Perfil da nova estação, ao lado da homônima Morumbi da CPTM

O Metrô e o consórcio CCIN-CCCC assinaram contrato no último dia 13 para a construção da estação Morumbi da Linha 17-Ouro, monotrilho que ligará o Aeroporto de Congonhas às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda da rede metroferroviária.

Serão pagos R$ 107,4 milhões para que a construtora conclua a nova estação num prazo de 22 meses, ou seja, até outubro de 2019. Trata-se de um projeto crucial para que o monotrilho possa operar em condições mínimas de eficiência, isso porque a estação Morumbi servirá como ponto de manobra e retorno dos trens no sentido aeroporto. Sem ela, não há como operar nas duas vias porque o chamado “track-switch”, mecanismo que permite ao trem mudar de via, fica instalado logo após as plataformas.

Em outras palavras, é uma obra da qual depende a inauguração da nova linha, que tem previsão de ser concedida em breve. Caso atrase, o governo do estado deverá pagar algum tipo de ressarcimento ao concessionário por conta de receitas frustradas. Como é raro que uma obra desse porte seja entregue dentro do prazo é se imaginar que o monotrilho só funcionará para valer em 2020 – ainda é preciso que o governo assine a ordem de serviço para que os trabalhos comecem de fato.

Estação reprojetada

A parada Morumbi, que será construída nas margens do Rio Pinheiros e ligada à estação Morumbi da CPTM, fazia parte do escopo da licitação das estações, realizada em 2014. No entanto, o Metrô decidiu reprojetar a estação prevendo uma demanda maior do que a original. No primeiro projeto, a estação seria um tanto acanhada e construída exatamente ao lado do mezanino da “irmã”.

Agora, a nova estação será levantada ao sul da estação da Linha 9 e interligada por uma estrutura mais dimensionada e que inclui também uma nova passarela e acesso cerca de 100 metros da atual. A própria estação da CPTM terá áreas ampliadas para facilitar a movimentação de passageiros (veja imagens na matéria).

Tatu Tênis Clube

A sigla “CCIN-CCCC” parece de alguma construtora chinesa, mas é um nome conhecido dos brasileiros: Camargo Côrrea. A gigante do setor da construção passou por uma reestruturação que deu origem à duas empresas, a Camargo Côrrea Infraestrutura S.A (CCIN) e a Construções e Comércio Camargo Côrrea S.A (CCCC). Após um assinar um acordo de leniência com o Ministério Público, a empresa pôde voltar a participar de concorrências públicas – a obra da Linha 17 é a primeira vencida por uma empresa envolvida na Lava Jato.

Coincidência ou não, nesta terça-feira (19), o Cade dará detalhes de outro acordo de leniência com a Camargo Côrrea, em que ela revela ter participado de um conluio que prejudicou diversas concorrências públicas em sete estados e no Distrito Federal. Em conjunto com outras grandes construtoras como Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Queiróz Galvão elas formavam o “Tatu Tênis Clube”, um grupo que discutia e combinava a participação fraudulenta em licitações. A ideia era combinar preços, evitar concorrência e obter valores superiores aos esperados nesses editais.

O nome “Tatu” vem do fato delas terem experiência com escavações com tuneladoras, popularmente chamadas de “tatuzões”. Na Linha 5, por exemplo, que faz parte desse acordo, as cinco empresas conseguiram justamente os lotes onde haveria a escavação de túnel nesse método – uma cláusula no edital exigia experiência prévia nesse tipo de trabalho.

Como se nota, parece que foi cedo demais que os órgãos de controle e fiscalização e a Justiça permitiram que algumas empresas voltasssem a participar de licitações públicas. Espera-se que no caso da estação Morumbi essa prática tenha sido excluída.

Veja também: Linha 17-Ouro volta a andar nos trilhos

Estação Morumbi da CPTM: homônima da Linha 17 ficará ao sul e não mais em paralelo

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Imagens das plantas do Metrô via Márcio Saviano