Impasse com favela pode atrasar extensão da Linha 15-Prata até Ipiranga

Metrô planejou construir 60 moradias para reassentar famílias afetadas pelo monotrilho, mas solução concebida há mais de três anos ainda não saiu do papel

Área onde haverá remoção de moradores para passagem do monotrilho
Área onde haverá remoção de moradores para passagem do monotrilho (iTechdrones)

As obras de extensão da Linha 15-Prata até Ipiranga avançam em Vila Prudente, mas um problema que o Metrô de São Paulo tentou resolver antes mesmo do início dos trabalhos pode se transformar em obstáculo para a conclusão do novo trecho, prevista para 2028.

Parte das famílias que vivem na Favela de Vila Prudente terá de deixar suas casas para liberar a área necessária à implantação das vias do monotrilho. A interferência foi bastante reduzida após alterações no projeto, mas não eliminada.

O problema é que a solução habitacional preparada pelo Metrô para reassentar os moradores parou no tempo. A companhia decidiu construir 60 casas em um terreno próprio na Rua Tomás Izzo, a cerca de 500 metros da comunidade, mas as obras ainda não começaram.

O terreno é uma área remanescente das desapropriações realizadas para a construção do trecho subterrâneo da Linha 2-Verde entre Tamanduateí e Vila Prudente. Em vez de transferir a responsabilidade pelo reassentamento para a CDHU ou para a Prefeitura, o Metrô decidiu conduzir diretamente o projeto.

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Trecho do monotrilho passará numa ponta da Favela de Vila Prudente (CMSP)

O plano começou a tomar forma em 2022, quando a companhia concluiu o projeto básico das Habitações de Interesse Social (HIS). Na época, haviam sido identificados 25 imóveis e realizados 60 cadastros de famílias em situação de vulnerabilidade.

Em julho de 2023, como revelou o MetrôCPTM, a companhia lançou a licitação para construir as 60 unidades na Rua Tomás Izzo. A expectativa era acelerar o reassentamento e evitar que a questão habitacional interferisse posteriormente no cronograma da Linha 15.

Licitação problemática

Quatro concorrentes apresentaram propostas em setembro daquele ano. A Nova Bahia ofereceu o menor preço, cerca de R$ 18 milhões, seguida pela SELC Empreendimentos. As duas, no entanto, acabaram desclassificadas durante a análise do Metrô.

A Massapê Construções Civis, terceira colocada, foi habilitada em fevereiro de 2024, com proposta próxima de R$ 22 milhões. A decisão também não prosperou.

Após recursos apresentados pelas concorrentes, o Metrô anulou a habilitação da empresa em maio. Restou na disputa o Consórcio ESB Vila Prudente, formado por SAP Engenharia, Engibras e Benito Roggio, que havia apresentado a proposta mais cara, de R$ 27,5 milhões.

A companhia tentou negociar uma redução para aproximadamente R$ 22 milhões, valor de referência da licitação. Sem acordo, em julho de 2024 o Metrô declarou a concorrência fracassada e a construção das moradias voltou à estaca zero.

Perspectiva da moradia para as famílias que serão retiradas do trajeto da Linha 15 (CMSP)

Dois meses depois, uma nova tentativa foi realizada. O Consórcio Massapê/Sial foi o único interessado e apresentou proposta de R$ 21,9 milhões. O processo ainda passou por outra reviravolta, com uma nova sessão realizada em outubro.

Em novembro de 2024, o Metrô finalmente habilitou o consórcio para construir as 60 moradias. O valor ficou em R$ 21,9 milhões, equivalente a cerca de R$ 366 mil por unidade.

Desde então, porém, o projeto deixou de aparecer nas atualizações sobre a expansão da Linha 15-Prata e as casas não começaram a ser erguidas.

Um documento da Prefeitura de São Paulo publicado neste ano mostra que a questão continuava pendente. O material registra que o alvará para a construção das 60 unidades na Rua Tomás Izzo ainda não havia sido aprovado.

Impacto foi reduzido

A necessidade de retirar moradores chegou a ser bem maior. O projeto original da extensão interferia em aproximadamente 4.337 m² da Favela de Vila Prudente, mas uma alteração de traçado reduziu a área afetada para cerca de 735 m².

A mudança permitiu afastar as vias elevadas de grande parte da comunidade, cenário que chegou a levantar dúvidas sobre a necessidade das moradias previstas pelo Metrô.

Na planta superior, os 4.337 m² inicialmente previstos e abaixo a área menor com 735 m² definida em 2023 (Reprodução)

As obras atualmente deixam clara a proximidade do monotrilho com a favela. Os pilares avançaram pelo trecho ao lado do Viaduto Grande São Paulo, enquanto mais adiante a estrutura atravessará as vias da Linha 10-Turquesa e da MRS para alcançar a futura Estação Ipiranga.

Para que a implantação prossiga no trecho ainda ocupado, no entanto, será necessário concluir o processo de reassentamento das famílias afetadas.

O MetrôCPTM enviou questionamentos ao Metrô para saber a situação atual da licitação das 60 moradias e da quantidade de famílias que serão removidas e atualizará o artigo quando houver resposta.