Primeiro traçado da Linha 3 do Metrô do Rio feito pela UFRJ tem 50 km de extensão
Ramal metroviário subterrâneo mostra característica pendular, com uso de trens de bitola larga, sinalização CBTC e alimentação por catenária
Se os estudos da COPPE/UFRJ se transformarem de fato em um ramal metroviário, a Linha 3 do Metrô do Rio será um colosso com 50 km de extensão, 29 estações subterrâneas e trens com intervalo de apenas 90 segundos. Essas são algumas informações preliminares da apresentação do projeto Prisma-RJ nesta segunda-feira, 1º de junho.
O site obteve uma cópia da apresentação do estudo, que revela uma mudança importante em relação a traçados anteriores, buscando atender um público maior, a despeito de não divulgar uma estimativa de demanda.
Outro aspecto revelado pela apresentação é a adoção de características típicas de sistemas metroviários pesados. A Linha 3 foi concebida com trens de bitola larga, alimentação elétrica por catenária e sistema de sinalização CBTC, tecnologia já utilizada em diversos metrôs ao redor do mundo para permitir intervalos reduzidos e maior capacidade de transporte.
Pelo traçado estudado, a linha partiria da estação Carioca, no Centro do Rio, seguindo para o Aeroporto Santos Dumont. A travessia da Baía de Guanabara levaria o metrô até Niterói, com estações na UFF, Praça do Rink, Icaraí, Santa Rosa, Noronha Torrezão e Alameda Boaventura.
Em seguida, o sistema avançaria por São Gonçalo, passando por Colégio Pedro II, Barreto, Neves, Village, Paraíso I, UERJ, Zé Garoto, Prefeitura de São Gonçalo, Antonina, Alcântara, Vila Três, HCCOR, Vista Alegre, Marambaia, Apolo e Manilha.
Traçado preliminar com 50 km de extensão (COPPE)
Já em Itaboraí, o traçado incluiria as estações Itaboraí Plaza, BR-101, Arena Rua 100, Centro de Itaboraí e Venda das Pedras.
A configuração proposta sugere uma linha de caráter pendular, voltada a captar passageiros do Leste Fluminense com destino ao Rio de Janeiro. Um dos exemplos apresentados pela equipe da COPPE indica que o tempo de deslocamento entre Icaraí e o Aeroporto Santos Dumont poderia cair de 75 minutos para apenas 11 minutos.
Segundo os pesquisadores, a Linha 3 atenderia uma área com cerca de 1,7 milhão de habitantes, atualmente dependente de ônibus, transporte rodoviário e da Ponte Rio-Niterói para acessar a capital fluminense.
O percurso será feito por túneis duplos escavados por tatuzões, possivelmente de grande diâmetro já será usada a bitola larga (1,6 m) e alimentação por catenária – as outras três linhas do metrô usam alimentação por terceiro trilho.
Trens terão bitola larga e catenária (COPPE)
A Linha 3 é cogitada há décadas como uma forma de aproximar as áreas urbanas de ambos os lados da Baía de Guanabara. No entanto, com os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, o projeto perdeu foco para que a Linha 4 fosse tirada do papel. O ramal é hoje praticamente uma extensão da Linha 1 até a região de Barra da Tijuca.
Segundo a COPPE, os próximos passos preveem o aprofundamento dos estudos, diagnóstico e projeções até a concepção da linha. Em seguida será divulgada a minuta do edital de licitação.
