Metrô e ViaMobilidade agem para evitar novos acidentes com portas de plataforma
Companhia do estado afirmou ter instalado anteparos para impedir que pessoas fiquem no vão entre a fachada e o trem. Concessionária terá sensores nas portas até fevereiro
Os dois acidentes envolvendo passageiros presos entre as portas de plataforma e os trens motivaram as operadoras a rever a operação das fachadas de segurança.
O caso mais grave ocorreu nesta terça-feira, 6, quando um passageiro da Linha 5-Lilás morreu após ser atingido pela composição na estação Campo Limpo.
A vítima foi identificada como Lourivaldo Nepomuceno, de 35 anos, que embarcava no trem por volta das 8 horas da manhã. Imagens de uma câmera de segurança mostram a plataforma movimentada e uma luz vermelha acesa no painel da fachada.
Minutos depois o trem inicia o movimento e os passageiros se dispersam. É possível notar uma pessoa com colete amarelo próxima às portas.
Mudanças na operação
O episódio de terça se soma a outro acidente ocorrido em março com uma passageira da Linha 2-Verde na estação Vila Prudente.
A usuária ficou presa entre as portas de plataforma e o trem, mas foi retirada por funcionários do Metrô sem sofrer ferimentos.
A possibilidade de uma pessoa conseguir permanecer no vão entre as fachadas e o trem causou surpresa já que as portas automáticas foram instaladas justamente para evitar acidentes.
Os sistemas em geral possuem sensores para o caso em que as portas não fechem completamente, impedindo a partida do trem, no entanto, uma pessoa consegue ficar no espaço sem interromper o funcionamento, como revelam ambos os casos.
O site questionou o Metrô e a Motiva Mobilidade (antiga CCR) sobre o assunto. A companhia do estado explicou que as portas de plataformas em suas quatro linhas possuem sensores para detectar a presença de pessoas ou objetos no vão. Ainda assim, o Metrô afirmou ter instalado anteparos nesses equipamentos para evitar essa situação.
Já o presidente da ViaMobilidade, Francisco Pierrini, revelou ao programa Brasil Urgente que a empresa irá antecipar a instalação de sensores de presença no vão das portas da Linha 5-Lilás até fevereiro de 2026.
“Existe um conjunto de ações que nós já estamos implementando para que casos como esse não voltem a repetir”, disse Pierrini.
Enquanto os sensores não são instalados, a concessionária disse que colocará “hastes de metal” na parte interna das portas que tem a função de impedir que alguém possa permanecer no espaço sem que o sistema perceba. Além disso, aumentará o sinal sonoro de portas fechando, além de mais adesivos para conscientizar os passageiros.
Veja a nota do Metrô na íntegra:
“Todas as portas de plataforma instaladas pela companhia contam com sensores para evitar o fechamento da porta quando há pessoas ou objetos entre as fachadas e o trem. Em relação ao caso ocorrido em março, na estação Vila Prudente, a passageira tentou embarcar no trem após o início do processo de fechamento das portas, ignorando todos os sinais de advertência. Como medida de segurança, o Metrô tem intensificado as orientações aos passageiros e instalou anteparos nesses equipamentos para evitar que o passageiro se coloque entre a porta de plataforma e a porta do trem. Em relação ao caso desta terça-feira (6), a companhia está à disposição das autoridades e da concessionária para discutir mais medidas de segurança.”
A Motiva Mobilidade (ex-CCR), que controla a ViaMobilidade, enviou nota a respeito das mudanças previstas na Linha 5-Lilás:
“Desde a adoção das portas de plataformas pelo sistema metroviário em SP, a concessionária sempre orientou seus clientes sobre o uso seguro desse equipamento por meio de placas, avisos sonoros, luminosos, monitores e campanhas de conscientização nas estações, nos trens em seus canais de comunicação. Além dos sensores de fechamento, que já existem e impedem que um trem parta se qualquer porta estiver aberta, a concessionária trabalha em um projeto para a implantação de sensores adicionais de presença.
Cabe destacar que esta tecnologia é muito recente e seu uso no mundo ainda é uma exceção, sendo a concessionária uma das pioneiras na adoção deste tipo de solução. Sua instalação envolve uma série de questões técnicas e testes, razão pela qual sua implantação não é imediata. Na linha 5-Lilás, o cronograma prevê concluí-la no primeiro trimestre de 2026, data que pode ser antecipada conforme os resultados dos testes.”
