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Grupo chinês do setor ferroviário e Mitsui fazem proposta para assumir Linha 6-Laranja

China Railway Capital Co. Ltd. e China Railway First Group Ltd. formarão nova empresa em conjunto com a japonesa Mitsui e investidores. Retomada das obras deve ocorrer janeiro de 2018

O primeiro tatuzão da Linha 6 é apresentado na China

Move São Paulo deve parar nas mãos asiáticas

A Secretaria de Transportes Metropolitanos confirmou que recebeu nesta quarta-feira (04) uma proposta do consórcio Move São Paulo para repassar o controle da concessão da Linha 6-Laranja para um grupo formado pela Mitsui, já sócia do negócio, um grupo de investidores japoneses, e duas empresas chinesas do setor ferroviário, a China Railway Capital Co. Ltd. e China Railway First Group Ltd.

As empresas solicitaram 90 dias para resolver as pendências burocráticas a fim de ter as garantias para transferência da concessão, inclusive para formalizar o empréstimo do BNDES, ponto nevrálgico para que obra seja retomada. A previsão é que isso ocorra em janeiro de 2018 caso tudo corra bem, diz a STM.

Estamos muito satisfeitos com o êxito dessa negociação, com a perspectiva de retomar em breve as obras de implantação dessa linha de vital importância para a melhoria da mobilidade e da qualidade de vida, especialmente dos moradores das zona norte e oeste de São Paulo e de milhares de universitários das muitas instituições de ensino localizadas próximas ao trajeto”, disse o secretário da pasta Clodoaldo Pelissioni.

A Move São Paulo é formada hoje por três construtoras (Odebrecht, Queiróz Galvão e UTC), todas envolvidas na Lava Jato e por isso sem crédito nos bancos para financiar a obra. Além delas, o grupo japonês Mitsui possui 5% (dentro da participação da Odebrecht) e será responsável por sistemas e por integrar o material rodante, cujo fornecedor não chegou a ser divulgado (comentava-se que a francesa Alstom seria a escolhida), e o fundo de investimentos FIP, com 47,7% das ações.

Segundo a nota do governo, a nova sociedade assumirá a concessão de forma integral, ou seja, nenhum desses participantes atuais permanecerá, com exceção da Mitsui, porém, num novo esquema societário.

A Move São Paulo também divulgou nota em que confirma o envio da proposta, mas diz não poder fornecer mais detalhes por motivos de sigilo do negócio: “A Concessionária Move São Paulo – responsável pela implantação da Linha 6-Laranja de metrô -, confirma que encaminhou ao Governo do Estado de São Paulo proposta de um grupo empresarial estrangeiro interessado na aquisição do controle acionário da Companhia. Por questões associadas às cláusulas de confidencialidade, a Move São Paulo está impossibilitada de fornecer mais informações sobre as negociações em curso. Atualmente a Concessionária prossegue com as atividades de manutenção e segurança dos canteiros de obras da Linha 6-Laranja de metrô“.

Gigantes chineses de infraestrutura

As duas empresas chinesas que se interessaram pela Linha 6-Laranja atuam em áreas complementares no setor ferroviário. A China Railway Capital Co. Ltd investe em infraestrutura, logística e ferrovias. Já a China Railway First Group Ltd. é parte de um imenso grupo, o China Railway Group Limited, fundado em 2007 e com sede em Pequim. Ele atua na construção e operação de diversas linhas férreas na China, com receita de US$ 106 bilhões em 2015 (R$ 332 bilhões aproximadamente).

Com 15,3 quilômetros de extensão e 15 estações, a Linha 6-Laranja ligará a região noroeste de São Paulo com o centro da cidade. A expectativa é que mais de 630 mil pessoas a utilizem diariamente quando estiver concluída em sua primeira fase. O prazo de entrega era estimado para 2020, porém, com a paralisação das obras, essa data deve ficar pelo menos um ano atrasada.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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