Cubículos de tração da expansão da Linha 2-Verde passam por testes na Hungria

Equipamentos destinados às futuras estações Orfanato e Santa Clara integram o sistema de alimentação elétrica necessário para colocar o novo trecho do metrô em operação

Estação Santa Clara
Estação Santa Clara (Márcia Alves/CMSP)

Os sistemas elétricos da expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo estão avançando também fora dos canteiros de obras. Na última semana, equipamentos destinados às futuras estações Orfanato e Santa Clara passaram por testes de aceitação de fábrica na cidade de Eger, na Hungria.

A informação foi compartilhada por um profissional que acompanhou os ensaios dos chamados cubículos de tração. Esses equipamentos fazem parte da infraestrutura responsável por controlar e proteger os circuitos que fornecem energia elétrica aos trens.

Os testes de aceitação de fábrica são realizados antes da instalação dos equipamentos em seu destino. O procedimento permite verificar se os componentes atendem às especificações técnicas e se seus dispositivos de comando e proteção funcionam conforme o previsto.

O relato confirma a realização dos ensaios, mas não informa se os equipamentos já receberam aprovação definitiva ou quando serão enviados ao Brasil.

Como funciona a alimentação elétrica dos trens

Embora pouco visíveis para os passageiros, os sistemas de alimentação elétrica estão entre os principais componentes necessários para colocar uma nova linha de metrô em funcionamento.

Cubículos de tração (Reprodução)

Na Linha 2-Verde, os trens utilizam energia elétrica fornecida pelo terceiro trilho, que opera com corrente contínua de 750 volts.

Para isso, a energia recebida da rede precisa passar por subestações que realizam sua transformação e conversão. Os retificadores convertem a corrente alternada em contínua, enquanto os cubículos de tração permitem controlar, distribuir e proteger os circuitos de alimentação.

Esses equipamentos também possibilitam isolar determinados trechos em caso de falha ou durante intervenções de manutenção, evitando que problemas elétricos se propaguem para outras partes do sistema.

O fornecimento de energia para os trens é diferente daquele destinado aos equipamentos das estações. Iluminação, elevadores, escadas rolantes, ventilação e outros sistemas dependem de circuitos e instalações auxiliares próprios.

Equipamentos também são fabricados no Brasil

A visita à Hungria ocorre em meio à fabricação de diferentes componentes elétricos destinados à expansão.

Em abril deste ano, outro registro divulgado por profissionais envolvidos no empreendimento mostrou cubículos de média tensão fabricados e inspecionados em Jundiaí, no interior paulista.

Na ocasião, os equipamentos destinados às subestações de Orfanato, Santa Clara e do Complexo Rapadura já haviam sido produzidos e inspecionados em uma instalação parceira da Siemens. Outros componentes permaneciam em fabricação.

Trecho próximo à estação Santa Clara recebe concreto no piso (Reprodução)

Os cubículos de média tensão e os cubículos de tração desempenham funções distintas dentro da infraestrutura elétrica. Os primeiros participam da distribuição e proteção da energia em média tensão, enquanto os segundos atuam nos circuitos destinados à alimentação dos trens.

O contrato de sistemas da Linha 2-Verde está sob responsabilidade da Agis Construção, que contratou a Siemens para fornecer soluções de alimentação elétrica e automação.

O escopo da Siemens inclui sistemas de média tensão, tração e baixa tensão, além de automação, proteção elétrica, subestações retificadoras e subestações auxiliares.

Já o contrato mais amplo da Agis, avaliado em aproximadamente R$ 2 bilhões, abrange também telecomunicações, ventilação, portas de plataforma, terceiro trilho, elevadores, escadas rolantes e a integração dos novos equipamentos à infraestrutura existente.

Agis implanta sistemas para que trens operem no novo trecho da Linha 2

Obras civis e sistemas avançam em paralelo

A instalação desses equipamentos representa uma etapa diferente da construção dos túneis e estações.

Orfanato e Santa Clara, as primeiras estações da expansão após Vila Prudente, já apresentam estruturas civis bastante adiantadas. Entretanto, ainda dependem de acabamentos, instalações e equipamentos necessários à operação.

O Metrô também iniciou a implantação da via permanente em partes da expansão, com a instalação de trilhos e outros componentes ferroviários.

A conclusão dessas estruturas, porém, não é suficiente para permitir a circulação comercial. Depois da montagem dos sistemas elétricos, será necessário realizar testes de energização, integração e comissionamento.

O processo envolve ainda a sinalização CBTC, responsável pelo controle da circulação dos trens, e a preparação da frota que atenderá ao novo trecho.

A expansão entre Vila Prudente e Penha terá 8,4 quilômetros e oito novas estações. A primeira etapa contempla Orfanato, Santa Clara, Anália Franco e Vila Formosa, enquanto a segunda acrescentará Santa Isabel, Guilherme Giorgi, Aricanduva e Penha.

A previsão oficial é abrir as primeiras quatro estações no final de 2027 e concluir a extensão até Penha em 2028. Parte dos contratos de acabamento e implantação de sistemas, entretanto, possui prazos que avançam por 2027 e 2028.

A realização dos testes na Hungria indica o andamento do fornecimento dos equipamentos elétricos, mas não permite determinar quando as subestações estarão instaladas e prontas para alimentar os trens.