Linha 6-Laranja é inaugurada e extensão de metrô em SP passa de 116 km

Ramal que será operado pela concessionária Linha Uni adicionou cerca de 5,2 km à malha metroviária. Veja números

Estação da Linha 6-Laranja
Estação da Linha 6-Laranja (GESP)

Inacabada ou não, com Tarcísio de Freitas irritado com críticas da imprensa sobre a entrega precipitada, fato é que São Paulo, com a inauguração da Linha 6-Laranja, ganhou mais 5 km de metrô nesta quinta-feira, 2 de julho. Nos cálculos deste site, isso significa que a extensão total da rede metroviária passou um pouco de 116 km – 116,2 km, segundo dados levantados.

O dado oficial pode ser um pouco maior ou um pouco menor, mas em resumo significa que a maior cidade do hemisfério sul levou 52 anos para chegar nesse patamar.

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Reportagens da grande mídia vão repetir a ladainha de sempre – que o Metrô de Santiago ou do México é maior – que o ritmo é lento e que a obra atrasou. Algumas informações são verídicas, é verdade, mas analisar a malha sobre trilhos somente pela quilometragem é sempre um ângulo injusto.

São Paulo tem uma rede muito maior que as capitais do Chile e do México, que inclui os trens metropolitanos, muitos deles com serviço mais frequente e capacidade superior. Mas vamos nos ater ao chamado metrô aqui.

A Linha 6 é, como seu número sugere, a sexta linha de metrô pesado de São Paulo. Ela foi inaugurada 16 anos depois da anterior, a Linha 4-Amarela, aberta em 2010. Antes disso, a Linha 5-Lilás havia sido entregue em 2002 mas em um trecho que pouco acrescentava à malha.

Evolução do Metrô de São Paulo em quilometragem desde 1974 (Metrô CPTM)

A Linha Norte-Sul, hoje 1-Azul, surgiu em 1947 como a primeira do país. O Metrô então já trabalhava no segundo ramal, a Linha Leste-Oeste (3-Vermelha), que aproveitou boa parte da faixa de domínio dos trens de subúrbio da época. O primeiro trecho, que criou o ‘nó’ pioneiro do metrô na estação Sé, abriu em 1979.

Somente em 1991 o “Ramal Paulista” foi inaugurado, um ‘rabicho’ com quatro estações que cruzavam a Avenida Paulista, mais tarde rebatizado como Linha 2-Verde.

Estação Santa Marina da Linha 6-Laranja (GESP)

Além das seis linhas pesadas, São Paulo tem dois monotrilhos, a Linha 15-Prata, aberta em 2014, e a Linha 17-Ouro, que está em operação assistida desde março e ganhou sua oitava estação nesta semana.

Uma olhada para trás mostra que o ritmo de crescimento da malha acelerou desde 2018, ano que tem até aqui a marca recorde de quilometragem entregue, com 15,7 km. Neste ano, com a extensão da Linha 6 até Brasilândia, pode-se chegar perto disso, com cerca de 15 km a mais de trilhos.

O problema, no entanto, continua a ser as ‘pausas’ na expansão. A falta de recursos somada a imprevistos, corrupção e mudanças de prioridades políticas acabam prejudicando o andamento das obras. Com isso, surgem os longos períodos sem que nenhum metro de vias seja entregue.

Foi assim nos anos 90, por exemplo, quando o Metrô ficou seis anos sem crescer, entre 1992 e 1998. Mesmo nos últimos anos, com tantas frentes em atividade, São Paulo manteve os mesmos 104,3 km de malha entre 2021 e março de 2026.

Trem da Linha 6-Laranja (GESP)

Os próximos anos, contudo, parecem mais promissores. Além de mais duas estações da Linha 6 previstas para outubro, a Linha Uni deve entregar mais um trecho do ramal em 2027, embora este site tenha dúvidas se ela chegará São Joaquim logo.

O Metrô está avançando com as linhas 2-Verde e 15-Prata, mas nenhuma delas deve ter novidades até 2028. Ainda assim são oito estações de um lado e três do outro.

A Motiva também deu início à extensão da Linha 4-Amarela, prevista para o começo da década de 2030 enquanto a Linha 17 pode ser expandida pouco depois disso.

A própria Linha 6-Laranja está perto de iniciar a Fase 3, trechos ao norte e sul com mais seis estações. E há a espera pela assinatura dos contratos dos três lotes da Linha 19-Celeste para citar um projeto no horizonte.

O importante é que, independentemente da gestão, os novos projetos como as linhas 16-Violeta, 20-Rosa e 22-Marrom não parem porque o ‘arco temporal’ de um empreendimento como esse é longo e qualquer atraso significam às vezes uma espera de décadas.

É só lembrar da Linha 6, que foi incluída o PITU (Plano Integrado de Transportes Urbanos) do governo há exatos 20 anos.