Governo Lula confirma seis ferrovias regionais de passageiros em carteira nacional

Plano ferroviário federal segue focado em cargas, mas mantém estudos para ligações de passageiros em seis estados

Trem regional entre Luziânia e Brasília deve ser lançado em 2026
Trem regional entre Luziânia e Brasília deve ser lançado em 2026 (Imagem gerada por IA)

O Ministério dos Transportes apresentou na semana passada sua carteira atualizada de projetos ferroviários durante o evento “Novos caminhos sobre trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil”, realizado na B3, em São Paulo. Embora a maior parte das iniciativas seja voltada ao transporte de cargas, o governo também manteve em seus planos uma série de projetos regionais de transporte de passageiros.

A apresentação teve como finalidade atrair a atenção de investidores para projetos ferroviários dentro de uma carteira com R$ 160 bilhões em investimentos previstos, distribuídos por oito leilões. Entre os principais empreendimentos estão a Ferrogrão, o Corredor Leste-Oeste (FICO/FIOL), a EF-118, a Malha Oeste, a Malha Sul e a extensão norte da Ferrovia Norte-Sul.

Paralelamente, o Ministério dos Transportes confirmou estudos para seis corredores de transporte ferroviário de passageiros em diferentes regiões do país. Os projetos contemplam os trechos Salvador–Feira de Santana (107 km), Fortaleza–Sobral (240 km), São Luís–Itapecuru Mirim (116 km), Brasília–Luziânia (62 km), Pelotas–Rio Grande (64 km) e Londrina–Maringá (113 km).

Os corredores têm perfil regional e são voltados principalmente à ligação entre cidades próximas e áreas metropolitanas. A proposta é atender deslocamentos cotidianos realizados atualmente por ônibus e automóveis, criando uma alternativa ferroviária para viagens de curta e média distância.

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Ferrovia entre Brasília e Luziânia é um dos projetos de passageiros estudado (Governo federal)

Entre os projetos de passageiros, apenas o corredor entre Brasília e Luziânia foi detalhado na apresentação realizada na B3. O governo estima investimentos de R$ 2,3 bilhões para implantação da ferrovia de 62 km, que atenderia Brasília, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Luziânia. A demanda projetada é de 8,5 milhões de passageiros no primeiro ano de operação.

Segundo o Ministério dos Transportes, a sustentabilidade financeira do projeto dependerá não apenas da arrecadação tarifária, mas também de receitas complementares obtidas por meio da exploração imobiliária de áreas próximas às estações e da infraestrutura ferroviária, além de aportes públicos e investimentos cruzados.

Apesar da presença dos projetos de passageiros, a carteira apresentada pelo governo é dominada por iniciativas voltadas ao transporte de cargas. O Ministério argumenta que a expansão da produção agrícola e industrial exigirá novos corredores logísticos nas próximas décadas.

As projeções oficiais indicam crescimento de 113% na produção destinada à exportação de soja, milho e farelo de soja até 2050. Para papel e celulose, a expansão prevista chega a 309%, enquanto os bens industrializados e siderúrgicos devem registrar aumento de 50%.

Imagem do trem de passageiros entre Minas e Espírito Santo, operado pela Vale: transporte de passageiros restrito (Divulgação Vale)

Um dos diagnósticos apresentados pelo governo é a redução da malha ferroviária brasileira ao longo das últimas décadas. Segundo o Ministério dos Transportes, o país chegou a ter cerca de 35 mil quilômetros de ferrovias operacionais, mas atualmente menos de 10 mil quilômetros permanecem efetivamente em uso.

Parte da nova carteira busca justamente recuperar trechos abandonados ou subutilizados, como a Malha Oeste e segmentos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), ao mesmo tempo em que cria novos corredores para o escoamento de cargas agrícolas e industriais.

O plano também prevê mudanças na estrutura de financiamento dos projetos, com mecanismos de garantias, aportes públicos, licenciamento ambiental prévio e novos modelos de exploração imobiliária associados às ferrovias, numa tentativa de ampliar o interesse de investidores privados pelo setor.

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Ligeiro
Ligeiro
4 horas atrás

Ano eleitoral é um porre e não confio neste ministério do transporte atual. Quem acompanha notícias do ônibus interestaduais, tem notado q confusão que a ANTT fez com uma nova tentativa de fazer mercados de transporte.

Planos de ferrovias de passageiros são necessários, inegável. Mas dado o histórico e o fato que não se fala por exemplo em consolidar sistemas interligados (porque o ideal é que projetos de ferrovias também contemplem conexões com outros modais), ai fica difícil.

De qualquer forma, só torço que façam e mantenham.

Cleber Matheus
Cleber Matheus
23 segundos atrás
Responder para  Ligeiro

Se não me falha a memória, já estavam planejando essas linhas pelo menos desde o ano passado, acredito que vão seguir a mesma linhas que as linhas ferroviárias de SP, vão sair mas leva tempo para ter algo concreto.

Santiago
Santiago
3 horas atrás

No caso de Brasília, aonde foi parar aquele projeto do trem Brasilia-Anápolis-Goiânia???
Esse daí faria mais sentido!
Luziania fica no entorno de Brasília, e estaria mais pra uma linha metropolitada, ao mesmo tempo em que Brasília já possui um metrô hoje subutilizado.

Benedito Calixto
Benedito Calixto
3 horas atrás

O saqueador de dinheiro de estatais que entregou um trem bala fantasma Rio-São Paulo, nos seus 20 anos no desgoverno federal, resolveu despertar de sua tumba nos últimos meses de mandato, mas em janeiro de 2027, teremos pessoas mais sérias para cuidar desse tema. Essa múmia corrupta, salafrária, está fazendo hora extra na Terra

Jorge Carmelo
Jorge Carmelo
2 horas atrás

Claramente querendo fazer um contra ponto ao governo do Tarcísio. Óbvio que esses trens nunca vão sair do papel pois dificilmente o governo terá verba pra isso e nenhuma empresa privada vai se interessar em trechos de pouca demanda

Webmaster
Webmaster
35 minutos atrás

Aguardando os críticos do governador de SP para darem sua contribuição isenta.