CPTM avalia 72 projetos para desenhar futura rede ferroviária de São Paulo

Estudo do Plano Estratégico Ferroviário inclui trens regionais, VLTs, expansões metropolitanas, serviços turísticos e ramais de carga em diferentes regiões do estado

Trem Intercidades para Sorocaba usará Diálogo Competitivo em licitação
Trem Intercidades para Sorocaba usará Diálogo Competitivo em licitação (Montagem com uso de IA)

Uma carteira com 72 projetos ferroviários está sendo avaliada pela CPTM como parte dos estudos que deverão ajudar a definir a futura rede ferroviária do Estado de São Paulo. O conjunto inclui desde novos serviços de passageiros e expansões da malha metropolitana até ferrovias turísticas e projetos voltados ao transporte de cargas.

Os dados aparecem em um trabalho apresentado por técnicos da companhia durante a 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária e divulgado neste mês pela ANPTrilhos. O levantamento oferece uma amostra dos resultados obtidos até agora na elaboração do Plano Estratégico Ferroviário do Estado de São Paulo (PEF-SP).

O PEF-SP faz parte de uma cooperação entre a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL) e a CPTM iniciada em 2024. O trabalho busca identificar necessidades, gargalos e oportunidades de investimento, incluindo o aproveitamento de ferrovias existentes e a possibilidade de implantação de novas ligações para passageiros e cargas.

A parceria também está relacionada à estruturação do Subsistema Ferroviário do Estado de São Paulo, criado por lei em 2022. Em setembro, o governo alterou o plano de trabalho do convênio com a CPTM, que tem vigência prevista até 25 de dezembro de 2026.

Trem Santos-Cajati: carga e passageiros (CPTM)

91 propostas iniciais

Segundo o estudo apresentado na Semana de Tecnologia, a análise começou com uma carteira de 91 projetos. Após uma etapa de triagem, que retirou propostas sobrepostas, inativas ou sem informações suficientes para avaliação, 72 foram mantidas para aplicação da metodologia desenvolvida pela equipe.

Os projetos foram separados em seis grupos, cada um submetido a critérios próprios. São quatro serviços intercidades de alto desempenho, 20 ligações regionais, sete projetos de VLT, seis expansões metropolitanas, 18 serviços turísticos e 17 shortlines ou ramais destinados principalmente ao transporte de cargas.

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A divisão ajuda a revelar a abrangência dos estudos conduzidos pela CPTM. As ligações regionais, por exemplo, podem considerar o transporte de passageiros, de cargas ou de ambos, enquanto os projetos metropolitanos tratam de ampliações da rede ferroviária na Grande São Paulo.

Estudo elencou os projetos líderes em cada modelo (CPTM)

Em entrevista ao MetrôCPTM em junho, o presidente da CPTM, Michael Cerqueira, já havia explicado que parte das novas ligações estudadas poderá ser planejada para o compartilhamento entre trens de passageiros e de cargas. A possibilidade é considerada uma forma de ampliar a viabilidade econômica de corredores que poderiam não se sustentar apenas com a demanda de passageiros.

Projetos conhecidos aparecem nos estudos

A apresentação não divulga a relação completa dos 72 projetos, mas mostra exemplos dos resultados obtidos em cada grupo. Entre os serviços intercidades aparece o TIC Oeste, entre São Paulo e Sorocaba, enquanto Santos-Cajati é destacado nas ligações regionais.

No grupo de VLTs, Campinas aparece no exemplo apresentado pelos técnicos. Entre as expansões metropolitanas está uma extensão da Linha 11-Coral, enquanto uma ligação entre São José dos Campos e Cachoeira Paulista aparece entre os projetos de caráter turístico.

Para o transporte de cargas, o trabalho destaca investimentos destinados a aumentar a capacidade ferroviária de acesso ao Porto de Santos. Os exemplos pertencem a grupos distintos e foram avaliados segundo critérios diferentes, não constituindo uma classificação única entre todos os projetos.

A aplicação inicial da metodologia colocou apenas dois dos 72 projetos na faixa considerada de alta prioridade. Outros 24 foram classificados como de prioridade média e 46 como baixa. Os próprios autores ressaltam, no entanto, que uma classificação baixa não significa que o projeto tenha sido descartado e pode indicar a necessidade de melhorias ou de atendimento a determinadas condicionantes.

Ligações regionais multisserviço avaliadas (CPTM)

Os resultados também ainda não representam decisões de investimento do governo paulista. O estudo trabalha com informações em nível estratégico, incluindo estimativas preliminares de demanda, mercado e custos de implantação, e reconhece que os projetos se encontram em diferentes estágios de maturidade.

A metodologia deverá ser atualizada conforme novas informações forem incorporadas ao PEF-SP. A proposta é que a carteira funcione como instrumento para orientar o aprofundamento dos estudos e a alocação de esforços em projetos com características distintas.

O trabalho desenvolvido pela CPTM é mais amplo que a análise de novas linhas de passageiros. O convênio com a SEMIL prevê diagnóstico das ferrovias paulistas, estudos de mercado e pré-viabilidade, identificação de trechos ativos, ociosos e inativos e avaliação de corredores que possam integrar a futura malha estadual.

Ao final desse processo, a definição das ferrovias que efetivamente farão parte do Subsistema Ferroviário do Estado de São Paulo ainda dependerá de uma decisão do governo estadual. A legislação prevê que a relação dos trechos integrantes do sistema seja consolidada por ato do governador, com a indicação dos respectivos traçados.