Concessionária das linhas 11, 12 e 13 terá frota recorde de 103 trens
Futura operadora dos ramais deverá contar com 34 composições oriundas da ViaMobilidade, mas compra de novos trens, apesar de citada no contrato, é incerta
A Secretaria de Parcerias em Investimentos liberou nesta segunda-feira (17) os primeiros documentos pertencentes à consulta pública da concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM.
Dentro deste contexto foi revelada a frota patrimonial que irá circular nos ramais sob responsabilidade da futura concessionária. Ao todo serão disponibilizados 103 trens, sendo 101 operacionais.
Frota total da CPTM
A frota total da CPTM, até setembro de 2023, era de 181 trens-unidade. Destes, 78 trens circulam nas linhas 11, 12 e 13. São eles:
- Série 2000 (11 trens)
- Série 2070 (5 trens)
- Série 2500 (8 trens)
- Série 8000 (36 trens)
- Série 9000 (9 trens)

O contrato de concessão estabelece uma relação de acréscimo de trens para a concessionária. A frota deverá aumentar para 103 composições.
As principais mudanças são a remoção dos trens da Série 2000, possivelmente pelo processo de desativação, e acréscimo dos trens das séries 7000, 7500 e 8500 que foram cedidos à ViaMobilidade Linhas 8 e 9.
A concessionária então receberia 19 trens da Série 7000, oito trens da Série 7500 e sete composições da Série 8500 como parte da frota complementar. Essa devolução é submetida a regramentos específicos condicionada a devolução pela concessionária que assumiu as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda.
Trens baixados
As informações disponibilizadas dão conta que dois trens deverão ser repassados para a concessionária em condições de indisponibilidade ou imobilizados.
Uma das composições da Série 2070 (2091/2092-2093/2094) está parada, não sendo possível precisar o motivo da indisponibilidade dentro das informações disponibilizadas pela CPTM, segundo relatório de due diligence.
Outra composição da Série 8500 seria repassada em caráter de imobilização. Não se sabe exatamente qual trem e por qual motivo esta composição seria repassada nestas condições.
Cabe lembrar que alguns trens da CPTM se afetados em circunstâncias como alagamentos. O site também apurou que uma composição cedida à Viamobilidade passou por processo de canibalismo. A concessionária, em teoria, deve devolvê-la em condições operacionais para a CPTM.

Linha 10-Turquesa desfalcada?
Um dos grande problemas da concessão seria uma possível falta de trens na Linha 10-Turquesa. Do total de 35 composições, 17 (1 desativada) seriam repassadas para a concessionária das linhas 11, 12 e 13.
A Linha 10-Turquesa ficaria com um total de 18 composições disponíveis para a operação entre Luz e Rio Grande da Serra. A necessidade de frota para o trecho em 2022 era de 15 composições, sendo que 15 delas circulam nos horários de pico e 3 ficam como reserva.

Limite de vida útil
O relatório de due diligence aponta que da frota existente apenas duas séries não excederiam a vida útil de 40 anos. As composições das séries 8500 e 2500 seriam as únicas a passarem pela concessão dentro da vida útil.
Os trens das série 2070, 7000, 7500 e 8000 teriam seu fim de vida durante a concessão, em especial os trens da Série 2070, os mais velhos que serão repassados.

Novos trens
O contrato não estabelece de forma clara a compra de novos trens, mas faculta como possibilidade contratual, sendo classificado como investimentos adicionais da concessionária conforme cláusula 43.1.5.
A cláusula 4.2.4 do Anexo 2.F estabelece que, mediante justificativa técnica e econômica, a compra dos novos trens pode ser proposta ao poder concedente, de forma que o estado compre os novos trens segundo as características técnicas do contrato.

Não é citado em qualquer momento se o evento de compra de novos trens ensejará reequilíbrio de contrato, uma vez que esta compra é completamente incerta em termos jurídicos, mas tecnicamente importante para a operação de longo prazo.
