Trens da CPTM emitem 96% menos poluentes que ônibus a diesel, diz estudo

Relatório detalha emissões de gases de efeito estufa e comprova que transporte ferroviário é infinitamente mais sustentável que modal rodoviário

Trem da CPTM na estação Luz
Trem da CPTM na estação Luz (CPTM)

A CPTM divulgou seu primeiro inventário completo de emissões e revelou o peso do transporte sobre trilhos na redução de gases de efeito estufa na Grande São Paulo. Em 2024, os trens da companhia transportaram 488,3 milhões de passageiros (quase o equivalente à metade da população brasileira), um total 11,33 bilhões de km, se contarmos o trecho percorrido por todos os usuários.

Pelos cálculos da empresa, fazer o mesmo trabalho com a frota de ônibus diesel da capital significaria lançar quase 1 milhão de toneladas adicionais de CO₂ na atmosfera.

A diferença aparece na comparação direta entre os modais. Os trens da CPTM emitiram 3,299 g de CO₂ equivalente por passageiro-quilômetro, contra 90,6 g dos ônibus gerenciados pela SPTrans. Isso representa 96,4% menos emissões — ou, na prática, 27 vezes menos poluição climática para transportar a mesma pessoa na mesma distância.

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Um exemplo ajuda a dimensionar o impacto: um trem lotado com cerca de 2.000 passageiros percorrendo a viagem média de 23 km emite 153 kg de CO₂e. Para transportar o mesmo volume de pessoas, seriam necessários 25 ônibus. Esses veículos, juntos, liberariam cerca de 4.196 kg de CO₂e. Ou seja, um único trem substitui 25 ônibus e reduz as emissões em mais de 96%.

O inventário também detalha outros indicadores. A emissão média por passageiro transportado nos trens foi de 76,4 g de CO₂ equivalente, valor inferior ao peso de uma moeda de R$ 1. No total, a operação da CPTM gerou 37.379 toneladas de CO₂e em 2024.

Para compensar esse montante, seriam necessárias aproximadamente 261 mil árvores plantadas e mantidas por duas décadas. Caso os mesmos 488 milhões de passageiros tivessem recorrido ao ônibus diesel, as emissões adicionais chegariam a quase 1 milhão de toneladas — volume comparável ao impacto anual de 200 mil carros de passeio.

Ônibus da SPTrans (Jean Carlos)

Dá para emitir menos, diz relatório

Mesmo com emissões muito abaixo do padrão do transporte rodoviário, o relatório aponta oportunidades internas de redução. Cerca de 20% das emissões da CPTM vêm de vazamentos de SF₆, gás utilizado em subestações elétricas e que tem potencial de aquecimento 23.500 vezes maior que o CO₂. A substituição desse composto por tecnologias mais modernas é listada como a próxima prioridade.

O documento de 36 páginas marca o primeiro inventário completo de emissões publicado por uma operadora de trens urbanos de superfície no Brasil. Até então, apenas sistemas metroviários haviam apresentado levantamentos semelhantes.

A CPTM afirma que a eletrificação associada à alta capacidade de transporte dos trens coloca o setor entre os modais com maior potencial de mitigação para grandes centros urbanos.