Com imbróglio em Água Branca, onde a Linha 6-Laranja pode conectar outros ramais metroferroviários?

Atraso na construção da nova estação da Linha 7-Rubi vai impedir interligação adequada para os passageiros do novo ramal de metrô

A superestação Água Branca
A superestação Água Branca (TIC Trens)

Uma “bomba relógio” está prestes a cair no colo do governo do estado em menos de um ano e não por falta de aviso. É quando a Linha 6-Laranja deve abrir seu primeiro trecho de nove estações, entre Brasilândia e Perdizes.

O contrato de concessão estabelece claramente que a Linha Uni, concessionária que constrói e vai operar o ramal, precisa oferecer ao menos uma ligação com o restante da malha metroferroviária para poder abrir a Linha 6 parcialmente.

Essa conexão, por enquanto, fica na estação Água Branca, porém, há muito tempo já se antecipa um problema no local já que a ligação com a Linha 7-Rubi ainda é apenas um “desenho na prancheta”.

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As estações Água Branca da Linha 7 e Linha 6 (direita). No alto à esquerda, terreno do governo federal (Reprodução/TV Globo)

O motivo, como muitos sabem, envolve ligar uma estrutura moderna e de grande capacidade com uma estação precária e condenada.

A situação é tão ruim que mesmo com o avanço das obras da Linha 6, nada foi feito para oferecer uma ligação temporária com o ramal da CPTM e a razão é que a gestão estadual esperava resolver isso com ajuda da iniciativa privada.

A solução virá na forma da “super estação Água Branca”, um enorme hub planejado pela TIC Trens, operadora que assume a Linha 7-Rubi oficialmente na próxima semana.

Mas, como se viu recentemente, implantar a estação gigante no local em tempo hábil é impossível. Já seria complicado mesmo sem entraves burocráticos, mas ele existe na forma de (mais um) entrevero com o governo federal, dono de áreas a serem usadas para o tal hub.

Enquanto os governos estadual e federal discutem os pormenores do contrato de aluguel (sim, será preciso pagar para a União pelo uso dos terrenos, como se o pagador de impostos não fosse próprio dono da área), a gestão Tarcísio está em busca de uma alternativa para tornar a Linha 6 mais do que um trajeto isolado de trilhos.

A ideia aventada nesta semana diz respeito a levar a Linha 11-Coral até Água Branca, segundo reportagem da TV Globo, que também não explicou como o governo pretende dividir a pequena estação entre dois ramais de trens.

Extensão e plataforma provisória?

Observando a faixa de domínio que vai de Barra Funda até Água Branca, parece existir espaço para ao menos uma via extra, mas não se sabe se é possível construir uma plataforma e acesso ligado à Linha 6 em apenas poucos meses. Compartilhar a precária plataforma da Linha 7 também parece temerário e vale lembrar que ao seu lado há uma passagem de nível, que já deveria ter sido eliminada há décadas.

A vantagem de operar com a Linha 11 ali é que ela ajudaria a distribuir os passageiros até Luz e assim criar possibilidades atraentes de conexão.

Ampliar a estação da Linha 7-Rubi?

Outra obra emergencial poderia ser construir novas plataformas para a Linha 7 e uma passarela ligada ao acesso da Linha 6. E então estender o ramal da TIC Trens até Luz, empurrando a Linha 10-Turquesa de volta. Criaria duas baldeações rápidas para os usuários da nova linha metroviária, mas é um problema que esbarra no mesmo limite de tempo.

Nível de plataformas da estação Maristela (Reprodução)

E se a Linha 6-Laranja atrasar?

Até aqui, a Linha Uni e o governo do estado continuam a bancar a abertura da primeira fase da Linha 6 em outubro do ano que vem. É um prazo apertado, sobretudo para algumas estações como Itaberaba-Hospital Vila Penteado e Maristela, esta última bem atrasada.

Em um cenário mais modesto, a concessionária poderia abrir um trecho menor entre, por exemplo, João Paulo I e Perdizes, com seis paradas e menor demanda. Com isso, a estação Água Branca da Linha 7 poderia suportar o movimento, talvez com algumas melhorias pontuais.

Obras da estação Higenópolis-Mackenzie da Linha 6-Laranja (Linha Uni)

Esperar a estação Higienópolis-Mackenzie?

Outra hipótese teórica seria segurar a inauguração por alguns meses e entregar um trecho maior até a estação Higienópolis-Mackenzie. Em tese, não há impedimentos para isso já que as estações PUC-Cardoso de Almeida e FAAP-Pacaembu caminham bem, assim como a própria Higienópolis.

Com ela, a Linha 6 teria uma conexão bem mais adequada com a Linha 4-Amarela, a despeito do longo caminho entre as plataformas. Até agosto, as obras estavam em quase 60% de execução, com túnel de plataforma sendo preparado e a montagem de outros dois túneis que farão a ligação com a Linha 4.

Como o plano é levar a Linha 6 até São Joaquim no final de 2027, não se trata de um atraso significativo. Resta saber se ele é realístico.

Certo é que para muitos passageiros, a Linha 6-Laranja ainda vai demorar um pouco para se materializar o sonho de mobilidade que muitos acalentam há vários anos.