Ata da CPTM sobre aumento de capital é publicada três meses após assembleia

Documento oficial detalha incorporação de R$ 2,19 bilhões em ativos à companhia estadual

Trem da CPTM na estação Luz
Trem da CPTM na estação Luz (CPTM)

A CPTM publicou apenas nesta sexta-feira, 20 de março, a ata da assembleia geral extraordinária realizada em 15 de dezembro de 2025, na qual foram aprovadas mudanças relevantes na estrutura financeira da empresa. O intervalo de cerca de três meses entre a reunião e a divulgação do documento chama atenção por se tratar de decisões já conhecidas parcialmente desde o início do ano.

O principal ponto aprovado foi a incorporação de R$ 2,19 bilhões em ativos ao patrimônio da companhia, por meio de aumento de capital com aporte em bens. Os valores foram definidos a partir de laudos da FIPECAFI, que avaliaram material rodante e equipamentos adquiridos pelo governo estadual e utilizados pela CPTM.

Entre os ativos incorporados estão 73 trens, dois simuladores e peças sobressalentes, avaliados em cerca de R$ 1,97 bilhão. Também foram incluídos R$ 217,8 milhões referentes a saldos remanescentes de contratos de aquisição de 57 trens das séries 7000, 7500 e 9000.

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Com a operação, o capital social da CPTM foi elevado de R$ 20,87 bilhões para R$ 23,06 bilhões, com a emissão de novas ações ordinárias. A assembleia também aprovou a atualização do estatuto social para refletir os novos valores e a consolidação do documento.

Outro ponto deliberado foi a definição do prazo mínimo de 30 dias para que acionistas minoritários exerçam o direito de preferência na subscrição das novas ações, conforme previsto na legislação. Não houve discussão de outros temas na reunião.

As decisões foram aprovadas com voto favorável do governo do estado, acionista majoritário, seguindo orientação do Conselho de Defesa dos Capitais do Estado (Codec). A SPTrans, acionista minoritária presente, também votou a favor. A União não participou da assembleia.

A incorporação dos ativos já havia sido sinalizada publicamente em janeiro, mas a ata detalha formalmente os valores, a origem dos bens e os procedimentos adotados.

A divulgação tardia ocorre em meio à reestruturação do sistema ferroviário paulista. A CPTM está em processo de deixar de atuar como operadora direta de trens metropolitanos. Três de suas quatro linhas — 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade — devem ser transferidas ainda em 2026 para a concessionária Trivia Trens.

A Linha 10-Turquesa, último ramal sob gestão direta da empresa, também está prevista para concessão, em leilão que deve incluir ainda a futura Linha 14-Ônix.