Trens da Linha 17-Ouro não têm limite de 70% da capacidade
Sistema dos monotrilhos da BYD monitora a distribuição da carga entre os cinco carros, mas isso não significa restrição à lotação prevista para as composições
Os trens da Linha 17-Ouro podem operar com a capacidade máxima prevista em projeto, apesar de uma reportagem publicada nesta semana pelo site Metrópoles ter levantado a possibilidade de uma limitação de peso nas composições fornecidas pela BYD.
O que existe nos novos monotrilhos é um sistema capaz de acompanhar a carga em cada um dos cinco carros e auxiliar na distribuição dos passageiros pela composição. A Linha 17 também possui painéis nas plataformas que indicam quais carros estão mais ou menos ocupados, permitindo que o usuário escolha onde embarcar – nada disso é inédito, vale dizer.
Esse tipo de informação ganha importância porque a distribuição dos passageiros nem sempre é uniforme. Dependendo da posição dos acessos, escadas e elevadores nas estações, determinados carros podem concentrar muito mais pessoas enquanto outros permanecem relativamente vazios.
Na Linha 17, que começou a transportar passageiros há poucos meses, esse comportamento ainda está sendo assimilado pelos usuários. Funcionários podem orientar o embarque nos carros menos ocupados para melhorar a distribuição da carga e oferecer melhores condições de operação.
Isso é diferente de estabelecer uma lotação máxima inferior à capacidade do trem. Não há uma regra segundo a qual uma composição da Linha 17 precise retirar passageiros ao alcançar 70% de ocupação.
Passageiros desembarcando de trem na estação Morumbi da Linha 17-Ouro ((MetrôCPTM))
Como funciona o controle
Os trens BYD utilizados na Linha 17 possuem suspensão pneumática e sistemas de controle que permitem acompanhar a carga transportada. Com isso, é possível identificar diferenças significativas de ocupação entre os carros.
Em entrevista ao Metrópoles, o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres, explicou que o acompanhamento da carga busca manter uma distribuição mais equilibrada, condição favorável tanto para o comportamento dinâmico do trem quanto para o consumo de energia e o desgaste dos equipamentos.
Torres também afirmou que uma referência de 70% de ocupação não corresponde a um limite estrutural ou de segurança dos trens.
Assim como ocorre em outros sistemas ferroviários, existem proteções para situações de sobrecarga. Isso não significa, porém, que a capacidade nominal divulgada para o trem seja uma condição que ele não possa atingir durante a operação comercial.
Viga-trilho da Linha 17-Ouro (Metrô CPTM)
Operação ainda em aprendizado
Há outro aspecto importante no caso da Linha 17. O ramal permanece em operação assistida, justamente uma etapa destinada a acumular experiência com os trens, sistemas de sinalização, estações e procedimentos antes da entrada em funcionamento definitivo.
Desde 30 de setembro, o horário foi ampliado para o período entre 6h e 22h, aumentando a exposição dos equipamentos a diferentes níveis de demanda e situações operacionais.
A Linha 17 utiliza o sistema CBTC para controle dos trens e possui características particulares em relação às demais linhas operadas pelo Metrô. Uma delas é o próprio traçado do monotrilho, que apresenta trechos com condições específicas de circulação.
Na transição entre o eixo da Avenida Jornalista Roberto Marinho e a região da Marginal Pinheiros, por exemplo, a geometria das vigas-trilho exige que os trens circulem em velocidade mais baixa, algo já explicado pelo MetrôCPTM durante o acompanhamento da operação.
Essas particularidades fazem parte do processo de consolidação da operação de um sistema que ainda é novo tanto para seus passageiros quanto para as equipes responsáveis pelo serviço.
A Linha 17-Ouro liga atualmente o Aeroporto de Congonhas à estação Morumbi, da Linha 9-Esmeralda, e utiliza trens de cinco carros fornecidos pela chinesa BYD.
