MetrôCPTM Verifica: Abertura da Linha 6-Laranja em outubro é previsão mais que conhecida

Governo já cita prazo para entrega parcial do ramal há muitos meses, mas tema foi alvo de reportagem como se fosse novidade

Área das futuras plataformas da Linha 6-Laranja na estação Itaberaba.
Área das futuras plataformas da Linha 6-Laranja na estação Itaberaba. (Reprodução)

Nesta quinta-feira, 19, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma entrevista com o CEO da construtora Acciona, responsável pela implantação da Linha 6-Laranja, e estampou como manchete o fato de o ramal ter previsão de inauguração em outubro.

Há pouco, o jornal Bom Dia São Paulo, da TV Globo, confirmou junto ao governo do estado, que o ramal será aberto parcialmente daqui a oito meses.

Ambas as reportagens, no entanto, repisam um fato mais do que conhecido já que a gestão estadual havia revelado a previsão há pelo menos 20 meses.

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Em junho de 2024, o governo Tarcísio de Freitas havia afirmado ter acertado com a construtora a entrega parcial para outubro de 2026.

Ou seja, o tema não é notícia. Se teria sido um momento de ‘amnésia’ nos dois grandes veículos de imprensa ou desatenção, impossível saber.

Acciona corre contra o relógio

A despeito da derrapada no título, a entrevista do Estadão é bastante interessante, com perguntas relevantes. Nela, André de Angelo revela informações importantes como noticiamos na quinta, incluindo a previsão de mais 11 trens para a extensão de seis estações em estudo, e a situação da problemática estação 14 Bis-Saracura.

O executivo também confirmou que o trecho de oito estações previsto para outubro já atingiu 87,56% de execução, com algumas estações já próximas da conclusão.

De Angelo também reafirmou que a estação Maristela será inaugurada apenas no final do ano que vem, em virtude de problemas geológicos encontrados.

André De Angelo, presidente da Acciona (Acciona)

Por falar neles, a estação Higienópolis-Mackenzie, parte da segunda fase de abertura, o CEO da Acciona disse que a escavação ali foi complexa em virtude de um subsolo instável, com pouca resistência e muita água. Foi preciso realizar injeções de concoreto para reforçar paredes e permitir a passagem do tatuzão.

O imprevisto, não detectado em sondagens realizadas pelo governo do estado anteriormente, motivou um reequilíbrio financeiro em favor da Linha Uni que atingiu a cifra de bilhões e causou polêmica.

Apesar da previsão velha, a entrega da Linha 6-Laranja em outubro ainda é algo para ter algum ceticismo. A construtora está empregando terceiro turno em alguns canteiros e acelerando o que pode para cumprir o prazo mas os próximos oito meses estão recheados de desafios antes de um trem circular com passageiros pelo novo ramal.

Obras da estação Higienópolis-Mackenzie da Linha 6-Laranja (Linha Uni)