Viagem de 365 dias do tatuzão da Linha 2-Verde começará com operação cuidadosa

Tuneladora Cora Coralina está pronta para partir da Penha, mas Metrô e consórcio CML2 vão esperar festa de fim de ano para reiniciar escavação

Tatuzão está pronto para escavar mais túneis da Linha 2-Verde a partir de Penha
Tatuzão está pronto para escavar mais túneis da Linha 2-Verde a partir de Penha (w)

O recomeço das escavações da tuneladora Cora Coralina a partir da estação Penha da Linha 2-Verde será uma operação cuidadosa arquitetada pelo Metrô e o Consórcio CML2, que é responsável pelo equipamento.

O motivo é que o início do trajeto até o Complexo Rapadura encontra-se abaixo das vias das linhas 11-Coral da CPTM e 3-Vermelha do próprio Metrô. Ou seja, a movimentação do tatuzão terá de ser cuidadosa e monitorada para eventuais desnivalamentos na superfcíe.

Por isso haverá interdições e operações especiais durante a passagem, que ocorrer no meio das festas de fim de ano, justamente em virtude do baixo movimento. Assim o impacto será menor, a despeito de Cora Coralina está pronta para partir.

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Backup da tuneladora Cora Coralina (Willian Moreira)

Nesta terça-feira, 9, a reportagem do MetrôCPTM esteve no canteiro de obras para uma apresentação técnica das duas empresas que explicaram a estratégia planejada para o final de dezembro e começo de janeiro. Veja os principais pontos:

Tatuzão sem pressurização

A Linha 11-Coral é o primeiro desafio do tatuzão por encontrar-se a pouco metros do emboque do túnel. Como o subsolo na área é aeronoso e a distância é pequena, o TBM não estará totalmente pressurizado e com isso há maior risco de desnivelamento.

Cora Coralina é um tatuzão do tipo TBM EPB (Earth Balance Pressure, ou equilíbrio de pressão terrestre), que utiliza o solo escavado como meio de suporte. A cabeça de corte rotativa empurra para dentro da face do túnel o material escavado, que entra na câmara de escavação por meio de aberturas.

Linha 11-Coral terá operação especial durante a passagem do tatuzão (W)

Aqui, ele se mistura com um material especial já presente e então é comprimida até atingir a mesma pressão em volta, impedindo que ocorra a entrada de solo na máquina. Essas condições, no entanto, não existirão nos primeiros metros de escavação.

Linha 11 com duas etapas de interdição

O Metrô não revelou o dia exato em que o tatuzão partirá, mas a movimentação comecará na semana do Natal, quando o movimento na malha metroferroviária cairá. A partir do domingo, 21, e até o outro domingo, 28, a Linha 11-Coral circulará com velocidade reduzida na região da Penha.

Um sensor de movimento está instalado nos trilhos da Linha 11 para medir qualquer oscilação, portanto, não há riscos.

No detalhe, o sensor de movimento nos trilhos da Linha 11 (Willian Moreira)

Entre o dia 29 de dezembro e 07 de janeiro, a Linha 11 será dividida, com um trecho operando entre Estudantes e Itaquera e outro de Tatuapé até Barra Funda. Para seguir viagem, os passageiros terão como alternativa a Linha 3-Vermelha, que irá operar normalmente e terá a integração em Itaquera e Tatuapé aberta. Além disso, ônibus do PAESE estarão disponíveis como suporte.

Por que a Linha 3-Vermelha não é afetada?

A despeito de ser vizinha da faixa de domínio da Linha 11, a Linha 3 não será impactada pela passagem do tatuzão. O Metrô afirmou que um sensor também será colocado perto dos trilhos, mas a interdição não será necessária. Pelo contrário, o ramal servirá de principal alternativa para a linha da CPTM.

Aduelas de concreto que serão usadas nos túneis (Willian Moreira)

Cora Coralina preparada

Questionamos o Metrô e o consórcio a respeito das condições da tuneladora Cora Coralina, que foi desmontada em junho no VSE Falchi Gianini e remontada no fundo da vala de Penha. Segundo elas, o tatuzão não necessitou de nenhuma mudança ou manutenção mais pesasa e está pronto para partir para a segunda jornada.

A primeira parada dele será na estação Aricanduva, que já se encontra com lajes quase na superfície e também à esperada do equipamento.

Um ano de escavação

O Metrô também confirmou que a viagem de Cora levará cerca de um ano até o Complexo Rapadura, um tempo mais curto já que o percurso é menor, com 3 km e três estações.