessionárias como ViaQuatro e TIC Trens estão implementando estilos próprios em suas linhas, colocando fim à identidade da rede

Novos paineis da estação Pinheiros da Linha 4-Amarela: padrão se foi
Novos paineis da estação Pinheiros da Linha 4-Amarela: padrão se foi (Thiago Nonato)

Ande por Londres e você rapidamente vai reconhecer um símbolo comum no transporte, um símbolo formado por um círculo cortado por um traço. Ele é o logo da TfL (Transport for London), empresa estatal que é responsável pelo funcionamento não só de trens como ônibus, táxis e até bicicletas públicas, entre outros.

O padrão de mapas, placas e painéis em geral usa sempre o mesmo tipo de fonte e cores definidas. Apesar disso, por trás desse estilo único estão várias empresas, públicas ou privadas.

Em São Paulo, governos estaduais até têm buscado criar alguma ligação entre os transporte sobre trilhos, mas pecaram no básico, liberar a exibição de logomarcas de operadoras em vez de divulgar uma única marca, como na capital britânica.

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A opção acabou reforçando a divisão da rede, criando os ramais estatais e privados quando para o passageiro o que importa é ter um serviço decente já que o preço da tarifa e o acesso aos sistema é o mesmo.

Seria diferente se uma linha fosse completamente privada, cobrando uma tarifa própria, mas esse não é caso – ao menos para o transporte de alta capacidade.

Entrada principal da estação com novas cores da concessionária. (Divulgação TIC Trens)

Não bastasse a ‘dissonância’ entre logotipos, a gestão Tarcísio de Freitas parece ter aberto uma nova frente de ‘personalização’, estações com comunicação visual que nada se assemelha ao padrão da rede.

A pioneira foi a TIC Trens, estreante à frente da Linha 7-Rubi e que modificou a aparência da estação Vila Aurora. A empresa, inclusive, foi rápida nesse sentido, instalando um revestimento na entrada da parada com os dizeres “Vila Aurora’ em letras destacadas.

Na semana passada foi a vez da estação Francisco Morato receber as mudanças, o que gerou críticas de alguns usuários, apelidando o resultado de “Lojas Marisa”.

Agora outra mudança, esta mais agressiva, está em curso na estação Pinheiros, da Linha 4-Amarela. O trabalho da ViaQuatro ainda está andamento mas os usuários já vislumbram uma estação diferente.

ViaQuatro está alterando visual da estação e diz ter aval do governo (Thiago Nonato)

Além dos grandes paineis de LEDs e a bem pensada escala cromática para ajudar passageiros a saber em quais dos vários níveis estão, a concessionária está mudando o visual das plataformas.

Em vez da cerâmica de acabamento e as placas amarelas com texto em preto foram instalados enormes painéis prateados com a inscrição ‘Pinheiros’ em letras garrafais. O tom amarelo fica no fundo, iluminado para destacar a cor.

O resultado é até interessante, vale dizer, mas o problema é que a tal ‘customização’ torna a viagem na rede uma experiência de adivinhação. Em vez de algo familiar e rapidamente assimilado, agora o usuário terá que ‘decorar’ cada padrão próprio das operadoras caso a moda pegue.

O site perguntou recentemente ao presidente da TIC Trens, Pedro Moro, se a personalização das estações fora do padrão metropolitano não ia contra o contrato de concessão. O executivo disse que a empresa teve autorização do governo, ou seja, da Artesp.

Estação Paddington, da Elizabeth Line: rede de transportes segue padrão único (TFL)

Enviamos questionamento para a agência que fiscaliza as concessões do transporte e também para a ViaQuatro.

A concessionária controlada pela Motiva Trilhos afirmou:

“A ViaQuatro informa que as mudanças visuais integram a obra do projeto de retrofit da estação Pinheiros e buscam melhorar a experiência do cliente. As alterações foram feitas com base nas mais modernas diretrizes internacionais para a boa orientação dos passageiros. O projeto está em conformidade com as normas vigentes e com o manual de sinalização do Metrô e foi aprovado pela agência reguladora.”

A Artesp não havia respondido até a publicação deste artigo.