Compra de trens usados para o Metrô do Recife gera críticas sobre preço irreal
Sindicato dos Metroviários questiona aquisição de composições de Belo Horizonte, enquanto governo federal aponta risco de colapso operacional já em 2027
A compra de seis trens usados do Metrô de Belo Horizonte para reforçar a frota do Metrô do Recife virou alvo de questionamentos após o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) afirmar que o governo federal pagará valores acima do preço contábil das composições, segundo documentos obtidos pelo Jornal do Commercio.
De acordo com a reportagem, cada trem terá custo total de cerca de R$ 10 milhões, dentro de um investimento de R$ 60 milhões.
Os documentos técnicos citados pelo jornal mostram, porém, que o valor estimado apenas para aquisição de cada composição é de R$ 7,43 milhões, enquanto o restante corresponde a serviços complementares, fornecimento de peças e suporte técnico para operação.
A mesma documentação aponta que o valor contábil líquido de cada trem estaria na faixa de R$ 3 milhões, em razão da depreciação acumulada ao longo dos anos.
As composições da Série 900 pertencem ao sistema metroferroviário de Belo Horizonte, concedido à iniciativa privada no fim de 2025 ao Grupo Comporte, que controla a concessionária Metrô BH. Eles estão sendo substituídos por trens novos fabricados na China pela CRRC.
Tecnologia ultrapasssada
O Sindmetro-PE criticou a operação e classificou a negociação como um mau uso de recursos públicos, argumentando que os trens têm mais de 30 anos de uso, não possuem ar-condicionado e utilizam tecnologia considerada ultrapassada.
Trem do Metrô de Recife (Elisa Andrade)
Segundo o sindicato, os equipamentos usam motores alternadores, sistema que já havia sido substituído em Recife há duas décadas por apresentar falhas recorrentes.
A entidade também levantou preocupação sobre os custos de manutenção em Recife, citando o clima mais úmido e a proximidade com o litoral como fatores que poderiam acelerar o desgaste dos equipamentos.
Por outro lado, técnicos da CBTU e do Ministério das Cidades defenderam a compra nos documentos analisados pelo jornal.
Segundo eles, a operação seria a alternativa mais rápida para evitar uma interrupção parcial da Linha Sul a partir de abril de 2027 devido ao envelhecimento da frota atual.
Os técnicos afirmam que o sistema opera hoje com forte limitação de disponibilidade de trens, com apenas duas composições em circulação nos horários de pico em alguns momentos.
A aquisição de trens novos, segundo a análise técnica, levaria cerca de 24 meses entre contratação e entrega, prazo considerado incompatível com a necessidade imediata do sistema.
Trens do Metrô do Recife (GOVBR)
Os documentos também apontam que apenas quatro dos seis trens devem operar diariamente, enquanto os demais seriam mantidos como reserva operacional.
Segundo a avaliação da CBTU, as composições de Belo Horizonte possuem condições estruturais adequadas para operar em Recife, desde que recebam suporte técnico e peças sobressalentes.
O processo ocorre em meio aos estudos para conceder o sistema metroferroviário do Recife à iniciativa privada, tema que tem gerado debates sobre investimentos e a recuperação da infraestrutura existente.

Realmente o valor é exorbitante.
Esses trens trens deveriam ter sido repassados a um preço simbólico, inclusive prevendo-se que sejam parte de uma fase emergencial e de transição enquanto o Metrô do Recife não é devidamente modernizado.
Olha, realmente o valor é alto, mas passar por valor simbólico já acho que tambem não faz sentido algum, o certo deveria ser passar pelo valor real de mercado, mas dai tem que se fazer um levantamento de custo real e da condição desses TUE´s (Trens Unidades Elétricas), agora obvio que também temos uma defasagem no setor de ferrovias, principalmente com a questão das ferrovias de transporte coletivo, infelizmente isso tambem um plano de desindustrialização nacional, e o que restou foi importar TUE de outros países mais desenvolvidos, enquanto matamos empresas como MARFESA e COBRASMA, enfim, duras lições que tivemos, mas não aprendemos, pois continuamos cometendo os mesmos erros de sempre
Mafersa e Cobrasma foram empresas ruins, que faliram por seus próprios esforços (mesmo com o estado direcionando licitações, emprestando dinheiro à rodo e ajudando de todas as formas).
Há um erro claro oriundo da ignorância ou de má fé. O valor contábil de um bem é diferente do valor comercial do mesmo bem.
O valor contábil está ajustado pela depreciação, que é o quanto do valor original do bem foi revertido para o resultado da empresa, ou seja, o quanto do valor foi revertido que impacta no lucro ou prejuízo da empresa.
Já o valor comercial é o quanto o mercado paga por este mesmo bem. Ele pode maior ou menor que o valor contábil, embora normalmente seja maior. Mas o ponto é que não dá, ou não deveria, compararem os valores pra ver se houve ou não sobrepreço.
Pra quem é leigo dou um exemplo bem fácil. Um carro deprecia em 05 anos segundo a tabela da Receita Federal. Logo, ao final de 05 anos o valor contábil do carro é zero. Mas carros com 06 ou mais anos fabricação tem valor de revenda, ou seja, tem valor comercial. Já pensou se o Procon fosse nas revendedoras e aplicasse multas por vender carros com 06 anos ou mais de uso por um valor maior que Zero? Não faria sentido, tal como essa comparação da matéria também não faz.
Vergonha – Governo federal mandando trens sucateados para o Recife