Governo Tarcísio requenta informações da Linha 6-Laranja em vez de esclarecer dúvidas sobre ramal

Comunicado somente repete chavões e dados mais do que divulgados enquanto persistem questões sobre transferência em Água Branca e obras paradas em 14 Bis

Trem da Linha 6-Laranja no pátio
Trem da Linha 6-Laranja no pátio (GESP)

A Linha 6-Laranja terá 15,3 km, 15 estações, atenderá 633 mil passageiros e é conhecida como a ‘Linha das Universidades’. Soou familiar? Sem dúvida já que se tratam de informações repetidas pelo governo há anos.

Mas não foi o bastante já que nesta terça-feira, 6, a gestão Tarcísio de Freitas voltou a divulgar os mesmos fatos sobre o ramal, por meio da “Agência São Paulo”, criada para gerar pautas normalmente replicadas por ‘sites não jornalísticos’ que contaminam a internet em busca de receita de publicidade.

Em vez de esclarecer dúvidas sobre o ramal que persistem mesmo tão próximo da sua inauguração, o texto oficial apenas repete chavões e passa por cima de temas espinhosos como as escavações arqueológicas na estação 14 Bis-Saracura.

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Bloqueios da Linha 6-Laranja sendo instalados (GESP)

A equipe de comunicação apenas enaltece a preocupação do governo com o assunto mas não explica quando a estação será de fato construída já que os trabalhos estão suspensos enquanto os achados são recolhidos. Ela não será aberta em 2027, como insinuado pela propaganda estatal, e tampouco tem um prazo confiável.

Outro fato apropriadamente ‘esquecido’ é a baixa na lista de estações que deverão ser abertas em outubro. Maristela não ficará pronta a tempo, revelou a construtora Acciona recentemente, num momento de transparência que merece aplausos.

Para o governo, no entanto, basta dizer que o trecho Brasilândia-Perdizes vai ser entregue, não importando quantas das nove estações estarão prontas a tempo.

E quanto ao segundo trecho? Como será possível operar até São Joaquim com 14 Bis pendente? Nenhuma menção no comunicado.

Instalação de portas de plataforma (GESP)

Dados conhecidos tratados como inéditos

A cifra de 77% de obras executadas, revelada semanas atrás, voltou a ser citada como novidade, assim como a previsão de outubro, repetida como se fosse inédita por vários veículos. 

Mais lamentável é ver o governo dar “ar de novo” a características já conhecidas dos passageiros na malha metroferroviária. O ‘release’ destaca que os trens serão autônomos e que podem atingir 90 km/h, além de estarem equipados com pantógrafos e terem seis carros. Nada disso é inédito, contudo.

As estações Água Branca da Linha 7 e Linha 6 (direita) (Reprodução/TV Globo)

As linhas 4-Amarela e 15-Prata operam dessa forma, a Linha 5 usa o mesmo sistema de alimentação de energia e até as veteranas linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha possuem trens com seis carros, só que maiores, além de usarem terceiro trilho, uma tecnologia alternativa aos ‘pantógrafos’ e que não as desmerecem por isso. A velocidade máxima é um padrão da maior parte dos ramais e não um diferencial da Linha 6.

O que a nova linha tem de diferente de fato é a quantidade de estações profundas, algumas com plataformas a mais de 60 metros da superfície. Mas quem usa as estações Pinheiros ou Santa Cruz sabe que isso não é algo para se comemorar e sim lamentar. Ao menos há mais pisos para instalar lojinhas e vender pão de queijo.

Estruturas de alimentação aérea da Linha 6 (GESP)

 E como fica a transferência com a Linha 7 em Água Branca?

Quem sabe em um próximo artigo, a agência possa divulgar informações realmente inéditas e relevantes como explicar como será feita a transferência na estação Água Branca, único ponto de conexão com o restante da malha sobre trilhos na primeira fase.

Como se sabe, não há qualquer obra em andamento na estação da Linha 7 para permitir uma baldeação confortável aos usuários já que o governo demorou a decidir o que fazer. Essa tarefa está a cargo da TIC Trens, mas que assumiu o desafio muito tarde e esbarra hoje na burocracia para tirar do papel o enorme hub previsto para o local.

Outro ponto que merece luz da gestão Tarcísio é explicar porque irá pagar R$ 3,6 bilhões à Linha Uni para que o ramal não atrase por dois anos. Embora seja mais econômico entregar um ramal metroviário antes, pelos efeitos positivos que ele traz, resta dúvida sobre o cálculo do valor apresentado pela concessionária.

Interior de estação da Linha 6 (GESP)

Será que o problema geológico próximo à estação Higienópolis-Mackenzie que justificou o reequilíbrio econômico causaria tamanho impacto financeiro?

O ramal de metrô, além do mais, era orçado em R$ 12 bilhões até poucos anos atrás e hoje passa de R$ 20 bilhões. O que levou a uma explosão nos custos dessa forma? 

Como se vê, há muitos temas realmente relevantes para serem abordados pela gestão, afinal dizer que a Linha 6-Laranja levará 23 minutos em vez de 1h30 com ônibus é algo que todos estão careca de saber após tantos anos de atraso.