Linhas 16-Violeta e 19-Celeste ganham prioridade em relação à Linha 20-Rosa
Três ramais de metrô estão avançando nos planos do governo Tarcísio, mas projeto que vai atender o ABC acabou ficando para trás
Tirar do papel uma nova linha de metrô é uma tarefa hérculea e bem mais complexa que estender um ramal já existente – este já um grande desafio, como se pode ver nas recentes ampliações de linhas como a 4-Amarela, 5-Lilás, 2-Verde e 15-Prata.
Não se trata apenas de licitar obras civis, desapropriar terrenos e comprar trens e sistemas. Há toda uma sorte de variáveis que precisam ser equacionadas além de rigorosos testes para colocar em funcionamento algo inédito.
Mesmo a Linha 6-Laranja, que deve abrir parcialmente dentro de um ano, demonstra isso. A Acciona assumiu o espólio da Move São Paulo em 2020 e deve levar uma década para concluir a primeira etapa (imaginando que a estação 14 Bis fique pronta até 2029).
Dados da Linha 19-Celeste (CMSP)
Por isso o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumiu uma meta ousada e difícil: tirar do papel as linhas 19-Celeste e 20-Rosa.
Vale dizer que ambas não chegaram a essa gestão do zero. O ramal que vai atender Guarulhos está em estudos variados há vários anos por iniciativa do Metrô. Já a Linha 20 é cogitada há muito tempo, embora ainda num estágio mais atrasado em relação à sua irmã Celeste.
Perto de chegar ao fim do 3º ano de mandato de governador, Tarcísio conseguiu na semana passada dar o passo mais assertivo para tirar uma delas da prancheta. Com os leilões dos lotes da Linha 19, o ramal de 17,6 km começa a ficar mais palpável para a população.
Se tudo correr bem, os contratos serão assinados entre o final deste ano e o começo de 2026, e as obras podem surgir durante 2027. Serão vários anos para tirá-la do papel, a despeito do trabalho simultâneo de três tatuzões. Mas o importante é que o projeto deixará de ser apenas uma promessa.
Resumo executivo da primeira fase da Linha 16-Violeta (GESP)
Azarona passa à frente
Pois em seguida deveríamos ver a Linha 20-Rosa virar realidade, porém, a construtora Acciona mudou esse cenário em agosto do ano passado, quando demonstoru interesse em construir e operar a Linha 16-Violeta.
Sim, um projeto conceitual do Metrô que estava no fim da fila, de repente, ganhou vulto e agora é favorito para ser o próximo a ser leiloado pela gestão estadual.
Se tudo correr bem, após as audiências públicas em outubro, a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) deve publicar o edital no primeiro trimestre de 2026, realizar o leilão no segundo e assinar contrato no terceiro. Como este site revelou, a Linha 16 deverá ficar pronta entre 2034 e 2035.
E a Linha 20? Tão comentado, o imenso ramal que vai ligar a região da Lapa, na Zona Oeste da capital, com o ABC Paulista, acabou atropelado pela mudança de prioridade de Tarcísio.
Projeção de carregamento de passageiros no cenário de 2040 (CMSP)
O governador contrariou estudos técnicos que apontavam o trecho prioritário entre Santa Marina e Abraão de Morais para bancar o início da obra por Santo André e São Bernardo do Campo.
A ideia é uma espécie de compensação pelo fim abrupto da Linha 18-Bronze pelas mãos do ex-governador João Doria para agradar a Metra (atual Next Mobilidade), empresa de ônibus deveria perder demanda no Corredor ABC com o monotrilho.
Mas para inverter a lógica e começar pela ponta de menor demanda e conexões, o governo está correndo para encontrar um espaço para viabilizar o pátio de manutenção, ponto indispensável para qualquer nova linha metroviária.
O terreno que pertenceu à Ford em Taboão (SBC) é o favorito, mas tratativas precisam ser realizadas para se chegar a um acordo com o grupo que assumiu o local.
O terreno da antiga fábrica da Ford fica próximo à Linha 20-Rosa
Com isso, o outrora trecho prioritário, com nada menos que sete conexões com outras linhas metroferroviárias e terrenos em processo de desapropriação, tem de ficar em compasso de espera até a solução do antigo trecho secundário.
Em recente declaração, Tarcísio prometeu a conclusão do projeto básico da Linha 20-Rosa em 2026, base para que um edital de concessão seja lançado. Ou seja, o ramal deve ser leiloado pelo futuro ocupante do Palácio dos Bandeirantes, que pode ser o próprio Republicano caso ele tente a reeleição e saia vencedor.
Até lá, as linhas 19 e 16 já devem ter canteiros de obras espalhados pela região metropolitana.
