BNDES vê potencial de R$ 389 bilhões em projetos sobre trilhos no país

Levantamento reúne 87 propostas de metrô, trem, VLT e monotrilho em nove regiões metropolitanas, mas inclui projetos em diferentes níveis de maturidade

Novos trens do Metrô serão fabricados pela CRRC
Novos trens do Metrô serão fabricados pela CRRC (GESP)

O estudo nacional de mobilidade urbana divulgado pelo BNDES mostra que o Brasil tem uma carteira potencial de R$ 389,3 bilhões em projetos de transporte sobre trilhos nas principais regiões metropolitanas do país.

O valor considera apenas propostas de metrô, trem urbano, monotrilho e VLT incluídas na base analisada pelo banco. Ao todo, são 87 projetos, com 1.440 km de extensão e demanda estimada em 16,5 milhões de embarques diários.

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A maior parte dos investimentos está concentrada em sistemas de metrô. O modal reúne R$ 332,2 bilhões em projetos, com 1.123,9 km de extensão e demanda projetada de 12,3 milhões de embarques por dia.

Os projetos de trens urbanos somam R$ 42,3 bilhões, com 272,7 km e 3,3 milhões de embarques diários. Já os monotrilhos aparecem com R$ 12 bilhões, 24,7 km e 582 mil embarques por dia. Há ainda projetos classificados como metrô/trem urbano, com R$ 2,6 bilhões, 19 km e 257 mil embarques diários.

A Região Metropolitana de São Paulo concentra, de longe, o maior volume de investimentos sobre trilhos. A carteira soma R$ 221,4 bilhões, com 724,3 km de extensão e demanda estimada em 9,3 milhões de embarques diários.

Em seguida aparecem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com R$ 73,9 bilhões, Belo Horizonte, com R$ 39,3 bilhões, Curitiba, com R$ 24,1 bilhões, e Fortaleza, com R$ 21,4 bilhões.

O levantamento também inclui projetos em Salvador, Recife, Distrito Federal e Teresina, mas com valores bem menores. Em vários casos, os dados refletem estudos preliminares ou propostas ainda sem garantia de execução.

Estação Nova Suíça e o novo trem chinês (Viva City)

Esse é um ponto importante do estudo. A base do BNDES mistura projetos em diferentes fases de maturidade. Dos 87 projetos sobre trilhos, 32 estão classificados como estudo de demanda, 29 como detalhe de concessão, 18 como estudo simplificado, quatro como estudo ENMU e quatro como detalhe de obra pública.

Na prática, isso significa que a carteira não deve ser lida como uma lista de obras prontas para começar. Parte dos projetos ainda está em fase inicial, enquanto outros já têm estudos mais desenvolvidos ou fazem parte de estruturações para concessão.

Mesmo assim, o levantamento ajuda a dimensionar o déficit brasileiro em transporte de massa. Embora ônibus e BRTs tenham custo menor de implantação, sistemas sobre trilhos continuam sendo a solução de maior capacidade para corredores metropolitanos densos, especialmente em regiões onde a demanda supera o limite operacional do transporte rodoviário.

O BNDES estima que a carteira completa de mobilidade urbana, incluindo ônibus, BRTs, corredores e trilhos, exigiria entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões em investimentos. No recorte metroferroviário, os projetos sobre trilhos representam a maior parte do volume financeiro mapeado pelo banco.