BYD apresenta projeto de People Mover entre o Aeroporto de Viracopos e Campinas

Fabricante chinesa entregou ao município um Procedimento de Manifestação de Interesse para implantar o sistema SkyShuttle. Prefeitura publicou chamamento público nesta quinta-feira para buscar outros interessados
O SkyShuttle da BYD: ligação de 18 km com Aeroporto de Viracopos (BYD)

A fabricante chinesa BYD entregou à prefeitura de Campinas uma proposta para implantar um sistema de transporte automatizado batizado de SkyShuttle que pode ligar a antiga estação ferroviária da cidade ao Aeroporto de Viracopos, num percurso de cerca de 18 km.

Chamada oficialmente de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), a proposta motivou a prefeitura da cidade a lançar um chamamento público nesta quinta-feira (1) para que outras empresas tomem conhecimento do projeto e eventualmente se interesse em participar de uma concorrência.

Trata-se de um recurso previsto em lei e que deu origem, por exemplo, aos estudos iniciais do Trem Intercidades. Com isso será possível comparar possíveis sistemas para o projeto e assim realizar a modelagem da ligação entre o aeroporto e o centro de Campinas.

No entanto, a proposta da BYD, que não por acaso está sediada no município, é bastante original. O SkyShuttle é uma espécie de ‘People Mover’, sistema de transporte automatizado com capacidade menor que o SkyRail, o monotrilho da empresa. Ele pode transportar 12.000 passageiros por sentido/hora, mas apresenta vantagens por ter uma implantação mais rápída e versátil.

Segundo a BYD, o SkyShuttle pode vencer inclinações de até 12% contra 4% de um trem de metrô. Também possui um raio mínimo de curva de apenas 15 metros, comparado aos 300 metros de uma via metroviária tradicional. Isso significa na prática que o sistema pode utilizar áreas íngremes e sinuosas, evitando desapropriações e adaptações.

A fabricante chinesa exalta sua construção simplificada e ágil. Com estrutura pré-fabricadas, o SkyShuttle pode ficar pronto em um ou dois anos, dependendo da extensão. O avanço de construção é calculado em 1 km por mês, segundo a empresa.

Um diferencial do sistema é o uso de baterias recarregáveis em vez de exigir um sistema de alimentação pleno. O SkyShuttle é recarregado durante as paradas nas estações por um sistema retrátil no teto de seus vagões. Com isso, reduz-se a infraestrutura e os custos do projeto, além de permitir que os passageiros possam andar pela via em caso de pane.

O SkyShuttle utiliza pneus para circular além de uma estrutura guia vertical de apoio. É como se fosse um “duotrilho” que se apoia em vigas em formato de “U”. A estrutura das composições utiliza alumínio e materiais compostos para reduzir seu peso.

A operação é totalmente automatizada, com velocidade máxima de 80 km/h e média entre 30 e 40 km/h. A BYD diz que o serviço pode ter alta frequência, mas não revela qual é o headway do projeto. Para chegar à capacidade de 12.000 passageiros hora/sentido, o SkyShuttle utiliza seis vagões, mas pode ser usado com apenas dois carros e capacidade de 4.000 passageiros.

Sistema sobre trilhos

Aeroporto de Viracopos (ABV)

“É o primeiro passo de um importante projeto para a Região Metropolitana de Campinas, que fará a ligação, por meio de modal ferroviário, do Centro da cidade à região do Campo Belo e ao Aeroporto Internacional de Viracopos”, disse o prefeito Dário Saadi.

Interessante notar que se conseguir implantar o sistema, a prefeitura da cidade talvez torne pouco vantajoso levar o Trem Intercidades ao aeroporto de Viracopos. Embora nesse caso o trem regional viesse a atender passageiros da capital com destino ao terminal aeroportuário, a existência de um transporte sobre trilhos a partir da estação onde provavelmente o TIC atenderá pode resolver essa necessidade.

Vale observar que a prefeitura de Campinas descartou projetos de corredores de ônibus ‘BRT’ em favor de “tecnologia de baixa emissão de carbono, mais sustentável e eficiente, com material rodante que opere sobre trilhos”.

O prazo para envio de estudos termina no final de abril. As propostas selecionadas terão 90 dias para serem detalhadas, quando então serão avaliadas para compor o futuro edital do projeto.

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  1. Uma proposta muito boa, porém seria mais interessante usar veículos com tecnologia nacional como o aeromóvel ou maglev cobra.

  2. Vale observar que a prefeitura de Campinas descartou projetos de corredores de ônibus ‘BRT’ em favor de “tecnologia de baixa emissão de carbono, mais sustentável e eficiente, com material rodante que opere sobre trilhos”.

    Finalmente um pouco de sensatez nesse nosso brasilsão

  3. Essa semana apresentei para o meu grupo do LinkedIn o tema do desenvolvimento dos aeroportos de São Paulo e a necessidade da construção de um anel ferroviário via TAV, Trem de Alta Velocidade, ligando as cidades e aeroportos de Campinas – São Paulo GRU – São José dos Campos – Campinas e talvez a necessidade de também construir o aeroporto em São Bernardo do Campo. Enfim, tanto o modal aéreo e o metroferroviário para a Grande São Paulo e Campinas estão literalmente juntos e interdependentes. O trem Intercidades, de baixa velocidade, não é o futuro e a solução. Em 10 ou 12 anos estaremos movimentando 237 milhões de passageiros no Brasil. 40% nos aeroportos proposto para o anel ferroviário via TAV. Saudações,

  4. Infelizmente Cláudio, o custo de se construir um TAV é muito alto, não é por menos que são poucos países o fazem. Mas você acertou em ligar as cidades mais populosas, pois o segredo do sucesso do projeto está na densidade populacional.

  5. A implantação do TAV no Brasil se faz necessária. Porém, por enquanto apenas o trecho Rio-SP detém dessa necessidade.
    Isto porque é o único trecho que apresenta demanda para esse tipo de transporte no cenário atual.
    O TAV Rio-SP poderia ser o substituto da ponte aérea, tal empreendimento desafogaria o aeroporto de Congonhas, além do deslocamento rápido de passageiros e cargas de leve e médio peso.
    Quanto a sua construção e operação, poderia ficar á cargo de uma empresa privada cujo seus acionistas poderiam ser as próprias companhias aéreas, sendo que caberia ao estado realizar as desapropriações, licenças ambientais e oferecer ao operador privado um longo prazo de concessão para que o investimento aplicado nesta obra seja amortizado.
    Talvez essa seja a medida mais viável para a implantação do Trem de Alta Velocidade brasileiro!

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