Prefeitura aprova 2.114 apartamentos em terreno previsto para estação da Linha 22-Marrom
Empreendimento de 36 andares deve ocupar área escolhida pelo Metrô para a Hebraica-Rebouças, que fará integração com a Linha 9-Esmeralda
A Prefeitura de São Paulo aprovou a construção de um empreendimento com 2.114 apartamentos no terreno onde o Metrô prevê implantar a estação Hebraica-Rebouças da futura Linha 22-Marrom.
O alvará de execução de edificação nova foi deferido pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) na quarta-feira (4) e corresponde ao imóvel localizado na Rua São Columbano, 22, em Pinheiros.
O terreno, identificado pelo SQL 083.105.0218-4, possui 5.446,90 m². O projeto aprovado prevê 56.565,81 m² de área construída, dois edifícios, 36 pavimentos e 118 vagas para veículos, além das 2.114 unidades residenciais.
Trata-se da mesma área escolhida pelo Metrô para receber a estação, que terá uma das principais integrações previstas para a Linha 22-Marrom.
Terreno considerado estratégico pelo Metrô
Atualmente usado como estacionamento, o terreno fica em frente ao complexo do Shopping Eldorado, ao lado do acesso da estação Hebraica-Rebouças da Linha 9-Esmeralda.
A localização ajuda a explicar a escolha do Metrô. Em uma região densamente ocupada por edifícios, o terreno é apontado no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Linha 22 como o único grande espaço disponível nas imediações para acomodar a nova estação.
O documento aponta uma área de 5.069 m², delimitada pelas ruas Ofélia e São Columbano, Avenida Eusébio Matoso e pelos edifícios do Itaú e do Condomínio Nações Unidas.
Trajeto subterrâneo da Linha 22-Marrom prevê estação ao lado do Shopping Eldorado (CMSP)
É nesse terreno que está prevista a escavação do corpo principal da estação. O projeto considera inclusive a desafetação da Rua Raimundo Gomes Carneiro, uma pequena via sem saída existente dentro da área.
A proximidade com a estação da Linha 9 também é fundamental. A Hebraica-Rebouças da Linha 22 será construída justamente para permitir a transferência entre os dois ramais, além de atender o corredor de ônibus da Avenida Eusébio Matoso.
O alvará concedido pela Prefeitura é destinado a um empreendimento enquadrado como Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP).
Não está claro, neste momento, como a aprovação do empreendimento imobiliário será conciliada com o projeto metroviário, caso a construção avance.
Desapropriações começaram em outubro
O Metrô já vinha preparando a aquisição de áreas necessárias à Linha 22. Em janeiro, a companhia contratou estudos para avaliar terrenos considerados prioritários para futuras desapropriações, incluindo expressamente a região da estação Hebraica-Rebouças.
Mais recentemente, em 26 de outubro, o governo estadual deu início a uma nova etapa ao publicar uma resolução delimitando nove plantas de áreas na cidade de São Paulo destinadas à implantação da linha.
Mapa preliminar da Linha 22-Marrom (CMSP)
Os terrenos ficam em seis bairros da capital e serão utilizados para estações e estruturas operacionais, como poços de ventilação e saídas de emergência. A medida autoriza o Metrô a promover as desapropriações e, quando necessário, alegar urgência em processos judiciais.
A resolução publicada até agora abrange apenas áreas da capital. Outros terrenos ainda serão necessários em Osasco e Cotia.
Não foi possível confirmar se o imóvel da Rua São Columbano, 22, está incluído especificamente entre as áreas abrangidas por essa primeira resolução.
Linha 22 ainda não tem prazo para obras
A possível sobreposição entre os dois projetos ocorre enquanto o Metrô acelera diferentes estudos da Linha 22-Marrom, mas ainda sem horizonte definido para o início das obras.
O anteprojeto de engenharia já foi concluído e definiu o traçado, a localização preliminar das 19 estações, pátio, estruturas operacionais e soluções construtivas.
Neste ano, a companhia também iniciou sondagens de solo e licitou levantamentos topográficos e o mapeamento de redes de serviços públicos ao longo do futuro traçado.
Imagem de como será a estrutura e passarela da futura estação Reserva Raposo, na Linha 22-Marrom do Metrô (Divulgação Metrô de São Paulo)
A principal contratação em andamento é a elaboração do projeto básico. O trabalho foi dividido em dois grandes lotes, entre Cotia e Reserva Raposo e entre Reserva Raposo e Sumaré. Os dois já tiveram propostas selecionadas pelo Metrô e avançaram para as etapas finais das respectivas licitações.
O projeto básico será responsável por aprofundar as soluções apresentadas no anteprojeto e detalhar questões como obras civis, sistemas, interferências urbanas, custos e as próprias desapropriações.
Apesar dessas frentes, ainda não há contrato para execução das obras nem uma data oficial para o início da construção da Linha 22.
Audiências públicas serão em dezembro
Paralelamente aos projetos de engenharia, a Linha 22 passa pelo processo de licenciamento ambiental.
O Consema realizará três audiências públicas sobre o EIA/RIMA do empreendimento em dezembro. A primeira será no dia 1º, em Osasco, seguida por Cotia, no dia 2, e São Paulo, no dia 3.
Os encontros permitirão discutir os impactos e as medidas previstas para a implantação do ramal antes do avanço do processo de licenciamento ambiental.
O projeto atual da Linha 22-Marrom prevê cerca de 29 km e 19 estações entre Cotia e Sumaré, passando por Osasco, região da Rodovia Raposo Tavares, Cidade Universitária, Pinheiros e Perdizes.
Além da Linha 9-Esmeralda na Hebraica-Rebouças, estão previstas integrações com a Linha 4-Amarela, em Faria Lima, e a Linha 2-Verde, em Sumaré.
O Metrô estima que a Linha 22 possa transportar cerca de 650 mil passageiros por dia quando implantada.
