Entenda como serão escavados os túneis da extensão da Linha 4-Amarela

Obras partirão das extremidades da futura estação Taboão da Serra, onde três dos cinco poços que formarão a estrutura estão sendo escavados

Os três poços em escavação na estação Taboão da Serra
Os três poços em escavação na estação Taboão da Serra (Willian Moreira)

A construção da futura estação Taboão da Serra terá papel central na abertura dos túneis da extensão da Linha 4-Amarela. Em vez de uma única frente percorrendo todo o prolongamento, poços escavados no local permitirão iniciar os trabalhos subterrâneos em direções diferentes, incluindo a ligação com Chácara do Jockey e o trecho que seguirá além da estação para a área operacional.

Atualmente estão em escavação os poços 1, 3 e 5, três das cinco grandes estruturas que formarão o corpo da estação. Eles terão cerca de 32 metros de profundidade e, além de serem utilizados durante a obra, serão incorporados à estrutura definitiva.

Uma imagem divulgada pelo governo estadual mostra uma dessas estruturas já bastante abaixo do nível da superfície, com uma escavadeira trabalhando no interior do poço e o material sendo retirado verticalmente.

As plantas do projeto executivo vistas pelo MetrôCPTM durante uma visita às obras ajudam a entender uma função que não é evidente olhando apenas para o canteiro. Os cinco poços são dispostos sequencialmente e parcialmente sobrepostos, formando o corpo alongado da estação.

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É nas duas extremidades desse conjunto que serão abertas as primeiras frentes horizontais de escavação.

Planta das imediações da estação Taboão da Serra (Willian Moreira)

Poço 1 dará acesso ao trecho final da linha

Localizado na extremidade noroeste da estação, o Poço 1 deverá ser o primeiro a alcançar a configuração necessária para a abertura de uma frente de túnel. A previsão atual é concluir sua escavação ainda no segundo semestre de 2026.

A partir dele, os trabalhos avançarão para além da área de passageiros da estação Taboão da Serra. Nesse lado ficará a extensão operacional da Linha 4, incluindo a infraestrutura destinada ao estacionamento de trens.

Embora Taboão seja a última estação para passageiros, portanto, os túneis não terminarão imediatamente depois das plataformas. As vias continuarão por mais um trecho para permitir a movimentação, manobra e estacionamento das composições.

Poço 5 abrirá caminho para Chácara do Jockey

Na extremidade oposta está o Poço 5. Localizado no lado sudeste da estação, ele terá outra função importante: permitir o início da escavação dos túneis no sentido de Chácara do Jockey.

Dessa forma, quando as duas estruturas estiverem em condições de receber as frentes subterrâneas, Taboão da Serra terá escavações avançando para os dois lados do seu corpo principal: uma em direção à extensão operacional e outra seguindo pelo prolongamento da Linha 4 rumo à capital.

Poço secante da estação Taboão da Serra (GESP)

Escavações também partirão de Chácara do Jockey

A futura estação Chácara do Jockey terá papel semelhante na construção do prolongamento. Seus poços permitirão abrir outras frentes subterrâneas, inclusive no sentido de Vila Sônia, onde a nova infraestrutura terá de se conectar aos túneis da Linha 4 atualmente em operação.

Com isso, os 3,3 km da extensão não serão escavados sequencialmente a partir de um único ponto. A estratégia permitirá trabalhar simultaneamente em diferentes segmentos do traçado à medida que os poços e demais estruturas de acesso forem concluídos.

O governo prevê ampliar as escavações dos poços de Chácara do Jockey no segundo semestre de 2026. A abertura da frente em direção a Vila Sônia ocorrerá posteriormente.

Projeção da estação Taboão da Serra, da Linha 4-Amarela (PMTS)

Cronograma ainda tem uma dúvida

O comunicado divulgado pelo governo estadual apresenta informações contraditórias sobre o término dessa etapa. No resumo, afirma que as escavações dos túneis deverão ser concluídas em 2028. Mais adiante, porém, diz que a expectativa é ter todas as frentes de escavação dos túneis em atividade até meados de 2028.

As duas informações descrevem estágios bastante diferentes da obra. Por isso, não é possível afirmar a partir do comunicado que todos os túneis estarão efetivamente escavados em 2028.

A extensão da Linha 4-Amarela terá 3,3 km e duas novas estações, Chácara do Jockey, ainda na capital, e Taboão da Serra, que será a primeira parada de uma linha de metrô de São Paulo fora dos limites do município caso Dutra não fique pronta antes na Linha 2-Verde.

As obras fazem parte da terceira fase de implantação da Linha 4 e têm investimento previsto superior a R$ 4 bilhões. A abertura da extensão para os passageiros está prevista para ocorrer a partir de 2030.