Destaques Trem Intercidades

Em Brasília, Doria “requenta” projeto do Trem Intercidades

Novo governador anuncia ajuda do governo federal para implantar trem regional idealizado por seu antecessor, Geraldo Alckmin
O governador João Doria em Brasília: as mesmas propostas requentadas (GESP)

Com apenas uma semana no cargo, o novo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi até Brasília encontrar-se com o presidente Jair Bolsonaro (e seu ministro de Infraestrutura), também ele no início de seu mandato federal.

Na pauta da reunião, projetos de infraestrutura inéditos como a concessão da rodovia Rio-Santos, mas também assuntos que já são discutidos há bastante tempo entre as duas esferas de governo como o Ferroanel e Trem Intercidades, uma rede de trens regionais proposta pelo antecessor de Doria e seu padrinho político, Geraldo Alckmin.

Apesar de serem contatos preliminares entre os dois governos e que mostram uma aparente união em tirá-los do papel – conforme declaração do ministro Tarcísio Gomes ao afirmar que os projetos serão tocados a quatro mãos -, na prática não há nada de novo no assunto.

João Doria já havia deixado clara sua intenção de privatizar ao máximo o transporte de passageiros por trilhos, portanto dizer que o Trem Intercidades será concedido à iniciativa privada e que utilizará as vias existentes hoje (uma péssima notícia, aliás) é chover no molhado.

Talvez a surpresa da visita tenha sido a informação de que a MRS, empresa que tem a concessão de transporte de cargas por parte das linhas da CPTM, será responsável por implantar o Ferroanel, trecho de vias que aproveitará o Rodoanel Norte para desviar os trens de carga de regiões centrais de São Paulo. Com isso, os passageiros de linhas como a 7-Rubi e 12-Safira serão beneficiados por não precisarem compartilhar sua viagem com imensas e lentas composições de carga.

No entanto, ainda há muito o que planejar para que esses anúncios prematuros sejam de fato transformados em realidade.

As linhas estudadas pelo governo para Trem Intercidades

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

8 Comentários

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  • Já que vão mesmo compartilhar os trilhos da CPTM, podiam aproveitar a estrutura da Linha 13 pra fazer a parada em GRU, e numa paulada só fazia ela chegar dentro do aeroporto e até a luz, como o Dória já disse que pretende. Infelizmente compartilhamento não é o ideal, mas acredito que dá pra operar se houver criação de pontos de ultrapassagem e utilização de trens do tipo pendolino no serviço expresso pra ganhar velocidade nos trechos fora da RMSP.

    • Adail essa proposta ja foi feita pelo gov Doria a concescionaria que administra o aeroporto e ja esta negociando com o gov federal para que se construa uma nova estação na entrada do terminal de embarque para isso o pre. Bolsonaro tem que ampliar o tempo de concesção vamos aguardar essas negociações

  • Apesar de odiar esse cidadão e sua politica de privatizar tudo para os ” miguxos” não sou babaca o suficiente de desejar um mau mandato dele, tomara que de fato isso saía do papel. É absurdo não temos transporte ferroviário pelo interior de nosso estado.
    Transporte ferroviário que aliás foi totalmente sucateado propositalmente em prol das empresas de ônibus.

  • Um país continental, com mais de 200 milhões de habitantes, q não tem uma linha ferroviária ligando suas duas principais cidades (Sampa e Rio) só pode ser uma piada. Piada de mau gosto. É a nação mais patética q existe na face da Terra.

  • Propostas possuem boas intenções, mas não pensam no problema como um todo, ao meu ver, pelos seguintes motivos:

    1- FERROANEL: a ideia é fundamental mesmo para facilitar o escoamento das cargas que vem desde o interior de São Paulo como de outros Estados, todos em direção ao Porto de Santos. Porém, não é levado em consideração que ainda há empresas na região metropolitana que utilizam a malha ferroviária compartilhada para trens de carga. A segregação total pode gerar aumento da demanda de caminhões nas vias públicas e, consequentemente, mais trânsito, quando não o deslocamento dessas empresas para outra regiões. Creio que com as restrições de horário e com a construção de uma “Terceira via” (pois em boa parte da malha há espaço para tanto), além de um transporte de cargas em média escala poderia ser a solução para todos.

    2 – TREM INTERCIDADES: ao menos em direção ao Vale do Paraíba, boa parte da malha não é sequer duplicada. A utilização compartilhada implicará em mais tempo de deslocamento das cargas para seu destino, voltando a tornar o transporte ferroviário de cargas desvantajoso, ante a preferência que existe quanto ao direito de passagem de trens de passageiros. Além do mais, a manutenção em via compartilhada sem sombra de dúvidas impedirá que o sistema possibilite trens com uma demanda razoável e em tempo que demonstra atrativo ao usuário. Sei que não há ainda nada oficial mas a proposta faz crer que seria um serviço com poucos trens por dia e ainda numa velocidade que qualquer dos outros modais seria ainda mais interessante. Se for para fazer um serviço sério, ao menos mais uma via seria necessário construir para mitigar os efeitos da utilização compartilhada.

  • Engraçado, há 24 anos de DITADURA do PSDB no estado de São Paulo, destruíram a FEPASA, os trens de passageiros para o interior do estado era um patrimônio histórico. Agora vêm falar em criar Trens entre Cidades? Isso é chamar a população de analfabetos… Alckmin prometeu trens de São Paulo até São José dos Campos; Americana e Sorocaba (esse seria o último a ser entregue em 2917).
    Nada saiu do papel! Vocês só para os ricos… Só destruíram São Paulo.

Airway