Metrô de SP expandiu receitas não tarifárias em 2025, mas ainda busca zerar déficit
Companhia conseguiu uma receita de R$ 252 milhões com serviços não ligadas ao transporte, mas fluxo de passageiros segue distante de 2019
O Metrô de São Paulo encerrou 2025 com avanço nas receitas não tarifárias e maior diversificação de arrecadação, mas ainda enfrenta um desafio central para seu equilíbrio financeiro: a demanda de passageiros segue abaixo dos níveis registrados antes da pandemia, o que limita o crescimento da principal fonte de receita da companhia.
Segundo o Relatório Integrado 2025, o Metrô arrecadou R$ 252 milhões com receitas não tarifárias no ano passado, acima da meta estipulada de R$ 211,5 milhões. A cifra inclui exploração comercial de espaços, publicidade, empreendimentos associados e outras fontes alternativas de receita.
O valor ainda representa uma fatia relativamente pequena diante da receita tarifária, que somou R$ 1,968 bilhão em 2025. No total, a receita operacional líquida da companhia foi de R$ 2,761 bilhões.
Embora tenha registrado taxa de cobertura de 100,35% — indicador que mostra que a arrecadação operacional foi suficiente para cobrir os custos operacionais diretos — o Metrô ainda fechou o ano com EBITDA ajustado negativo em 9,28%.
O dado ajuda a explicar por que a estatal tem buscado ampliar fontes complementares de arrecadação em meio a mudanças estruturais na mobilidade urbana desde 2020.
O principal obstáculo continua sendo a recuperação da demanda.
Metrô de São Paulo ainda não recuperou demanda pré-pandemia (Wilfredor/Wikimedia)
O Metrô transportou 892,7 milhões de passageiros em 2025, alta discreta de 0,3% sobre 2024. Em dias úteis, a média foi de 2,96 milhões de passageiros por dia, crescimento de 0,8%.
Apesar disso, o volume ainda representa apenas 80,4% da demanda registrada em 2019, antes da pandemia de Covid-19 alterar padrões de deslocamento, impulsionar o trabalho remoto e reduzir viagens pendulares em parte do mercado de escritórios.
Nos fins de semana, a recuperação está um pouco mais avançada: a demanda atingiu 84,4% dos níveis pré-pandemia aos sábados e 85,3% aos domingos.
Entre os ramais operados pela companhia, a Linha 15-Prata registrou o maior crescimento proporcional em 2025, com alta de 8,6% na demanda média em dias úteis.
Mapa do Metrô de São Paulo divulgado no Relatório Integrado de 2025, com a Linha 23-Limão (Reprodução)
A Linha 2-Verde também avançou, com crescimento de 3%, enquanto a Linha 1-Azul ficou estável e a Linha 3-Vermelha teve retração de 0,7%.
Os números mostram um cenário mais complexo do que o observado nas plataformas lotadas em horários de pico.
Embora a percepção dos passageiros seja de saturação em vários trechos da rede, a demanda total permanece abaixo do patamar histórico, concentrada em horários e corredores específicos.
No planejamento estratégico para 2026-2030, o Metrô projeta melhorar gradualmente sua situação financeira. A meta da companhia é reduzir o EBITDA ajustado negativo para 2,9% em 2026 e alcançar resultado positivo de 3,76% até 2030.
A estratégia passa por controle de custos, expansão da rede e aumento de receitas complementares em um momento em que a recuperação plena da demanda ainda segue incerta.

Acho bizarra essa busca por lucro em tudo, transporte é um serviço essencial, se o negocio ta funcionando bem não tem problema dar um pouco de deficit (obvio não pode abusar igual os correios kkkk).
Se ele conseguirem equilibrar o deficit zero e dar um bom serviço melhor ainda mas não é algo obrigatorio
Quem defende o déficit do Metrô não pode reclamar da falta de funcionários. Uma empresa estatal deficitária não pode contratar funcionários, dado que não conseguiria comprovar capacidade de sustentar esse aumento nos gastos.
Concordo com voce Ivo, nao existe em nem um pais do mundo, uma estatal que nao tenha lucros financeiros.
Como está a distribuição da tarifa entre as operadoras?
Reclamam do déficit das empresas públicas, mas ninguém reclama dos bilhões em subsídio e reequilíbrio econômico financeiro para empresas privadas. Só o benefício que o metrô traz para a sociedade paga e com muita sobra o prejuizo contábil.
Só o Jonas é contra subsídio ao transporte público. Sem subsídios, idosos, pessoas com deficiência e outros públicos pagariam passagem e o preço da passagem seria ainda maior que o atual (que também é subsidiado).
O Metrô chegou nesse buraco financeiro por, entre outras coisas, pagar salários muito acima de mercado e achar que o estado iria conseguir bancar essa situação para sempre.
Jonas?????
Subsídios e reequilíbrio econômico financeiro serve para garantir o lucro e dividendo aos acionistas , com transferência clara de recurso público para o setor privado. Como você me explica 3,7 bilhões para a linha uni sem sequer ter começado a operar, 2 bilhões para as concessões rodoviárias por perdas na pandemia, e 1,5 bilhões para a tic trens que nem 6 meses tem ainda de operação??
Juizes e desembargadores do TJ-SP receberam em média 82 mil reais por mês em penduricalhos no ano de 2025. Será que o problema do estado de SP realmente é o salário dos metroviários? Será que você realmente está preocupado com erário público ao reclamar constantemente do salários dos trabalhadores do METRO e CPTM?