Associações de moradores contestam traçado da Linha 20-Rosa que passa no meio de bairros

Grupo pressiona por retomada de estações na Faria Lima e até apresentou estudo técnico ao Metrô

Linha 20-Rosa
Linha 20-Rosa (Montagem sobre foto do Metrô)

Um grupo formado por 17 associações de moradores da zona oeste de São Paulo tem pressionado o Metrô para que o projeto da Linha 20-Rosa retome o traçado original, que previa cinco estações ao longo da avenida Faria Lima, segundo reportagem da Folha de São Paulo.

O plano atual reduziu esse número para duas estações, Tabapuã e Jesuíno Cardoso, que ficam afastadas do trecho mais antigo da Faria Lima, incluindo a região de Pinheiros.

Entre as principais reivindicações estão a reinclusão de estações ao longo da avenida, como Pedroso de Morais, Rebouças e Jardim Europa, pontos originalmente contemplados no estudo inicial da linha. Para embasar a demanda, o grupo encomendou um estudo de viabilidade técnica, que destaca a concentração de empregos e atividades comerciais nas áreas próximas às estações propostas.

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O Metrô alega que a integração da Linha 20-Rosa com a estação Faria Lima da Linha 4-Amarela é inviável devido a restrições geológicas. Como alternativa, o projeto mais recente da companhia realocou o trajeto, o que levou o ramal a cruzar os Jardins (sem qualquer estação) e se conectar à Linha 4 em Fradique Coutinho. Dali a linha cruza Pinheiros, parando em Teodoro Sampaio, que ficará entre as ruas Dr. Virgilio de Carvalho Pinto e Cardeal Arcoverde.

Traçado final da Linha 20-Rosa (CMSP)

A Linha 20-Rosa está prevista para ter 33 quilômetros de extensão, ligando os municípios de Santo André e São Bernardo do Campo à zona oeste da capital paulista. Segundo o projeto, a demanda estimada é de mais de 1,3 milhão de passageiros por dia. O governo prepara um edital de concessão para os próximos anos, com expectativa de tirá-lo do papel no começo da próxima década – inicialmente operando na região do ABC Paulista.

Gente diferenciada

A mobilização de entidades contra a implantação de estações de Metrô em meio à regiões residenciais de classe média-alta não é nova. A situação mais clássica envolveu uma estação da Linha 6-Laranja próxima à Avenida Angélica. Na ocasião, a declaração de uma moradora tornou-se clássica ao reclamar que a estação traria “gente diferenciada” ao bairro – o Metrô acabou alterando a localização, mais próxima da FAAP.

Antes disso, a futura estação Três Poderes, próxima ao Butantã, foi riscada do projeto após queixas sobre um terminal de ônibus que seria construído ao seu lado.

Canteiro de obras da estação 14 Bis (Linha Uni)

A Linha 17-Ouro é outro exemplo bastante conhecido e, neste caso, mais amplo de reação à chegada de um meio de transporte mais eficiente em regiões de mobilidade ruim. Houve mobilização de moradores de várias áreas e até discussões com um cemitério sobre a passagem do monotrilho – até hoje o bairro do Morumbi sofre com trânsito.

A Linha 20-Rosa também provocou indignação em moradores da Vila Madalena que também se manifestaram contra a implantação da estação Girassol, alegando preocupações com a possibilidade de especulação imobiliária na região. É um dos argumentos usados em relação à estação 14 Bis-Saracura, a mais atrasada da Linha 6.

O Metrô afirmou, em nota à Folha, que ajustes no anteprojeto estão sendo avaliados com base em critérios técnicos de engenharia.

Mapa original de estações da Linha 20-Rosa trazia várias delas no eixo da Faria Lima