A cerimônia de retomada das obras da Linha 6-Laranja, que ocorreu nesta terça-feira, 06, foi mais um ato simbólico do que prático, como se viu durante o evento com o governador João Doria (PSDB), uma reedição de um ato político feito pelo seu antecessor, Geraldo Alckmin, há quase sete anos, na ocasião da assinatura do primeiro contrato. Mas algumas informações importantes foram reveladas, mesmo que indiretamente. A primeira delas é que a Linha Universidade S.A, nova concessionária responsável pelo ramal, deverá usar a marca “LinhaUni” quando a operação for iniciada em 2025 – ou antes disso, caso um trecho inicial fique pronto em 2024.

De propriedade do grupo espanhol Acciona, que comprou a parte privada da PPP da concessionária Move São Paulo, a Linha Universidade já disponibilizou na internet um site (www.linhauniversidade.com.br), com informações ainda incompletas, e reservou outro domínio, o www.linhauni.com.br, que ainda estava fora do ar até esta quarta-feira. Na página, apenas alguns dados semelhantes ao que mostrava o site da MoveSP como extensão da linha, tempo estimado de viagem (23 minutos nos 15 km) e pontos de integração, além do logo da nova empresa, que une uma linha e o número 6 estilizado como uma estação.

A concessionária também fez um breve resumo da localização das 15 estações, o método de construção, profundidade e pontos de interesse próximos. Além disso, o evento e o site confirmam que o contrato de concessão tem um prazo de 24 anos de duração, dos quais cinco envolvem sua construção e 19 anos para a operação, praticamente o mesmo formato do acordo inicial.

Outra informação bastante relevante diz respeito à construção em si. Havia dúvidas se o consórcio Metropolitano Linha 6, uma empresa criada pelos próprios sócios da MoveSP, seria afastado do projeto já que ele possuía um contrato para implantar o ramal. Mas o fato de a Acciona aparecer como construtora da linha faz crer que ela assumiu todo o projeto, o que foi uma decisão mais sensata do governo.

Expansão significativa a partir de 2025

Durante a cerimônia, o secretário dos Transportes Metropolitanos afirmou que o processo de venda da concessão foi o melhor caminho para retomar a obra, parada desde setembro de 2016. Qualquer outra alternativa, como relançar a licitação ou seguir com um lítigio significaria um atraso de três anos, ou seja, a Linha 6 só poderia ser concluída em 2028.

A nova data de previsão de inauguração, de 2025, se for confirmada, significará que nesse ano o Metrô terá um bom salto em sua extensão. Isso porque, além dos 15,3 km da Linha 6 estão previstos cerca de 4 km da primeira fase da expansão da Linha 2-Verde. Ou seja, serão quase 20 km a mais e que ganharão outros 4 km no ano seguinte se, claro, não houver atrasos.

O prazo de cinco anos para ambos os empreendimentos não querem dizer que o estágio das obras seja parecido. A Linha 6 tem algumas vantagens, como vários canteiros limpos ou já parcialmente escavados, assim como já ter o poço de início das escavações pronto e os respectivos shields. A outra vantagem é justamente escavar simultaneamente nas duas direções, sul e norte, mas o ramal é um projeto mais complexo, que precisa ainda de um pátio e implantar sistemas e trens novos.

A Linha 2, por sua vez, ainda dá os primeiros passos, depende de financiamentos que não saíram ainda e é uma obra convencional, dividida por lotes e tocada pelo próprio Metrô. Como se viu em outras linhas, a companhia tem tido seguidos problemas em gerenciar suas obras.

Por fim, o governo informou valores conflitantes sobre o custo da obra. No comunicado de imprensa, a Linha 6 terá investimento total de R$ 15 bilhões, mas as placas de informação no canteiro do VSE Tietê mostram outra cifra, R$ 13.457.345.058,73, ou R$ 1,54 bilhão a menos.

Parede de onde partirá o tatuzão sentido norte, até a região da Brasilândia (SP Sobre Trilhos}

Com a colaboração de Jean Carlos, do SP Sobre Trilhos

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