Linha 19-Celeste teve ter contratos de obras assinados ‘logo’, diz Tarcísio

Governador não quis fornecer prazo para celebrar acordos para três lotes que estão há meses parados, mas prometeu obras em 2027

Linha 19-Celeste deve ser disputada por vários grupos
Linha 19-Celeste deve ser disputada por vários grupos (Montagem com uso de IA)

Há meses com processos pausados, os três lotes de obras civis da Linha 19-Celeste deverão ter os contratos assinados em breve, previu o governador Tarcísio de Freitas nesta sexta-feira, 16.

Reeleito para mais quatro anos à frente do Palácio dos Bandeirantes, o Republicano não quis cravar uma previsão clara. Em vez disso, preferiu dizer que as obras começarão em 2027. 

Questionado pelo repórter Willian Moreira, do MetrôCPTM, Tarcísio respondeu que “a expectativa é que a gente comece ela [obra] no ano que vem. A gente deve assinar logo e no ano que vem a gente deve iniciar efetivamente a obra”. A entrega é esperada para 2032, mesmo ano da previsão de chegada da Linha 2-Verde a Guarulhos.

A Linha 19-Celeste terá 17,6 km de extensão e 15 estações, ligando o centro de Guarulhos com a região do Anhangabaú, em São Paulo. Ela deve atrair uma demanda bastante grande, calculada em mais de 600 mil pessoas por dia.

Receba notícias quentes sobre mobilidade sobre trilhos em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do MetrôCPTM.

O município, o segundo mais populoso do estado, tem uma mobilidade deficiente atualmente, e depende deslocamentos pelas rodovias Dutra e Ayrton Senna além de ônibus que atendem a estação Tucuruvi na zona norte da capital.

A única ligação férrea foi aberta em 2018, a Linha 13-Jade, mas ela não segue até o centro e tem intervalos elevados. Além disso, as estações ficam distantes das regiões mais populosas.

Resultado final do Lote 01 da Linha 19-Celeste (CMSP)

Disputa foi parar nos tribunais

Após ter seu projeto cogitado como uma parceria público-privada, a Linha 19 acabou nas mãos do Metrô de São Paulo, que fez todos estudos e projetos. A companhia lançou três pregões eletrônicos no ano passado, dividindo os lotes em cinco estações, cada um com uma tuneladora prevista.

O processo licitatório ocorreu em outubro, mas antes disso já havia polêmica, com construtoras usando jornais para apontar possíveis irregularidades.

O Lote 1, dentro de Guarulhos, teve o Consórcio Nove de Julho (Yellow River/Highland/Mendes Junior) com a melhor oferta, mas o rival AGIS-OHLA-Cetenco conseguiu convencer o Metrô a afastá-lo por falta de condições técnicas. O processo foi parar no TJ-SP, mas o grupo liderado por empresas chinesas não teve sucesso.

Imagem conceitual da estação Cerejeiras da Linha 19-Celeste do Metrô

Os lotes 2 e 3 foram vencidos pelo Consórcio Via Celeste (liderado pela OECI/Odebrecht) e também tiveram o resultado questionado, desta vez pela Andrade Gutierrez, que chegou a conseguiu liminar importante na Justiça.

Apesar da situação jurídica resolvida, até hoje não houve assinatura dos contratos, um ano após os pregões.

A despeito da afirmação do governador, sua gestão reservou apenas R$ 11,5 milhões no orçamento de 2027 para a Linha 19-Celeste.