Presidente da CPTM explica expansão da área de consultoria da estatal

Michael Cerqueira afirmou que CPTM Serviços tem transformado a experiência técnica da companhia em contratos de planejamento, auditoria e apoio operacional

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A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) pretende ampliar sua presença no mercado de consultoria ferroviária e de mobilidade urbana à medida que deixa de operar parte de suas linhas. O plano passa pela CPTM Serviços, divisão criada para comercializar o conhecimento técnico acumulado pela estatal ao longo de mais de 30 anos.

Em entrevista ao MetrôCPTM, o presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Cerqueira, explicou que a CPTM Serviços foi lançada oficialmente em setembro de 2024 como parte do reposicionamento da empresa diante do avanço das concessões ferroviárias paulistas.

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Segundo ele, a companhia entendeu que a transferência da operação para concessionárias privadas não deveria resultar na perda de equipes especializadas em áreas como engenharia, planejamento, manutenção, operação ferroviária e estudos de demanda. A divisão passou então a oferecer esse conhecimento para governos, operadoras e concessionárias.

Presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Sotelo Cerqueira, durante atividades na sede da estatal em São Paulo ((MetrôCPTM))

Metrô de Quito

Um dos primeiros trabalhos de maior relevância ocorreu no Rio de Janeiro. A CPTM foi contratada pelo governo fluminense para desenvolver uma estrutura de custos de referência durante os estudos que antecederam a substituição da SuperVia.

Cerqueira ressaltou que a estatal paulista não participou da elaboração do edital nem da modelagem da concessão. O trabalho consistiu na criação de uma empresa-modelo baseada em informações fornecidas pelo governo do Rio de Janeiro e na experiência operacional da CPTM, permitindo ao estado compreender melhor os custos do sistema ferroviário metropolitano.

Outro contrato importante foi firmado com a Prefeitura de São Paulo. Nesse caso, a CPTM prestou apoio técnico aos estudos do VLT que chegou a ser planejado para a região central da capital paulista. A estatal ficou responsável pelas análises relacionadas aos sistemas de alimentação elétrica e sinalização. Os últimos produtos foram entregues no início deste ano, mas o atual prefeito, Ricardo Nunes, mudou o projeto para usar ônibus com sistemas de georeferenciamento, apelidado de “VLE”.

Trens da SuperVia, alinhados na estação Central do Brasil no Rio (Divulgação)

Mais recentemente, a CPTM Serviços foi contratada pela TrensRJ, concessionária que assumiu a operação dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro após a saída da SuperVia.

O contrato prevê a realização de uma auditoria independente para avaliar as condições da infraestrutura, estações, sistemas e material rodante recebidos pela nova operadora. O trabalho envolve cerca de 180 dias de duração, 54 entregas técnicas e uma equipe formada por mais de 50 profissionais da CPTM.

Segundo Cerqueira, o objetivo é produzir uma espécie de diagnóstico completo do sistema ferroviário fluminense, registrando as condições encontradas pela concessionária no início da operação e fornecendo informações tanto para a empresa quanto para o governo estadual.

A CPTM Serviços também presta serviços para concessionárias que atuam em São Paulo. Entre os exemplos citados pelo executivo estão contratos operacionais com a ViaMobilidade e a TIC Trens, incluindo atividades ligadas ao setor de achados e perdidos, além de apoios pontuais relacionados à operação ferroviária.

Interesse do exterior

O presidente da CPTM revelou que a estatal chegou ainda a ser procurada pelo Metrô de Quito, no Equador. Segundo Cerqueira, a companhia apresentou uma proposta para desenvolver manuais de manutenção e outros documentos técnicos que serviriam de base para futuras contratações da operadora equatoriana.

A ideia era separar a elaboração do material técnico da futura licitação operacional, modelo semelhante ao adotado em diversos projetos brasileiros. O negócio, porém, não avançou porque o operador optou por concentrar em um único contratado tanto a elaboração dos manuais quanto a execução dos serviços, entendimento considerado mais adequado à realidade local.

Metrô de Quito

Além do Equador, Cerqueira afirmou que a CPTM recebeu consultas de outros operadores brasileiros e de empresas estrangeiras interessadas em estudos, planejamento e apoio técnico. Segundo ele, houve pelo menos três ou quatro sondagens internacionais, embora nenhuma delas tenha evoluído para contratos até o momento.

Para o presidente da CPTM, a tendência é que a CPTM Serviços assuma um papel cada vez mais relevante dentro da companhia, aproveitando o conhecimento acumulado pela estatal em projetos ferroviários, operação de sistemas sobre trilhos e estruturação de empreendimentos de mobilidade.

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