Linha 13-Jade bate recordes de passageiros transportados, mas ainda está longe da sua meta
Ramal que parte das proximidades do Aeroporto de Guarulhos tem atraído mais demanda, porém, ela representa cerca de 11% da capacidade estimada pela CPTM
Inaugurada em março de 2018, a Linha 13-Jade foi o primeiro ramal sobre trilhos construído e operado pela CPTM em sua história. Com três estações e 12,2 km de extensão (sendo 7,9 km em vias elevadas), o ramal de trens metropolitanos deveria servir como ligação rápida não apenas com o Aeroporto de Guarulhos, mas também para moradores do munício.
No entanto, a primeira fase da Linha 13 foi um passo incompleto para torná-la realmente atraente. A despeito de ter os trens mais modernos da companhia e ser a única a operar com o sistema ATO (que torna a operação das composições automatizada), o ramal ainda transporta pouca gente.
Em outubro e novembro, ela voltou a bater seu recorde de passageiros transportados. Foram 390 mil pessoas em outubro e 392,4 mil pessoas em novembro (os dados de dezembro ainda foram divulgados pela CPTM).
Trata-se de um crescimento de 27% em quatro anos, um índice bastante significativo não fosse o fato de que a capacidade projetada para a Linha 13-Jade seja quase 10 vezes maior.
Segundo a CPTM, a linha pode transportar 120.000 passageiros por dia, com intervalos de 8 minutos entre os trens. Isso não ocorre por alguns motivos e eles não envolvem questões técnicas já que existem oito trens exclusivos à sua disposição, vias novas e um sistema de sinalização moderno (embora tenha levado tempo até ser concluído de fato).

A limitação está nos problemas de planejamento do governo do estado, que decidiu levar a Linha 13 apenas até Engenheiro Goulart, de onde os passageiros seguiriam viagem pela Linha 12-Safira, A questão é que o ramal que vai de Calmon Viana até o Brás não tem condições de absorver tamanho movimento, ele próprio às voltas com uma demanda crescente.
Esperança em 2024
Nos planos originais da companhia, a Linha 13 seguiria além de Engenheiro Goulart, paralela à Linha 12 até a região da Penha, quando passaria a circular em vias subterrâneas em direção à Mooca ou, em algumas projeções, até Chácara Klabin.
O projeto, de alto custo, foi abandonado pela gestão Doria/Garcia, que apostou em repotencializar a Linha 12 e a Linha 11 para que elas compartilhem vias com a Linha 13 até Palmeiras-Barra Funda. Isso deve ocorrer em algum momento do ano que vem, mas ignora-se o quanto haverá de espaço para o ramal.

Atualmente, o crescimento de usários se deve em parte ao novo Expresso Aeroporto, que passou a circular entre Luz e Aeroporto Guarulhos a cada hora. Mas ele é pouco para permitir que muitos passageiros decidam optar pela Linha 13.
Outra solução no horizonte chama-se estação Tiquatira. Ela é parte da expansão da Linha 2-Verde até Dutra (Guarulhos), mas está suspensa por enquanto. Quando for implantada, a nova parada permitirá que os passageiros das linhas 12-Safira e 13-Jade sigam viagem no sentido da Avenida Paulista ou da Zona Sul da capital.
Talvez só então os recordes da Linha 13 se tornem realmente mais significativos e a faça se aproximar do movimento do restante da malha metroferroviária.
