Governo de SP assume construção parcial do Trem Intercidades Sorocaba
Atualizações do projeto destacam a divisão de responsabilidades entre Estado e concessionária para tirar TIC do papel
O Governo de São Paulo publicou nesta semana a atualização das informações do TIC Sorocaba, o Trem Intercidades Eixo Oeste, entre o município do interior e a estação Água Branca.
Entre as principais novidades estão a mudança de traçado, mas também a divisão de custos, com o poder público agora sendo responsável por construir 27 dos 89 km de novos trilhos do serviço entre a capital e o interior.
Na concepção original, a futura concessionária deveria executar todas as obras, mas agora, o trecho entre Água Branca, até Barueri, percorrendo ao lado da Linha 8-Diamante da ViaMobilidade, sofrerá intervenção do governo.
A partir de Barueri entra em ação a concessionária com o novo traçado, incluindo túneis, 62 km de trilhos, a totalidade dos sistemas, sinalização e derivados.
Na prática, o governo ficará responsável por quase um terço dos trilhos e via permanente. A justificativa, apesar de não apresentada, pode estar nas eventuais interferências nos serviços da Linha 8, que funcionará em paralelo às obras do Trem Intercidades.

Como antecipado por este site, a estação Brigadeiro Tobias foi removida do projeto, diminuindo de seis para cinco as estações no serviço parador que terá intervalo máximo de 1 hora entre cada trem.
O valor total foi atualizado, passando para aproximadamente R$ 10,3 bilhões, com 80% deste aporte investido até o sexto ano do TIC.
O leilão e assinatura do contrato com o vencedor do trem para Sorocaba tem a previsão de ocorrer no segundo semestre deste ano.

Melhor que não saia do papel. O projeto atual vai prejudicar os passageiros da Linha 8.
Não muda nada. Na prática, o governo banca 100% do custo, visto que nenhuma concessionária no Brasil assume o risco do empreendimento. Veja o que aconteceu com os aeroportos e as rodovias que receberam reequilíbrio econômico financeiro por causa da queda de receita na pandemia .
Mas eu duvido que esse projeto saia do papel.
Todas as concessionárias no Brasil assumem os riscos dos empreendimentos.
Sim, assumem. Papai Noel e coelhinho da páscoa mandaram lembranças
Se a CCR quisesse, ela já teria feito algo que foi depois ofertado no Campinas – São Paulo para o grupo por trás da TIC: a modularidade dos serviços conforme o trecho. Porque o trecho Sorocaba – São Paulo está desativado e de fato precisaria de uma reconstrução, mas é “mais fácil” (note as aspas) fazer justamente este trecho do que fazer um trecho novo entre São Paulo e Itapevi para fazer o serviço ser “exclusivo”. Se mudou o contrato para isso, não duvido que é fácil mudar o contrato para justamente reorganizar a oferta de serviço (Trem Suburbano primeiro – Trem “Expresso” depois).
O trecho Campinas – São Paulo tem a parte Campinas – Jundiaí com tráfego de cargas, e acho que a operadora de carga hoje até ficaria feliz de que venha logo a retificação da linha para atender o tráfego de passageiros, pois livra um pouco a empresa logística de ter o trabalho de reconstruir a linha.
Outra: Uma coisa que me passa pela cabeça é que não teria problemas deixar o trafego de cargas livre em trechos urbanos, desde que ajustando a regularidade. Já a Via Mobilidade tem intervalos mais longos em relação a época da CPTM, que um trem cargueiro passaria até “de boa” em horários de vale. Já que é para lucrar, por que não lucrar com logística então?
Já era para ter saído isso. Ou melhor, se os empresários e o governo quisessem, teriam mantido os serviços desde quando FHC fez a merda da privatização.
Toda vez que o governo federal se mete em ferrovias, na maioria das vezes é para prejudicar o que está funcionando, se Vargas e os Militares não tivessem estatizados as linhas privadas que tinha e ao invés criado novas linhas ferroviárias para atender regiões deficitárias na época teria sido melhor.
Tenho que admitir que sou preguiçoso, senão estaria desde os anos 2000 estudando sobre transporte a fundo. Mas pelo pouco que sei – e pela vivência que tenho – digo que o que noto é que FHC errou feio na privatização e Lula errou ainda mais só prometendo coisas.
Lembrando que salvo engano, na “Era Vargas” não duvido que as estatizações se deram por questões políticas e na era da ditadura militar, foi uma tentativa de expansão de áreas para ocupação e produção de commodities.
Quando FHC privatiza, se promete que “vai mudar o transporte para melhor” – pô, eu tinha o quê, uns 15 anos na época que ele entrou. Maioria dos trens de longa distância saem (a CPTM salva a malha paulista), os trens de carga só ficam os “viáveis” e o resto é abandonado. E sim, de fato na era dos militares sei que era sucateado e que só no final da ditadura quando começou os primeiros governos eleitos é que começou algumas expansões (São Paulo tentando com a Fepasa por exemplo).
Mas enfim, de qualquer forma no Brasil ainda se trata mal o transporte público de massa, inclusive pelas próprias privadas, que se quisessem, teriam auxiliado para a construção de portos secos e áreas logísticas integradas as ferrovias. Só que só esperar dinheiro do governo para pegar uma parte dele e gastar nas obras e o resto enfiar em mulheres, ferraris e batidas, aí não dá né?
É o governo ESTADUAL que está cuidando desse projeto. Não tem nada se FEDERAL aí.
Se você ler o comentário que respondi, ele menciona o FHC que foi presidente do Brasil e nunca foi governador de São Paulo. E esse projeto precisa de autorização do governo federal por usar trechos que pertence ao governo federal e que são utilizados pela Rumo, operadora de trens de cargas privada que tem concessão pertencente ao governo federal e não ao governo estadual apesar do trecho ter sido utilizado pela FEPASA no século passado.
As ferrovias foram encampadas pelo estado simplesmente porque faliram. Não foi o estado que foi lá e tomou a força. A FEPASA e a RFFSA surgiram disso, de companhias falidas que foram encampadas pelo estado.
O crime acontece no governo FHC, que faz a privatização da RFFSA. O que o governo deveria ter feito era aberto o direito de passagem, assim o transporte de cargas e turismo subsidava o transporte de passageiros, como acontece na Europa.
Os intervalos da ViaMobilidade são os mesmos do período da CPTM.
Pergunta prós usuários das linhas 8 e 9 se continua igual.
Esse projeto poderia ser estudado como uma compilação de tudo que tem dado errado no debate sobre transporte no Brasil – acredito que no futuro será. Projeto desenhado para agradar empresas, não para criar uma nova realidade de transporte, que atenda as pessoas, que as tirem do transporte individual. Especulação eleitoral, sobretudo por lidar com cidades com passado ferroviário (os dois TICs têm isso – o estado todo tem), fazendo paixões e memórias comprarem gato por lebre. Dentro dessas especulações, outras especulações ruins, como o impossível VLT de Sorocaba, projeto estapafúrdio, que só se dá atenção por carência de projetos e conivência das imprensas partidárias. E, como disse em outro comentário, a parte real do projeto sendo feita terrivelmente, como a nova rodoviária de Sorocaba. E assim vamos, nós entusiastas, discutindo como se fosse um ferrorama, sem pensar nas cidades reais, cada vez mais travadas de carros, com o ônibus sendo destruído e os deslocamentos ficando cada vez mais limitados. O sistema de ônibus de Sorocaba, exemplar em outras épocas, está lá, minguando. O de Campinas também. Os centros dessas duas cidades, desertos. Enfim, sou um dos antigos já, cada vez mais desgostoso – o legal é que o desgosto vai fazendo aprofundar as análises.
O que qualquer concessionária aqui do brasil quer é lucro fácil, o risco fica sempre para o imposto, e o bolso do cidadão otário que continuam votando nesse tipo de político que administra nosso estado, quando tiver tudo pronto, e pago certamente a concessionária assume para cobrar aquelas passagem baratinhas como o pedagio que acharcados nas rodovias daqui.