Linha 16-Violeta deve explorar estações com edifícios comerciais e residenciais sobre elas
Modelo em estudo pelo governo paulista prevê integração entre transporte e mercado imobiliário para reduzir desapropriações e ampliar receitas do projeto
O governo de São Paulo estuda permitir a construção de edifícios comerciais e residenciais sobre futuras estações da Linha 16-Violeta, como forma de integrar o projeto metroviário a empreendimentos privados e potencializar o uso do solo urbano.
A proposta foi mencionada pelo diretor da Companhia Paulista de Parcerias (CPP), Augusto Almudin, em entrevista ao Valor Econômico. Segundo ele, há discussões sobre o modelo em áreas próximas ao Parque do Ibirapuera, dentro do traçado previsto para a nova linha.
“Alguns dos terrenos que podem ser desapropriados são do mercado imobiliário, que viu uma oportunidade de fazer prédio. Por que não casar as duas coisas? A estação traz demanda. Estamos pensando em um modelo de negócios que permitirá que os dois possam conviver”, afirmou Almudin ao jornal.
A ideia é substituir, quando possível, a desapropriação integral por arranjos que permitam a implantação da estação e, acima dela, empreendimentos privados com exploração compartilhada. O edital da Linha 16 está previsto para o segundo semestre de 2026.
Resumo executivo da primeira fase da Linha 16-Violeta (GESP)
Embora a integração entre estações e centros comerciais já exista em pontos das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha, o modelo em análise amplia o conceito ao incluir uso residencial. A iniciativa ganhou respaldo jurídico com a Lei 19.209, aprovada em dezembro de 2024, que regulamentou o chamado “direito real de laje”. A norma autoriza edificações sobre estações e terminais com matrículas independentes, desde que haja acessos segregados.
Projetos semelhantes são comuns em grandes cidades. Em Nova York, o complexo Hudson Yards foi erguido sobre um antigo pátio ferroviário, com a construção de uma plataforma estrutural que permitiu a implantação de torres comerciais e residenciais sobre a infraestrutura existente. O modelo de “air rights” — venda ou concessão do direito de construir sobre áreas ferroviárias — é utilizado como forma de financiar intervenções urbanas e maximizar o valor de terrenos escassos.
Hudson Yards, em Nova York, construído sobre área ferroviária em Manhattan (Following NYC)
No caso paulista, a estratégia pode reduzir conflitos com proprietários e ampliar fontes de receita do projeto, mas enfrenta desafios técnicos e financeiros. Estudos anteriores, como no entorno da estação Belém, esbarraram no custo elevado das soluções estruturais necessárias para suportar edificações sobre a infraestrutura metroviária.
A Linha 16-Violeta ainda está em fase de estruturação e tem enfrentado resistência de moradores e empresas em diferentes trechos do traçado. A adoção de empreendimentos integrados às estações surge como uma alternativa para mitigar desapropriações e tornar o projeto mais atrativo para investidores, embora o modelo ainda esteja em análise.
