Centro logístico é construído em futura área de manutenção da Linha 20-Rosa
Pátio do ramal de metrô é planejado em terreno onde funcionou uma fábrica da Rhodia em Santo André, mas empresa já havia anunciado investimento de R$ 400 milhões na área
A Linha 20-Rosa ainda não foi lançada oficialmente, mas já tem um problema – e dos grandes – pela frente. Planejada para ter cerca de 33 km de extensão e 24 estações entre a região da Lapa, na capital, e o ABC Paulista, o ramal precisará de dois pátios para acomodar seus trens.
Um deles ficará perto da futura estação Santa Marina, terminal do ramal e onde haverá conexão com a Linha 6-Laranja. O segundo, com capacidade para 22 composições, foi previsto em um grande terreno em Santo André onde funcionou uma fábrica da Rhodia.
É justamente esse local que virou dúvida no projeto. A empresa Goodman Brasil está construindo no terreno um grande centro logístico e que ocupará a maior parte da área prevista para o pátio de manutenção.
Como mostram as projeções divulgadas por ela, o galpão será implantado em paralelo às vias da Linha 10-Turquesa e da MRS. Obras no local já são vistas há alguns meses.

O Metrô de São Paulo divulgou planos de construir uma área de manutenção nesse terreno em 2023 quando lançou uma licitação para levantamento macro para possíveis desapropriações.
Esse processo ocorre desde o começo do ano passado, mas bem antes disso a Goodman já havia acertado com a Prefeitura de Santo André a construção do centro logístico.
Em agosto de 2022, a administração municipal anunciou o investimento de R$ 400 milhões feito pelo grupo de origem australiana.

Desapropriar ou mudar a localização?
Com um montante tão grande investido no projeto, a hipótese de desapropriar o terreno que pertenceu à Rhodia parece uma opção impossível – e que poderia parar na Justiça em meio à discussões sobre valores de indenização.
A solução mais provável seria procurar outra grande área passível de receber as instalações, mas aparentemente elas não ficariam tão próximas da estação Santo André, da Linha 20-Rosa.

Em seus estudos, o Metrô sugeriu construir o pátio de manutenção na superfície mas quase totalmente coberto e implantar sobre ele empreendimentos comerciais, em um uso diferente do atual.
Com vários edifícios, o centro multiuso teria uma passarela de ligação com as estações de trem e metrô.
Para o município, certamente essa solução traria mais vantagens que o centro logístico ao requalificar a região, de perfil industrial.
Com ao menos dois ramais de trens e outros sistemas de transporte público, o local ganharia mais com moradias e serviços do que em armazenar produtos e ser uma rota de caminhões no meio da mancha urbana.
Uma pena que o estado e o município – que na época eram administrados pelo mesmo partido (PSDB) – não chegaram a um acordo sobre o uso do terreno da Rhodia.
