Alvos da Lava Jato, Odebrecht e Andrade Gutierrez voltam a disputar obras do Metrô em São Paulo
Primeiro pregão eletrônico da Linha 19-Celeste viu os dois grupos comparecerem ao leilão e disputarem o projeto com chineses e espanhois
O primeiro pregão eletrônico para escolher a construtora que fará cinco estações da Linha 19-Celeste do Metrô em São Paulo viu reaparecerem dois nomes conhecidos da construção civil no Brasil, a Andrade Gutierrez e a Odebrecht (aqui renomeada como OECI).
Os dois grupos estão entre os cinco que apresentaram propostas válidas para o Lote 01, que contempla o trecho entre Bosque Maia e Itapegica, em Guarulhos.
Gigantes do passado, essas empresas eram presença constante nas obras do Metrô, seja em consórcios ou bancando sozinha alguns lotes.
A Operação Lava Jato, no entanto, abalou os grupos que já eram alvos de suspeitas de conluio como no caso das obras da Linha 5-Lilás.
Pilares incompletos sentido o bairro do Morumbi: Andrade Gutierrez e CR Almeida foram afastadas das obras da Linha 17 (GESP)
Após passarem anos longe de grandes licitações, enquanto tentavam reorganizar suas estruturas, as duas empresas agora ensaiam um retorno às obras metroviárias.
No leilão desta segunda-feira, elas se apresentaram sozinhas, a Andrade mantendo seu nome histórico e a Odebrecht com sua nova denominação, OECI.
As duas apresentaram propostas similares, com a primeira pedindo R$ 5,27 bilhões e a segunda, R$ 5,24 – o Consórcio liderado pela Power China ofereceu menos e R$ 5 bilhões e teve a proposta selecionada.
Recomeço
Apesar do resultado frustrar, a chance dos dois grupos comparecerem aos dois outros leilões dos lotes 02 e 03 é grande. Resta saber se haverá apetite suficiente para os chineses continuarem na disputa.
Se vencerem algum deles, restará saber se terão uma nova postura, mais transparente e focada em entregar o prometido no contrato.
Isso porque o passado delas causa preocupação. Foram épocas em que aditivos contratuais eram praxe e atrasos, uma regra. A Andrade Gutierrez, por exemplo, estava à frente do Consórcio Monotrilho Integração, que iniciou as obras da Linha 17-Ouro.
Túneis da Linha 5 escavados pela Odebrecht
A empresa e suas sócias, a CR Almeida (atual CRASA), Scomi (falida) e MPE, tiveram uma relação complicada com o Metrô e acabaram afastadas após enormes atrasos.
Vale lembrar que outras empresas desse passado preocupante hoje mostram uma postura mais adequada, como a própria CRASA, que participa, por exemplo, do consórcio que fará a estação Ponte Grande, da Linha 2-Verde.
A própria Mendes Junior, outro titã da construção, só deu conta de assumir obras da Linha 2 com a sociedade com a Power China. Espera-se que esse recomeço seja positivo e que os tempos de ações suspeitas tenham ficado no passado.
