“Milagre da mobilidade”, Bonde Urbano Digital estreia em testes no Paraná
Veículo sobre pneus utiliza sistema guiado por indução magnética para simular ‘trilhos’ mas falta de segregação e automação colocam modal em xeque
O Bonde Urbano Digital (BUD) começou a operar nesta terça-feira (9) entre os municípios de Piraquara e Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A viagem inaugural partiu às 9h do Terminal São Roque, em Piraquara, com destino ao Parque das Águas, em Pinhais.
A operação, no entanto, ainda ocorre em meio a testes, para checar o funcionamento do veículo, que é uma mistura de um Veículo Leve sobre Trilhos com um ônibus, já que usa pneus.
A grande novidade é que o sistema utiliza indução magnética para guiar os veículos sobre o asfalto, uma solução que tende a reduzir custos de implantação em relação a trilhos tradicionais. A operação está sob coordenação da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep).
Concebido pela chinesa CRRC, o BUD possui 30 metros de comprimento, capacidade para 280 passageiros, ar-condicionado e permite a operação bidirecional. A velocidade máxima chega a 70 km/h, superior aos 60 km/h praticados por ônibus convencionais, segundo o governo paranaense.
BUD percorrendo ruas de Piraquara. (Divulgação Governo do Paraná)
O valor da tarifa será de R$ 5,50, igual ao dos ônibus metropolitanos. Na primeira semana, o trajeto será limitado entre o Terminal São Roque e o Parque das Águas, com expansão planejada para o Terminal de Pinhais a partir da semana seguinte.
Segundo a Amep, o BUD representa uma alternativa de transporte mais rápida para os passageiros da região, sem necessidade de grandes intervenções viárias. O sistema é inédito na América Latina e estaria chamando a atenção de outras cidades.
A “economia” prometida, entretanto, lembra outro suposto substituto dos trens, o BRT, corredores de ônibus que surgiram curiosamente também em Curitiba.
Ao evitar investimento em vias segregadas, modais como BRT e o “BUD” fazem brilhar os olhos de políticos apressados em mostrar serviço antes de eleições. O problema é que a qualidade do transporte não depende apenas veículos vistosos e pontos de ônibus pomposos e sim de tecnologia que envolve automação e vias exclusivas.
Bonde Urbano Digital estreia em testes no Paraná (AEN)
Ao circular em vias abertas – ou mesmo corredores -, o bonde digital continua a sofrer com interferências da malha urbana e assim não pode cumprir viagens regulares e rápidas como um metrô, trem metropolitano ou monotrilho. Ou seja, é o famoso barato que sai caro.
Por outro lado, a CRRC afirma que sua tecnologia poderá permitir uma condução automatizada, outro gargalo tradicional de sistemas mais baratos. Ainda assim, será preciso uma grande rede de segurança para colocar um veículo de 30 metros de comprimento circulando em ruas sem um motorista.
