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Metrô aponta falha humana como causa do acidente com os trens de monotrilho

Segundo laudo da comissão de segurança da companhia, “ação humana” tornou um dos trens invisível ao sistema CBTC
Os monotrilhos acidentados: trem da direita não era visível no sistema CBTC (Yamas75/Instagram)

O Metrô divulgou nesta terça-feira (5) os primeiros resultados do laudo realizado pela COPESE, a Comissão Permanente de Segurança da companhia, sobre os motivos que levaram dois trens do monotrilho da Linha 15-Prata se chocarem na estação Jardim Planalto no dia 29 de janeiro.

Segundo o laudo, houve uma falha humana (ainda não explicada em detalhes) que provocou o choque: “A ação humana tornou o trem M22, que estava estacionado na plataforma da estação Jardim Planalto, invisível ao sistema de comunicação e sinalização (CBTC), causando a colisão com o trem M23”, explica a nota da companhia.

Em outras palavras, o Metrô afirma que houve uma ação, involuntária ou não, que “apagou” o trem M22 do painel de controle do CBTC. Com isso, o sistema não enxergou a presença da composição estacionada no local onde se dirigia o M23. A hipótese já era comentada por funcionários da linha logo no dia seguinte ao acidente.

A explicação, no entanto, não esclarece como um funcionário pode, mesmo que involuntariamente, “desligar” um trem de um sistema sem que o próprio CBTC ou outros funcionários notassem essa ausência.

Ou seja, não se pode afirmar que ocorreu apenas uma falha isolada mesmo que humana. Sistemas como o CBTC, de sinalização e comunicação, têm como premissa primordial a segurança justamente para evitar falhas humanas. No setor ferroviário, inclusive, há formas mais eficientes de evitar um acidente como esse do que na aviação, conhecida por seguir inúmeros procedimentos de segurança. Mas pilotos têm autonomia total sobre suas aeronaves enquanto operadores de trem, mesmo que remotos, não poderiam ter essa prerrogativa afinal trata-se de um sistema fechado comandado prioritariamente por um software.

Curiosamente, o episódio da Linha 15 ocorreu semanas após um operador ter assumido o controle de um trem na Linha 1-Azul e danificado um aparelho da via, provocando o fechamento de um trecho do ramal por horas.

Ainda na nota, o Metrô afirma que “todos os procedimentos de atuação do quadro operativo da Linha 15-Prata, principalmente aqueles que envolvem segurança, passarão por uma revisão rigorosa, com o objetivo de mitigar novas ocorrências”. Realmente, é imperativo que a companhia repense seus procedimentos de segurança de forma a impedir que casos aparentemente tão primários possam ocorrer e causar consequências mais graves.

Veja também: As agruras do monotrilho no Brasil

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