Frota K do Metrô se mantém como a pior do sistema, segundo dados

Levantamento aponta que trens são os menos utilizados em virtude de fatores como confiabilidade, manutenção e falta de peças de reposição

Metrô de São Paulo melhora desempenho (Jean Carlos)
Metrô de São Paulo melhora desempenho (Jean Carlos)

Pelo segundo ano seguido, a Frota K do Metrô de São Paulo foi a que menos rodou entre os trens disponíveis para uso pela companhia nas linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata.

Os dados foram obtidos pelo perfil “Trilhos que Movem SP”, por meio do Sistema Integrado de Informações ao Cidadão (SIC), e mostram a quilometragem total percorrida por cada trem, permitindo traçar parâmetros mensais e individuais do funcionamento de cada composição.

No caso específico da Frota K, ela possui 25 trens totais, onde dois são uma espécie de “almoxarifado permanente”, sendo usados para fornecer peças para o restante das composições.

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Isso ocorreria porque umas das empresas do consórcio responsável pela sua reforma/modernização, a TTrans, decretou falência antes da pandemia, o que agrava a dificuldade na obtenção de material de reposição.

Na análise divulgada da quilometragem média, os trens da Frota K ficam em último lugar, com média mês de 7,5 mil km rodados no somatório de todos os trens deste modelo. Para efeito de comparação, a Frota G circulou na média 15,3 mil km, com somente 16 trens, ou seja, o dobro.

Frota K do Metrô de São Paulo (Jean Carlos)
Frota K do Metrô de São Paulo (Jean Carlos)

Na prática, o indicador mostra a existência de uma disponibilidade maior em outros modelos de trens em relação aos K.

A Frota K é uma das séries reformadas de trens e é baseada na antiga Frota C, produzida pela Cobrasma. O plano na época era readequar as composições para oferecerem ar-condicionado e sistemas mais modernos.

A concorrência contratou quatro consórcios que trabalharam nas frotas I, J, L e K. No caso da última, o consórcio responsável foi o formado pelas empresas MPE, Temoinsa e TTrans.

Atualmente o Metrô de São Paulo tem um contrato assinado com a CRRC para o fornecimento de 44 novos trens, com parte deles indo para a Linha 1 e 3, permitindo no futuro uma melhor gestão da frota e possibilidade de atendimento com trens mais novos e modernos.

Trem K03 (Jean Carlos)

Metrô contesta levantamento

Em nota a este site, o Metrô contestou as informações divulgadas explicando que ao longo dos últimos anos todas as frotas operadas pela companhia obtiveram um aumento de confiabilidade.

Já sobre a retirada de peças de dois trens da Frota K, o Metrô afirmou que sempre adotou este procedimento e isso não indica indisponibilidade de peças, mas sim uma estratégia adotada para um sistema que atende milhões de pessoas diariamente. Leia a seguir a nota na íntegra.

“O indicador geral de disponibilidade da frota K e das demais frotas do Metrô permanece acima da meta estabelecida para todas as linhas. Além disso, ao longo do ano as composições dessa série tiveram aumento no índice de confiabilidade (MKBF, que indica o desempenho operacional), reforçando que a estratégia de manutenção adotada pelo Metrô – referência em operação e manutenção no cenário internacional – é eficaz.

Também deve ser considerado que a frota da Companhia conta com reserva técnica justamente para a adoção de rígidos protocolos de manutenção preditiva, preventiva e corretiva, privilegiando a rápida liberação dos trens para a operação, com a retirada temporária de outras composições.

Esse processo sempre foi feito pelo Metrô e não indica indisponibilidade de peças ou sobressalentes, mas estratégia que considera um sistema de alta disponibilidade, com atendimento a 3 milhões de pessoas por dia, além de trens que percorrem mais de 50 mil km e abrem e fecham as portas 3 milhões de vezes diariamente, e demandam diversas intervenções de manutenção.”