Prefeitura prevê liberar até 2028 área onde ficará extensão da Linha 17-Ouro

Obra do parque linear e prolongamento da Roberto Marinho permitirá ao Metrô avançar com monotrilho de Vila Paulista em direção ao Jabaquara

Monotrilho da Linha 17
Monotrilho da Linha 17 (iTechdrones)

A Prefeitura de São Paulo prevê liberar até o início de 2028 a área por onde deverá passar parte da futura extensão da Linha 17-Ouro entre Vila Paulista e Jabaquara, na Zona Sul. O prazo consta do planejamento das obras do parque linear e do prolongamento da Avenida Jornalista Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes.

O cronograma oferece uma referência até então inexistente para uma das etapas necessárias à expansão do monotrilho. Embora a Prefeitura não vá construir estruturas da Linha 17, a intervenção permitirá desocupar e reorganizar parte do fundo de vale pelo qual o Metrô pretende levar a via elevada em direção ao Jabaquara.

O empreendimento municipal inclui a implantação do parque linear, obras de macro e microdrenagem e a ligação viária entre a Roberto Marinho e a Imigrantes. O contrato, no valor original de R$ 2,1 bilhões, teve ordem de serviço emitida em 24 de fevereiro deste ano e prazo de execução de 48 meses.

Mas a liberação das áreas necessárias ocorrerá antes da conclusão de todo o empreendimento. Em apresentação realizada semanas atrás, a SPObras dividiu a intervenção em sete etapas, seis delas acompanhando progressivamente o fundo de vale a partir da Avenida Roberto Marinho.

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Liberação de área do parque linear será gradual

A primeira, entre a Roberto Marinho e a Rua Alba, tem como referência junho de 2027. Depois aparecem os segmentos entre as ruas Alba e Atos Damasceno, previsto para agosto; Atos Damasceno e Jupatis, em outubro; Jupatis e Marapés, em novembro; Marapés e Francisco Solimena, em dezembro; e Francisco Solimena e Avenida Muzambinho, em janeiro de 2028.

Há ainda uma sétima etapa, entre a região dos emboques dos túneis e a Rodovia dos Imigrantes, com previsão para abril de 2028. Essa parte está mais diretamente associada à nova ligação viária.

Desapropriações e reassentamentos

Cumprir esse planejamento depende de uma questão mais complexa que a execução do parque propriamente dito. A Prefeitura precisa desapropriar imóveis e reassentar famílias que vivem em ocupações existentes no caminho das intervenções.

A abertura dessa faixa contínua é especialmente relevante para a Linha 17 porque o projeto do monotrilho atravessa o mesmo vale. Sem a liberação das áreas, o Metrô não teria como avançar com pilares e vigas-guia em parte do trajeto previsto até o Jabaquara.

Isso não significa, porém, que as obras da extensão do monotrilho começarão nesses locais assim que cada etapa municipal for concluída. Os dois empreendimentos têm contratos e cronogramas independentes.

Trecho da Linha 17 após o pátio (iTechdrones)

Hoje, a prioridade do Metrô no lado leste da Linha 17 é chegar apenas até Vila Paulista. A estação integra o próximo pacote de expansão, juntamente com Panamby, Paraisópolis e Américo Maurano, estas três no outro extremo da linha. O Metrô trabalha na revisão dos projetos e nas desapropriações necessárias para essa etapa, cuja conclusão é prevista para 2032.

Vila Paulista fica pouco depois do Pátio Água Espraiada e da Estação Washington Luís e não depende da abertura de todo o trecho do parque linear.

Caminho aberto para Jabaquara

É depois de Vila Paulista que os dois projetos passam a ter uma relação mais direta. O traçado da Linha 17 prevê outras quatro estações até o terminal da Linha 1-Azul: Vila Babilônia, Cidade Leonor, Hospital Sabóia e Jabaquara.

Essas quatro estações fazem parte de uma etapa posterior, com horizonte de conclusão em 2034. O Metrô prevê revisar os projetos desse trecho antes do início das obras, enquanto avança com a primeira etapa da expansão.

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É justamente nesse intervalo que o cronograma da Prefeitura pode se tornar decisivo. Se as intervenções municipais avançarem conforme o planejado, a área necessária para a passagem do monotrilho pelo fundo de vale poderá estar liberada entre 2027 e o início de 2028, vários anos antes da meta atualmente indicada para a chegada da Linha 17 ao Jabaquara.

Com isso, o avanço do Metrô além de Vila Paulista poderá ocorrer sem que seja necessário esperar a conclusão integral do prolongamento viário da Roberto Marinho, previsto contratualmente para durar quatro anos. A execução da Linha 17 continuará dependendo de seus próprios projetos, desapropriações, contratos e recursos, mas um dos principais obstáculos físicos para alcançar o Jabaquara poderá começar a desaparecer já nos próximos dois anos.