Prefeito de Goiânia diz que ônibus é mais rápido que metrô

Segundo o atual ocupante, ‘metronização’ de corredores de ônibus é superior a sistema sobre trilhos, mas sem apresentar qualquer estudo a respeito

Ônibus do corredor BRT Leste-Oeste de Goiânia
Ônibus do corredor BRT Leste-Oeste de Goiânia (Divulgação Prefeitura da cidade de Goiânia)

Em entrevista para o Jornal Bom Dia Goiás, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, afirmou que o município não precisa de transporte sobre trilhos de média e alta capacidade, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o Metrô.

A fala do líder do executivo ocorreu dias depois da entrega da chamada “metronização” do Corredor de ônibus BRT Leste-Oeste.

O sistema, executado com ônibus, teve seu trecho mais recente entregue com 5 quilômetros entre os terminais da Praça A e Padre Pelágio, elevando o total deste sistema para 18 quilômetros.

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Segundo a prefeitura, os custos de implantação são relativamente mais baixos e contrapartida ao seu ganho de eficiência, reduzindo entre 15 a 20 minutos o tempo de deslocamento. A projeção é chegar a 240 quilômetros de corredores BRT.

Na entrevista, ao ser questionado sobre sistemas de trilhos, Sandro disse que o ônibus anda na mesma velocidade que um metrô, podendo ser até superior, levando em conta o tempo que as pessoas precisam para acessar as plataformas no subsolo, descendo as escadarias e isto “atrasaria a viagem”.

“Esse ônibus anda na mesma velocidade que o metrô. Porque no metrô, você tem o tempo de descer as escadarias, pegar o metrô lá embaixo, parar, subir as escadarias, andar nos túneis embaixo. Então, nós já calculamos com esse ônibus hoje, ele anda em velocidade um pouquinho superior ao metrô. Colocar o metrô em Goiânia vai atrasar a viagem.”

Trem do Metrô Bahia (Divulgação Metrô Bahia)

 

Demonstrando completo desconhecimento técnico sobre mobilidade, o prefeito foi além, afirmando que é algo desnecessário, um sistema que pode transportar um número maior de pessoas em espaço menor de tempo, ao mencionar que comitiva europeia esteve na cidade para conhecer os corredores de Goiânia.

“VLT, metrô, essas coisas, é desnecessário para Goiânia. Hoje nós estamos recebendo uma comitiva da região metropolitana de Portugal. Por quê? Porque está vindo o mundo inteiro olhar esse sistema de metronização que nós inventamos aqui”, concluiu.

O conceito de ‘metronização’ do transporte público de Goiânia, compreende a criação e implantação de corredores de ônibus em sistema BRT, promovendo um deslocamento mais ágil em vias exclusivas, semaforização inteligente, representando um tempo de viagem menor dos passageiros.

Para os 240 quilômetros totais de metrô, os custos estimados seriam similares ao de um quilômetro de túneis metroviários, de acordo com a prefeitura.

Nota do editor

O prefeito de Goiânia voltou a usar um pretexto velho e falso sobre a comparação dos corredores de ônibus ‘BRT’ e sistemas sobre trilhos. É algo a se lamentar já que está mais do que provado que implantar esse tipo de transporte na superfície não resolve a mobilidade. Embora Goiânia possa dispensar um metrô hoje por questões econômicas, dizer que um ônibus é mais veloz que um metrô é uma piada de mau gosto.

Linhas metroferroviárias modernas têm virtudes que ônibus não podem alcançar como segregação completa, automação, segurança e redução de poluição. Para chegar a um resultado similar, um corredor poderia custar quase o mesmo que um sistema sobre trilhos, mas é justamente isso que atrai certos políticos: entrega rápida, barata e que serve de bandeira eleitoral. Mais tarde, os passageiros descobrirão que foram lesados, infelizmente.