Tatuzões da Linha 6 na obra da Linha 16? Pode não ser simples assim

Governador Tarcísio de Freitas afirmou em duas coletivas nesta semana que implantação do ramal Violeta de metrô pode usar as duas tuneladoras hoje na Linha 6-Laranja

Um dos tatuzões da Linha 6-Laranja ainda quando estava sendo concluído na China
Um dos tatuzões da Linha 6-Laranja ainda quando estava sendo concluído na China

O desejo já havia sido expressado anteriormente, mas o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltou a afirmar que os dois tatuzões que hoje estão construindo os túneis da Linha 6-Laranja poderão ser usados na Linha 16-Violeta.

Inicialmente, ele apenas citou que as duas tuneladoras estariam disponíveis após o fim das obras da Linha 6, sem explicar como se daria o repasse dos equipamentos ao consórcio que assumir a concessão do novo ramal de metrô.

Nesta terça-feira, 2, Tarcísio deu mais detalhes da ideia, afirmando que os tatuzões seriam entregues ao futuro parceiro privado que vencer a licitação.

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Governador Tarcísio em meio aos executivos da Acciona
Governador Tarcísio em meio aos executivos da Acciona

Parece uma proposta sensata visto que as máquinas já estão no país e as linhas 6 e 16 possuem caraterísticas semelhantes de projeto, mas fato é que os dois tatuzões pertencem à Acciona e não ao governo.

A construtora espanhola assumiu a PPP da Linha 6 das mãos do Consórcio MoveSP, formado pela Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, hoje renomeadas após a operação Lava Jato.

Os equipamentos foram adquiridos de uma empresa francesa que os fabricou na China, mas tempos depois encerrou a produção de tuneladoras.

No cenário desenhado pelo governador, as máquinas de escavação seriam entregues ao consórcio vencedor, mas para isso seria preciso algum tipo de negociação com a Acciona para sua aquisição caso não seja ela própria a vitoriosa.

Trajeto da Linha 16-Violeta proposto pela Acciona
Trajeto da Linha 16-Violeta proposto pela Acciona

Franca favorita?

Embora Tarcísio tenha dito que tatuzões são equipamentos caros e demorados para serem fabricados, na realidade o processo não é muito diferente de trens, sendo preciso até dois anos para a entrega.

Restaria saber se um eventual vencedor que não a Acciona teria de fato interesse em utilizar equipamentos já bastante desgastados e cuja empresa não mais atua na área.

Por outro lado, a solução proposta pelo governador funcionaria como uma luva se a construtora espanhola levasse a concessão da Linha 16-Violeta.

A empresa já recebeu autorização para aprofundar os estudos do ramal de 17 km e 16 estações e terá muitos dados detalhados do projeto, mesmo que passe a maior parte deles ao governo.

Com equipes mobilizadas, fábrica de aduelas e dois tatuzões já mais do experimentados, a Acciona surge como natural favorita na concessão. A não ser que apareça alguém mais disposto ainda pelo projeto.